CRISIS? WHAT CRISIS?

É impossível escamotear a realidade da crise financeira que a todos atormenta, uns mais outros menos, e que diminui de alguma forma a nossa capacidade de vencer no âmbito profissional e empresarial.

De resto, uma das consequências mais dramáticas de qualquer crise é precisamente o facto de constituir por si própria um elemento de desânimo e de enfraquecimento por parte de quem a pode enfrentar, cada um de nós, arrastando por contágio os diferentes elos desta corrente que formamos, pessoas, empresas e instituições para uma mentalidade medrosa que atrofia aos poucos a actividade económica e diminui a produtividade dos seus agentes por tabela.
 
Neste contexto, resta a cada peça desta máquina gigantesca assumir uma de três atitudes possíveis perante a evidência da aflição: baixar os braços e sucumbir às mãos da banca e de outras entidades perante quem não consigamos honrar compromissos financeiros, deixando entrar em colapso toda a estrutura criada em função dos dias melhores; abraçar a postura do salve-se quem puder, contribuindo um pouco mais para acentuar a crise dos outros com o desespero e/ou a presença de espírito bastantes para contrariar a nossa à custa seja do que ou de quem for; ou enfrentar a gaja olhos nos olhos e partir do princípio que só de mangas arregaçadas e aumentando o nosso quinhão minúsculo para o crescimento do PIB podemos em simultâneo minorar os efeitos na nossa vida e contribuir para contrariar na prática as teorias mal sustentadas (mal fiscalizadas?) que nos criam estas situações.
 
Apesar de sentir no bolso, entre outros, os efeitos dos trambolhões da Bolsa (e nem vale a pena desfiar aqui o resto do rosário económico aziago para compor o ramalhete do choradinho), e de levar tempo a recuperar do choque que estas coisas sempre nos provocam quando as receitas começam a mirrar e as despesas se agigantam na proporção, entendi optar pela última das receitas que enunciei no parágrafo acima.
Perdido por um perdido por mil, um gajo pode afundar mas pelo menos sente-se melhor quando despeja baldes de água com uma mão e dá ao remo com a outra. Sempre estamos entretidos no processo e sem tempo ou disposição para carpir as mágoas das perdas entretanto sofridas. Resulta no dinheiro como nas outras dimensões de uma vida.
 
Depois de ultrapassadas as contrariedades que parecem multiplicar-se quando somos apanhados no turbilhão, vou hoje finalmente estrear-me numa alternativa complementar à que possuo e que já não basta para me manter à tona.
E não é fácil conseguir mergulhar em novos projectos num contexto generalizado de crise, ainda menos conseguir convencer outrem da nossa capacidade e entusiasmo juvenis quando o BI e os grisalhos nos denunciam os mais de quarenta…
Mas eu acredito mesmo na premissa de que é nestas alturas que um gajo mostra o que vale, tal e qual preconiza para a nação o nosso Presidente da República.
Aliás, só nestes períodos conturbados (se excluirmos o Euromilhões ou qualquer outra fezada do género) um pelintra pode ambicionar fazer fortuna.
Precisamente por se destacar da multidão descrente que se arrasta penosamente pelos dias, sem a pica necessária para tentar dar a volta.
É talvez o único trunfo ao alcance de quem vê o convés alagado e não conta com o beneplácito do Estado para equilibrar a parada com quem nos encharca, precisamente a banca a quem os Governos estão a deitar a mão.
Na fortuna não acredito, nem a ambiciono. Enfrentar uma crise obriga a uma atitude tão firme quanto realista e uma pessoa nem pode elevar a fasquia a um ponto em que possa de repente levar com ela no toutiço por exagerar nas expectativas.
 
Mas lá que me sinto motivado para espernear contra este aperto e que gostava de vos transmitir essa força para enfrentarem a vossa semana, isso é ponto assente e fica aqui o testemunho dessa minha intenção.

Entre mortos e feridos há sempre alguém que escapa incólume aos estilhaços da escaramuça…

publicado por shark às 10:41 | linque da posta | sou todo ouvidos