PALIN VÍTIMA DE HACKERS E DA LEVIANDADE BLOGUEIRA

A primeira questão que nos ocorre relativamente ao assalto dos hackers ao email pessoal da candidata republicana à vice-presidência dos EUA é a da violação da privacidade.

Contudo, essa matéria será por certo dissecada até à exaustão pela Imprensa que, de resto, não deixará de aproveitar o ensejo para pegar no assunto por outra das suas consequências visíveis, a mesma que me move nesta posta: a da publicação da informação “roubada” em diversos blogues norte-americanos.
 
A ética blogueira é foco de acesos debates desde que as primeiras broncas começaram a fazer notícia. Em causa está o confronto dos nossos direitos no âmbito da liberdade de expressão total com os limites que cada um/a deveria intuir mas só a lei consegue de facto impor, acabando assim por se abrir a porta ao controlo dos conteúdos com base em pretextos que são afinal os abusos cometidos por uma minoria de mentecaptos ou de irresponsáveis.
É nesse contexto que encaro (mais) este episódio foleiro que me prejudica enquanto blogueiro mas igualmente limita os meus direitos enquanto cidadão, por ser cada vez mais óbvia a necessidade de intervenção de uma qualquer entidade reguladora que fiscalize os abusos e distinga as águas neste mar heterogéneo e cada vez mais influente na formação de opiniões e até na tomada de decisões políticas.
 
É a velha questão das duas blogosferas, a “séria” dos que encaram isto como um novo meio de Comunicação Social (assumindo igualmente a contenção e o rigor que a pretensão de seriedade impõe) a de “brincar”, a dos que querem apenas debitar umas larachas e uns bitaites sem qualquer espécie de restrição.
São episódios como o da publicação leviana de material pirateado do computador de alguém ou os das calúnias mais ou menos impunes que de vez em quando fazem notícia os argumentos que faltam às autoridades (e ao poder político) para interferirem de forma mais directa na blogosfera e, de alguma forma, lhe cercearem algo do que tem de melhor.
Em última análise, uma vez regulamentada essa intervenção será inevitável o excesso de zelo com que alguém decidirá acerca do fecho deste ou daquele “foco de infecção” que uma blogosfera livre necessariamente produz. E essa é uma tentação irresistível para qualquer tipo de poder, mesmo o mais democrático.
 
Resumindo: a blogosfera tem cada vez mais que decidir o seu futuro antes que alguém o faça por todos nós. Ou abraçamos um estatuto mais exigente e necessariamente mais responsável, acatando regras elementares de seriedade, ou enveredamos pelo fartar vilanagem e aguentamos as consequências.
Em causa está o caminho que cada pessoa que bloga tem a obrigação de definir para esta comunidade e para o que o nosso trabalho representará para a sociedade num futuro próximo.
 

E é na diversidade de escolhas possíveis no âmbito da questão acima que se fundamentam aqueles que como eu não desdenham o traçar de uma linha bem definida que distinga a realidade factual da existência de (pelo menos) duas blogosferas em paralelo e que deixe bem claros os contornos com que cada pessoa pretende utilizar o seu espaço, acarretando a aceitação das hipotéticas regalias como dos inevitáveis contrapontos na restrição ao livre arbítrio e em matéria penal e jurídica.

publicado por shark às 12:37 | linque da posta | sou todo ouvidos