A POSTA NAS HISTÓRIAS

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Atormentam-me as histórias que deixarei de contar. E mais ainda as que contei, por sabê-las agora irrepetíveis.
Nessa representação do que mudou, nesse farol que assim se apagou, vejo o medo por detrás da minha hesitação.
Hesito acreditar. Receio deixar-me atraiçoar pelo excesso de fé.
A fé no futuro de um farol que não ilumina agora os caminhos percorridos nem desvenda os que no futuro se querem percorrer.
Às cegas. Desprovidos da luz, da energia das histórias e da vontade indómita de as perpetuar na memória e no papel.
Um final com sabor a fel para um símbolo do que se perdeu.

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Alimentam-me as memórias que cuidarei de preservar. E mais ainda as que amei, por sabê-las inesquecíveis.
Nessa lembrança do que ficou, nesse rumo que assim se traçou, vejo a esperança abraçada à minha convicção.
Decido avançar. Sem temer a traição que o medo inventou.
O medo de um passado que não faz história na vitória que o presente concedeu.
Às claras. Livres da escuridão, para viver as histórias que um dia se contarão sob a luz de um luar reflectido no mar e nos olhos brilhantes de quem as projectou num amanhã melhor.
Uma história de encantar, como todas as histórias com um final feliz.

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Foto: sharkinho
publicado por shark às 01:54 | linque da posta | sou todo ouvidos