A POSTA QUE NÃO VOS SEI EXPLICAR MUITO BEM

É muito escorregadio o terreno onde se move quem pretenda retratar as emoções alheias. Em causa está a facilidade com que se resvala para o piroso, para o excessivo, para o oportunista até.

O desafio é por isso colossal e aumenta de forma exponencial quando as emoções em causa são daquelas a que (quase) ninguém consegue ficar indiferente, sendo fácil ultrapassar a tal fina barreira entre o mau gosto descarado e a sensibilidade discreta que uma visão objectiva dos factos pode englobar.
 
Isto a propósito do primeiro post em mais de quatro anos que me arrancou lágrimas a sério e que o Marco arriscou publicar porque considerou (como eu o faria no seu lugar, pai de uma menina como ele é) que se tratava de um dos raros exemplos em que os tais limites foram respeitados e por isso, pelo menos por isso, justificava-se a divulgação do trabalho em causa e que me virou todo do avesso por dentro precisamente pela (chamemos-lhe) elevação da abordagem a um tema que só mesmo uma minoria consegue tratar dentro dos parâmetros que possamos considerar aceitáveis.
Mesmo não havendo forma de aceitar (lidar com) situações como a que o post retrata.
 
Enquanto escrevo esta posta, na ressaca do impacto que senti, percebo o quanto é difícil medir as palavras para não ser eu a protagonizar uma abordagem lamechas ou palerma ou seja o que for que possa suscitar a quem aterre neste, enfim, desabafo que é também o reconhecimento formal da capacidade de discernimento de um homem que também é pai e por isso terá sentido a mesma dificuldade (maior, pois a iniciativa foi dele) na decisão de divulgar ou não o trabalho da Jornalista em causa.
 

E é por isso que faço esta posta sem saber muito bem com que objectivo, pois por um lado não recomendo a quem se impressione com estas coisas que visite o Bitaites e siga o linque para as fotos que me partiram todo e por outro não podia deixar de partilhar convosco o assunto que mexeu comigo, encontrei-o da blogosfera e deriva de um dos raros (raríssimos) blogues que esmagam o meu umbigo ao ponto de os considerar melhores do que o meu.

publicado por shark às 18:29 | linque da posta | sou todo ouvidos