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CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

26
Jul22

A posta no influencer camuflado

shark

A recente sondagem, chamemos-lhe assim, que coloca o famoso contra-almirante das vacinas como potencial vencedor das próximas eleições presidenciais, logo à primeira volta, diz-nos muito do que vai na alma e do que não deveria ir na cabeça dos portugueses.

O militar em apreço teve um desempenho notável num momento sensível, aplicando métodos simples de organização e de disciplina que a sociedade civil parece não dominar. Recebeu um cargo que ambicionava e o reconhecimento quase generalizado por parte da população, em troca dos serviços que nos prestou. Mas é um militar de alta patente, sem qualquer bagagem política e completamente anónimo até surgir uma circunstância propícia para o catapultar em direcção à ribalta. Cumpriu bem aquele papel, nada garante que a receita ganhadora possa replicar-se em todos os domínios em que um Presidente da República possa intervir.

O que a dita sondagem deixa claro é a permeabilidade ao apelo de índole populista, similar aos que têm conduzido ou perpetuado no poder líderes sem maneiras ou sem Sentido de Estado um pouco por todo o Mundo. Esse impulso irreflectido de ceder ao papão do caos que, num dos países mais seguros, mais estáveis e mais antigos da Europa, já levou à eleição de vários deputados de uma seita que se pinta como partido para corroer por dentro a Democracia.

Desencantados com a debilidade das lideranças que se expõem sistematicamente em casos mediáticos de corrupção, de compadrio, de criação de "cortes" que as afastam de uma leitura correcta do que se passa no país, basta um exemplo bem sucedido para deslumbrar. De preferência com um ar austero, como um oficial da Marinha ou assim.

Faz-me lembrar o exemplo clássico do grupo desorientado que escolhe como líder o primeiro gajo na sala a levantar a mão e que afinal só queria saber se podia ir fazer chichi a meio da reunião.

Assusta-me, esta flexibilidade de critérios baseada na política tiririca (pior do que está não fica). A complexidade inerente à condução de um país não pode ser confiada a quem ainda nem tirou a carta de ligeiros em matéria de compreensão das imensas partes de que o todo se compõe.

25
Jun22

A posta que está na hora

shark

Uma pessoa olha para os noticiários ou para as redes sociais e fica estarrecida. Como ainda existimos? Quantos milagres serão necessários para prevalecermos sobre todas as ameaças no horizonte? É aterrador, ponderar acerca do futuro que o presente nos promete. Sem qualquer espécie de foco de esperança, na capacidade colectiva, na liderança, olhamos em frente e não pensamos em avançar, apenas procuramos abrigo para o que aí vem. A alternativa é a da avestruz, a da esmagadora maioria, e não me soa agradável o que isso irá permitir.

Claro que o catastrofismo é uma opção fácil, neste contexto. A pessoa pensa no que pode ser feito e depois olha para os meios ao alcance. E a pessoa desanima um nadinha, sente-se tentada a baixar os braços e a alinhar no tradicional logo se vê. Mas depois a pessoa olha para o passado e acorda para a realidade que nos diz ser imprescindível agir, ser obrigatório intervir de alguma forma para desmentir o aparentemente inevitável.

Detesto inevitabilidades, admito. Só a morte é impossível de contrariar. Tudo o resto tem solução ou, pelo menos, qualquer alternativa que não o deixar andar que nos destrói aos bocadinhos, convictos de que nada há a fazer. Talvez nem haja, em termos globais. Contudo, a História é um viveiro de impossíveis que a vontade individual ou colectiva fez acontecer. Quase sempre em grupo, a união faz a força e sempre se revelou a única arma ao alcance dos que não têm acesso ao poder e o percebem incapaz de fazer o que dele se espera.

Um esforço colectivo, em torno de uma qualquer realidade comum, agiganta a possibilidade de sucesso num mundo feito para as minorias poderosas com maiorias apáticas e fáceis de manipular. Dividir para reinar, a receita ganhadora desde o início dos tempos. E nós alinhamos, nós pactuamos com a consciência dormente que nos impede de combater o que está mal e de renegar os destinos de merda que parecem estar reservados para uma Humanidade sem tino. O poder, ou quem o ambiciona, mobiliza-nos para um ódio por fascículos, direccionado para um "outro" que pode estar de acordo connosco em tudo menos naquilo que não der jeito a quem manda e que será tão mais apetecível quanto mais indefeso em teoria. Por fazer parte de uma minoria ou de um lote qualquer de indivíduos cuja visão do mundo, características físicas, tendências sexuais, convicções religiosas ou quaisquer outras fragilizem alguém aos olhos de quem simplesmente decida embirrar com a diferença.

Um mundo antigo, pestilento, que arrastamos ao longo de gerações e só nos promete sofrimentos desnecessários. Quando todos sabemos, ou pelo menos intuímos, que é possível conseguir melhor. E temos os meios ao nosso alcance, nas sociedades onde a democracia ainda prevalece, para o lograr. Basta despertar para a necessidade de intervir onde podemos, onde devemos, para fazer sobrepor a voz do bom senso ao silêncio cúmplice de quem ocupa os lugares por preencher.

Uma revolução necessária. Sem sangue nem dor. Inteligente, organizada, em torno de objectivos alheios a ideologias retrógradas ou a ganâncias descontroladas. Só para corrigir aquilo que já se provou ineficaz e nos atormenta e nos impede de rumar para um mundo melhor.

Não sei o que nos impede de a fazer acontecer. Ontem já era tarde demais.

 

02
Jun22

A posta relativamente perspectivada

shark

É tudo uma questão de perspectiva, diz-se por aí. Nem tudo, embora a nossa percepção de coisas tão importantes como a felicidade dependa bastante da forma como olhamos a vida. Em parte, isso explica o mistério subjacente a existirem pobres felizes e ricos amargurados. Contudo, a nossa complexidade, aliada ao cariz muito aleatório do que o destino nos reserva, acaba por baralhar as contas e dificultar certezas absolutas. Que, na maioria, se confirmam disparatadas na condição.

A perspectiva que se tem depende imenso das circunstâncias que nos rodeiam. É difícil um pobre feliz e um rico amargurado perspectivarem de igual forma a partir de tão diferentes pontos de partida, para além de que o dinheiro só traz a felicidade incluída na versão topo de gama, muito dispendiosa e nem por isso garantidamente eficaz, como se demonstra pelos exemplos em apreço.

Por outro lado, a pobreza ensina a viver com pouco, mas a riqueza não dá formação em saber lidar com a abastança.

É tudo muito relativo, também por aí se diz.

 

17
Mai22

Palavra que não

shark

É possível brincar com palavras. A sério. Todavia, é leviandade subestimar o poder destrutivo de uma palavra carregada. Uma vez disparada pode atingir o alvo com a precisão de um drone e o poder destrutivo de uma deflagração. Isto em sentido figurado, claro. Os defensores da livre circulação de armas entre civis diriam, a propósito: as palavras não matam pessoas, as pessoas matam pessoas. Com palavras, também. Por dentro.

 

Ao longo de uma existência é inevitável enfrentar-se um desses duelos de palavras que podem não matar pessoas, mas destroem relações. Mesmo as mais sólidas, abanam desde os alicerces quando atingidas por uma palavra certeira. Que até pode ser a palavra errada, mero estilhaço do rebentamento de uma discussão. Em cheio no coração, sentida como uma dor, a palavra errada, que o futuro até pode provar ser a palavra mais acertada, arrasa a pessoa atingida e nenhum pedido de desculpa estancará a hemorragia. É assim que as palavras matam: gravadas na memória, como feridas abertas, sangram emoções até a pessoa deixar de as sentir. Provavelmente porque entretanto morreu.

As palavras são armas de longo alcance, apesar de igualmente eficazes à queima-roupa. São corrosivas, para além de explosivas. Espalham-se como metástases no raciocínio, ecoam a cada lembrança de quem efectuou o disparo. Secam, como eucaliptos, tudo em seu redor, uma vez plantadas no solo fértil das más recordações. E sentem-se como bofetadas, quando aplicadas de forma inequívoca como uma carapuça perfeita para bons entendedores.

As palavras podem matar amores e isso é quase como matar as pessoas, se é mesmo de amor que se trata. Morre-se disso, dizem. E as palavras podem estar na origem da ocorrência, assassinas por interposta emoção.

É possível brincar com palavras. Mas desaconselhe-se o uso a quem não as saiba controlar.

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