CONTAGEM DECRESCENTE - 7

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Ontem, um gesto bonito de uma amiga que bloga levou-me a colocar a mim próprio a seguinte questão: quando chegar o dia de encerrar este blogue (e subsequentemente a minha presença na blogosfera), o que irá acontecer com as minhas actuais ligações blogueiras?
Ou seja, qual será a força dos laços que me unem às pessoas que blogam e se tornaram boa parte das minhas referências em matéria de relações sociais? Resistirá à minha "perda de estatuto", ao meu alheamento total deste fenómeno?

São questões pertinentes para quem está nisto há mais de um ano e já experimentou alguns cortes radicais em relações de amizade e de confiança estabelecidas neste meio. A fragilidade das relações blogueiras evidencia-se ao primeiro choque de personalidades, quando chega a hora de exibir na prática a tal confiança que acreditamos.
É nesses momentos de crise que uma amizade virtual se pode comparar a uma congénere analógica. No meu caso pessoal, o balanço é sintomático: poucas foram as situações melindrosas que não resultaram no arrefecimento ou mesmo na extinção dos contactos com as pessoas envolvidas.
A margem de manobra para os erros (tão humanos) é menor para os nicks do que para os nomes reais e os rostos de carne e osso.

A iniciativa da minha amiga que bloga surpreendeu-me por desmentir esse pressuposto. Confrontada com o que lhe indicia (com alguma razão) o meu caminho inexorável para a saída desta amálgama de umbigos virtuosos, preocupou-a o que virá a seguir.
E tratou de me evidenciar a sua disponibilidade para um depois, para a manutenção de um laço que se criou com base naquilo que somos e damos a conhecer aqui mais do que em qualquer outra condição (por inerência do strip psicológico a que nos submetemos).
Por contraponto, outras amigas e amigos blogueiros deixaram cair o meu nick (e o meu nome) ao primeiro precalço que o nosso desacerto pontual provocou.

Confesso que não alimento grandes esperanças no futuro das minhas ligações nascidas deste meio, as mais como as menos próximas, pois a estatística não me deixa hipóteses de sonhar e a prática indica que só uma atitude consensual permite prolongar o "estado de graça" que se cria entre a maioria de nós. Basta olhar para os nicks de quem comentava o charco há uns meses atrás e compará-los com estes dias. Ou reparar nos emails que hoje me chegam (e que eu envio), por contraponto com os do passado recente (que em termos blogueiros equivale a uns anos atrás).
À mínima contrariedade, o fim. Mesmo quando não anunciado, apenas confirmado pela ausência de contacto a partir do momento desse "choque tecnológico" que quantas vezes não reflecte a essência das emoções mas apenas a inevitável má interpretação das palavras que nos definem a imagem junto das outras pessoas.
Os malentendidos na blogosfera são frequentes e liquidam muitas vezes aquilo que julgamos serem elos duradouros.

Por isso não sou optimista quanto ao que virá a seguir, mesmo considerando o gesto da amiga que hoje serviu de inspiração para a minha posta. Foi um sinal quase isolado, por parte de quem poderia seguir na boa o mesmo rumo de quem até hoje não me perdoou algum dos deslizes que cometi. E foram vários, considerando o figurino que acima tracei.
Isto leva-me a concluir que as amizades nascidas na blogosfera não possuem a consistência das outras, duram menos e cedem com maior facilidade aos conflitos e às ausências de uma visita de cortesia.
Tu, a quem agradeço a diferença, foste a excepção a duas regras de ouro nestas andanças.

Na blogosfera, quem não aparece esquece.
E quem tropeça nunca mais se levanta.
publicado por shark às 10:08 | linque da posta | sou todo ouvidos