A POSTA NUM FAIT DIVERS DE MERCADOR TORCIDO

Cheguei a um acordo com ele há uns dias, depois de dissecarmos as alternativas de forma exaustiva.

Hoje, véspera do dia D, liguei em tempo útil para o telemóvel dele para acertar pormenores pois amanhã acontecerá algo para o qual necessitam de um documento difícil de obter num dia de semana e quase impossível numa manhã de sábado.
 
Azar, ele estava a conduzir. Atendeu-me ela. De imediato fez questão de me obrigar a repetir a argumentação, que rebateu em busca de contras que de facto não existiam.
Quando chegou a essa conclusão sacou do trunfo na manga, uma diferença irrisória (e provavelmente negociável) entre o custo final da opção que ele, conhecendo-me e trabalhando comigo há mais de uma década, deu como acertada e uma outra que ela entendeu por sua conta e à última hora obter.
No final do nosso diálogo, e porque não sou homem nem profissional para me vergar em paninhos quentes pelo ego seja de quem for – valho pelo que faço de bem ou de mal, pareceu-me claro que ela iria forçar no resto do dia a sua solução maravilha.
 
Azar, aos sábados de manhã essa alternativa não é viável. E ela aparentemente não o sabia quando entendeu interferir de forma tão arrogante quanto inoportuna, deixando-o numa triste figurinha aos meus olhos e, adivinho-o eu, aos de quem amanhã conta com o tal documento que eu emitiria na boa.
Será uma daquelas surpresas capazes de darem cabo do fim-de-semana a uma pessoa.
 

E eu maço-vos com este assunto da treta por dois motivos: para que possam extrair uma moral da história que vos sirva no futuro e para me penitenciar pela satisfação interior que a antevisão da bronca irresolúvel sem a minha intervenção (agora de todo impossível) me proporciona.

publicado por shark às 18:15 | linque da posta | sou todo ouvidos