Um luxo de condição

Num país “de Esquerda”, um residente em Sacavém viu-se obrigado a dirigir-se a Loures para se inscrever no centro de emprego (o de Sacavém foi encerrado tempos atrás).

Um desempregado, sobretudo sem direito ao subsídio de desemprego, pode não possuir um meio de transporte próprio, pelo que tem de recorrer aos transportes ditos públicos. Custa 3,30€ a ida e outro tanto a volta, pois fazer tantos quilómetros a pé com uma serra de permeio é coisa para dar cabo do único par de sapatos em condições da pessoa.

Ou seja, o desempregado paga 6,60€ (parece pouco, mas em certas condições não são trocos) para aguardar cerca de uma hora a ouvir os dramas pessoais de outros inúteis presentes na sala, enquanto aguarda que saia o seu número na rifa. É um espectáculo caro, tendo em conta.

No final desse mergulho no que a sociedade tem de mais desanimado, o desempregado de Sacavém fica a saber que, desde Fevereiro, para se inscrever na qualidade precisa de fazer marcação prévia.

Fica também a saber que vai ficar mais uma semana sem soluções à vista, finda a qual terá de pagar mais 6,60€ de viagem para proceder à referida inscrição que, de resto, não lhe garante coisa alguma.

São 13,20€ ao todo, num país “de Esquerda”, só para alimentar uma pequena esperança.

E depois os cidadãos com emprego dizem que é caro ir ao cinema.

publicado por shark às 20:59 | linque da posta | sou todo ouvidos