Segunda-feira, 03.04.17

Sem luz ao fundo

tunel sem luz ao fundo.jpg

 Foto Shark

publicado por shark às 23:52 | linque da posta
Segunda-feira, 22.04.13

Somos o que somos porque sim

Somos o que nascemos.

Aquilo que herdamos, o sangue de alguém. Um pai e uma mãe, mais uma linhagem qualquer. A família, antepassados. Genes que nos determinam, feita uma combinação com o acaso ou com Deus consoante queiramos acreditar. Somos o que nascemos, a estatística que nos faz saudáveis ou doentes, perfeitos como nos anseiam ou azarados logo à partida com um problema qualquer que nos possa condicionar daí em diante, diferentes como os outros mas condicionados por uma diferença a mais.

 

Depois crescemos e somos aquilo que bebemos de quem nos queira criar, a educação que nos orienta até à hora de sabermos quem somos mais o que queremos ser afinal.

Aquilo que aprendemos, as coisas que imitamos até ao dia em que entendemos melhor o papel que queremos assumir. Decisões que tomamos em função da forma como sentimos mais o que a razão nos aconselha, dentro dos limites impostos à nascença pelo conjunto de condições reunidas pelo destino, o nosso e o de quem nos sustenta e em nós deposita as suas expectativas e, por vezes, até as suas ambições por concretizar.

 

Somos o que decidimos, também.

Escolhas certas ou erradas que podem influenciar sobremaneira tudo aquilo que seremos então. Tudo isso mais o mundo à nossa volta, cheio de gente como nós cujos caminhos se cruzam com a rota que traçámos e tantas vezes alteramos para as alinharmos em função, moldamos aos poucos a viagem à medida de coisas tão aleatórias como a necessidade temporária ou, com muita sorte, o amor que nos dizem ser melhor quando eterno até nos apercebermos que as rotas paralelas se transformaram aos poucos em rotas de colisão.

Pode acontecer dessa forma ou precisamente ao contrário, na lotaria que nos oferece números premiados como nos impõe a dado ponto os picos de desilusão. Pretextos para deixarmos cair sonhos antigos ou para aceitarmos como causas perdidas as certezas arrogantes de um tempo em que nos acreditávamos capazes de tudo e a felicidade surgia no horizonte como um sol livre do ocaso ou dos temporais.

 

Somos o que nascemos mais tudo o que cada pessoa é capaz.

Mas também somos o que vivemos e por isso tudo aquilo que sejamos será sempre muito do que a vida nos faz.

publicado por shark às 11:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Domingo, 15.05.11

SEM ALARIDO

Agradeço muito a quem lembrou e disso deu conta por alguma via.

publicado por shark às 21:18 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 03.05.11

AO MEU MELHOR AMIGO

Eu tive um amigo a sério, leal, presente, incondicional.

Um amigo a sério, constante, que não hesitava em retribuir um abraço com a manifestação de carinho que lhe era possível, que escutava em silêncio os meus desabafos, orelhas arrebitadas para ouvir cada uma das palavras que parecia perceber, era isso que parecia dizer-me com o olhar porque esse meu amigo a sério, infelizmente, não podia falar.

Mas ouvia e ao mínimo sinal de apuros da minha parte ou de uma ameaça latente fazia sentir a sua presença e não hesitava, provavelmente até a vida dava por mim, o seu amigo principal.

E era, sem dúvida, um amigo a sério, leal, incapaz de trair a minha confiança, dedicado.

 

Andava comigo para quase todo o lado, insistia que fosse assim. Porque gostava de mim sem reservas, como nunca antes dele ou depois experimentei. Era único, esse amigo que entretanto perdi, depois de muitos anos de convivência, de muitos anos de vida tão próxima quanto seria possível entre dois amigos como nós. E sinto-o insubstituível, acredito mesmo ser impossível voltar a ter um amigo assim, tão fiel aos princípios mais importantes numa relação.

 

E sim, sinto cada vez mais a saudade do meu cão.

publicado por shark às 15:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quarta-feira, 20.04.11

A POSTA APREENSIVA

Recebi um dos maiores chuveiros de humildade no dia em que percebi que uma mulher, uma paixão, preferia dedicar o seu tempo a um jogo de computador do que ao contacto comigo.

Julgava-me apelativo, interessante, arrebatador. Pura ilusão. Um simples computador bastou para me bater aos pontos no confronto directo e eu senti essa derrota como uma goleada em casa, como uma humilhação.

Claro que essa experiência apenas desnudou a minha arrogância, exposta ao ridículo perante os factos que evidenciaram, na altura, o deslumbramento excessivo que me permiti por me julgar capaz de conquistas como as do passado, esse sim, recheado de vitórias que me resta recordar com saudade mas com os pés bem assentes no chão.

 

Hoje o meu Glorioso joga na Luz com o Porto.

E eu decidi que não gosto nada de associações de ideias palermas.

publicado por shark às 11:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Segunda-feira, 18.04.11

A POSTA NA AMIZADE PROPRIAMENTE DITA

Para justificarem longos períodos de silêncio e quando questiono esses hiatos como susceptíveis de porem em causa o conceito de amizade que sempre defendi, muitas pessoas que gostava de sentir e de usufruir como amigas fazem a apologia de uma amizade que pode durar para sempre, mesmo sem contactos frequentes (uma vez por ano ou menos?), porque não são os contactos que validam uma amizade mas antes um não sei bem o quê que presumo seja qualquer vínculo emocional que me soa sempre estapafúrdio quando percebo que há pessoas com quem não falo há tanto tempo que são hoje quase perfeitos estranhos.

E sabem menos a meu respeito do que, por exemplo, quem acompanha com regularidade o meu blogue.

 

Isto a propósito de eu ter tido conhecimento de um grave problema de saúde de uma pessoa que chamei sem hesitações minha amiga ao longo de vários anos de convívio próximo que, até por via de se ter tornado figura pública, acabou por cessar vários anos atrás.

Seria estúpido se negasse que senti o impacto do problema dessa pessoa com a carga emocional inerente ao tal vínculo que acima citei. Contudo, seria hipócrita se me achasse próximo o suficiente da pessoa em questão para proceder como um amigo sempre deveria em tais circunstâncias.

Não estou, de todo, próximo dessa pessoa a quem estimo e de quem guardo uma memória de dias felizes mas já demasiado idos no tempo para ser possível acreditar que ambos ou mesmo apenas um de nós tem muito a ver com as imagens que deixámos um no outro.

 

Esta situação, confrangedora como a sinto, ilustra bem o meu ponto de vista que defende a manutenção de um contacto mínimo entre as pessoas e que transcenda o cumprimento de circunstância, que implique falarmos e ouvirmos coisas acerca de nós e dos outros para irmos acompanhando o percurso de vida e percebendo as mudanças que o tempo impõe. Mais ainda, para não termos que saber dos maus e dos bons momentos por terceiros e, nessas condições, não possuirmos legitimidade para nos impormos na partilha desses momentos de que tomamos conhecimento por interposta pessoa ou, pior ainda e no caso concreto, pela Comunicação Social.

E é essa falta de legitimidade que desmascara o tal conceito de amizade quando calha, a prática desmente o pressuposto sem demora.

 

Dei comigo a enviar uma mensagem de coragem e de força através de um contacto institucional, uma presença virtual da pessoa amiga e figura pública, mesmo conflituando o impulso de transmitir a minha preocupação genuína com a noção de que a pessoa visada talvez já nem se lembre de mim, de nós, tanto tempo que entretanto decorreu, tanta vida que aconteceu sem dela reciprocamente darmos conta.

 

Dei comigo, mais uma vez, a não gostar de perceber a razão que tenho.

E que de bom grado dispensaria.

publicado por shark às 15:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Quinta-feira, 24.03.11

CÓLICA RENAL FOR DUMMIES

Neste preciso momento estou a tentar evitar a que, a confirmar-se, será a minha décima segunda cólica renal em cerca de 15 anos.

Diz quem já deu à luz e experimentou uma cólica renal que esta última bate a primeira aos pontos em matéria de dor, algo que, naturalmente, não posso confirmar.

Mas acredito que sim, ou dá-me a sensação de que a taxa de natalidade baixaria a pique (a menos que a epidural se tornasse obrigatória...).

 

Este é um tema desagradável para uma posta. Ninguém convive com a dor de forma pacífica, bem como com os sintomas que a prenunciam.

De resto, mais do que partilhar seja com quem for esta minha relativa ansiedade por estarem reunidas todas as condições para o ritual da ida ao CUF Descobertas para levar um shot de anestésico e fazer um tac ou uma ecografia, duas ou três horas de estadia, quero acima de tudo disponibilizar informação para quem, como aconteceu comigo, possa ser um dia apanhado/a de surpresa por um tipo de dor diferente de todas as que já sentiu e apanhe um cagaço sério.

E o pânico em nada ajuda a controlar a situação em causa.

 

As cólicas renais são provocadas por aquilo a que comummente chamamos de pedra nos rins e os médicos preferem apelidar de cálculos ou areias.

Existem vários tipos de cálculos mas, como é normal, procurei informar-me acerca do meu em particular.

E aqui entro na primeira questão muito terra a terra capaz de melindrar as pessoas (com pila) mais susceptíveis: a coisa acaba por sair do corpo e só tem um caminho possível. Quem tem o azar de lhe tocar um calhau dos maiorzitos e mais rígidos pode acrescentar à dor no rim uma outra nada apetecível. Não preciso de entrar em pormenores...

Para descobrirmos de qual se trata para podermos evitá-lo no futuro há que arranjar forma de apanhar o primeiro que calhe em caminho, para posterior análise.

Sim, também aqui deixo a coisa ao livre arbítrio de quem se vir em tais propósitos.

A necessidade aguça o engenho, enfim...

 

O meu tipo de cálculo é dos outros, mais areia do que pedra. É provocado pela reacção dos rins a um componente (oxalato) presente de forma significativa em quatro alimentos comuns: espinafres, amendoins, chá preto e... chocolate.

Está bem de ver porque sou já um veterano destas andanças, viciado como sou na melhor substância comestível da galáxia.

A boa notícia é que uma pessoa, depois de identificar o “inimigo”, pode fazer a sua escolha: cortar em absoluto e nunca mais passar pela provação ou, em alternativa, aceitar o preço a pagar e organizar a vida em função desse camartelo que pode tombar a qualquer hora e em qualquer lugar depois de cometido o abuso.

 

Regressando à partilha da experiência com potenciais interessados/as devo referir os sintomas mais comuns, pelo menos os meus e de algumas pessoas com quem troquei bitaites, começam por um mal-estar ao nível do estômago. Pequenas náuseas que depressa podem degenerar no gregório.

Quase em simultâneo, os intestinos costumam assinalar o evento e é quase certo que a coisa acaba (ou começa) no WC.

Outro indicador óbvio é a coloração da urina, que denuncia a carambola dos cálculos na tubagem de uma pessoa, e isso lembra-me de vos avisar para o facto importante de, apesar de ser imperativo o consumo de água em doses industriais no resto do tempo, nem uma gota é recomendável quando estamos a meio de uma crise destas.

 

Nada de líquidos ingeridos durante a coisa 

 

Só há duas coisas a fazer quando percebemos que vêm aí dores literalmente capazes de nos fazerem rebolar pelo chão: tomar um analgésico qualquer para adiar o tormento (comigo resulta o Nolotil) e apontar rapidamente para um Hospital ou uma Clínica. Não vale a pena tentarem suportar a coisa, digo-vos por experiência própria, pois cedo ou tarde a dor acaba por vencer e quanto mais tarde a combaterem mais intensa ela se torna. Por outro lado, existe a possibilidade de se confrontarem com areias das muito grandes (a partir dos seis, sete milímetros, estamos perante calhaus apreciáveis) e que só podem sair por via cirúrgica (a de laser parece ser a única opção, dado o tamanho da incisão quando se recorre à faca propriamente dita – não negligenciem um seguro de saúde se quiserem salvaguardar o voto nessa matéria...) pelo que não é mesmo nada boa ideia a pessoa armar-se em herói e aguentar a cólica sem sair de casa.

 

E pronto, já têm aqui umas dicas que espero não vos sirvam para nada e ao longo do tempo em que escrevi esta posta a coisa até parece estar mais compostinha na minha micro-canalização interior, pelo que sou capaz de me ter safado com a conjugação do Nolotil e de um duche bem quente.

 

Um último conselho: tenham sempre que possível à mão alguém que vos possa acompanhar nestas coisas.

Conduzir no meio de uma cólica é um desafio nada recomendável e chamar uma ambulância por este motivo vai parecer-vos sempre excessivo, além de que cada minuto à espera do transporte transforma-se em, pelo menos, uma hora na nossa mente alucinada pela dor “pontiaguda” que este pincel acarreta.

publicado por shark às 23:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (30)
Sábado, 19.03.11

A POSTA QUE DÁ TRABALHO LUTAR A SÉRIO POR PORTUGAL

Por diversas vezes deixei bem claro o meu desencanto com movimentos desorganizados e sem objectivos concretos como o que dizem ter nascido de uma canção dos Deolinda.

Será fácil, num contexto de contestação a um líder em concreto mais do que ao desempenho do seu Governo (se tivermos em conta as declarações públicas de muitos políticos e não só), apontar o dedo a todas as vozes discordantes à mobilização popular e conotar cada uma dessas dissonâncias como manifestações implícitas de apoio a um Partido ou a um seu dirigente.

E essa reacção instintiva, sobretudo por parte dos que apenas se tentam empoleirar na onda para surfarem até algum tipo de poder ou de vitória moral que justifiquem a sua existência, constitui apenas mais um dos erros de palmatória de quem tenha conseguido levar o povo à rua para obter coisa nenhuma.

 

Este blogue, como outros nos quais debito prosa, tem registados vários apontamentos que deixam bem clara a minha posição acerca do que se passa e quais os aspectos que gostaria de ver corrigidos por via democrática. E aqui entra a perspectiva prática do que a minha opinião fora de moda traduz: a rua é, como a greve, por exemplo, um último recurso a utilizar para dar voz ao povo e exigir a mudança. Por isso as acções dos povos do mundo árabe estão a ser, na sua maioria, bem sucedidas, porque constituem uma medida de recurso de quem não consegue de todo chegar próximo do poder que pretende substituído.

 

Em Portugal, e ao contrário do que muitos oportunistas e demagogos entusiasmados preconizam, as formas de luta democráticas não estão esgotadas. Apenas não são utilizadas por preguiça e pela intervenção subversiva de revolucionários de pacotilha a quem, mais do que a defesa dos legitimos interesses da Nação, interessa agitar as massas para obter protagonismo na sequência de hipotéticas vitórias que toda a gente percebeu apenas produzirão nesta altura, e face às alternativas, mais do mesmo ou pior.

 

Esta última constatação parece ser o mote de desmobilização de muitos. Porém, o absurdo destas lutas inócuas contra bodes expiatórios conjunturais reside precisamente na ausência de propostas concretas para o passo seguinte de uma revolução necessária que se tornou agora emergente.

O encolher de ombros expresso na ausência de opções deveria dar lugar à consistência de movimentos locais capazes de alterarem o poder onde ele mais assenta, os partidos políticos, e forçarem a mudança onde ela pode e deve ser promovida: na Assembleia da República.

Nenhuma causa, nenhuma luta, pode ser ganha sem objectivos definidos e planos de acção realistas para o concretizar.

 

Mexam o cu, tomem o poder e façam acontecer a mudança para melhor que tanto exigem

 

Impotentes virtuais, os que descobriram no desespero de muitos a janela de oportunidade para a mobilização das massas teriam a obrigação ética e moral de construirem ou de angariarem de entre os seus melhores quem construísse um plano de batalha eficaz para a guerra que tentam começar sem nexo algum.

Impossível, dizem eles, dar a volta de outra forma.

Calões, chamo-lhes eu, quando sei que menos de um terço dos que estiveram na rua para cantar umas tretas bastariam para tomarem o poder por via democrática.

Como? - perguntarão os que se sentem orgulhosos da sua participação no momento que se queria histórico e que assim não suscitou mudança alguma.

Simples, seus tontos sem coragem para o compromisso: escolham um partido, qualquer partido, da vossa freguesia, do vosso concelho, inscrevam-se em massa como militantes, substituam os líderes actuais e façam melhor!

Uma trabalheira, bem o sei, que lá andei sozinho a pregar aos peixes e a ver o poder real decidido por escassas dezenas de compadres, familiares e amigos do gajo a promover nesse dia.

Mas permite uma revolução sem prejuízo para o país e pela via que a Revolução de Abril criou para o efeito e que mesmo os seus alegados maiores defensores jamais defendem porque lhes pode tocar a eles ficarem sem acesso ao que lhes sustenta as ambições e acaba por os transformar, à esquerda ou à direita, em acrescentos do mesmo sistema que nos flixa o futuro e destrói o país.

 

Se a geração à rasca se reclama tão bem formada e sem oportunidades, como é que de entre tantas cabecinhas manifestadoras não apareceu uma meia dúzia a quererem fazer as coisas como podem e devem ser feitas, quando a Liberdade o possibilita de forma tão inteligente e verdadeiramente democrática, para criá-las?

publicado por shark às 17:13 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 13.03.11

A POSTA QUE SEM FLORES É SEMPRE UMA GAITA

É talvez a frase que mais ouvi ao longo da vida: perdes a razão pela forma como a expões. Ou coisa que o valha.

Mas a ideia é aquela que a frase exprime, a malta desvaloriza a razão em prol do tom. Ou seja, e por muito que me custe aceitar essa premissa, mais vale parecê-lo...

 

Claro que se torna difícil achar (quase) todos errados, mesmo quando a nossa convicção é sólida e a argumentação a sustenta, se no final das trocas de impressões já se mergulhou nas discussões porque ninguém gosta de verdades incómodas ou dos dados adquiridos de alguma forma desmentidos pela lógica a que recorro sem excepções, pelo menos até me saltar a tampa.

E claro que não compro a ideia de que se pode perder uma razão pela forma como conseguimos apresentá-la. Ou é a razão e não há volta a dar ou não a temos e somos estupidamente teimosos e arrogantes, sendo esse o principal motivo para eu tentar sempre falar com justa causa, mesmo que a respectiva justeza possa passar por alguma falha no raciocínio que as poucas pessoas inteligentes que conheci sempre souberam expor-me com igual acutilância, precisamente com a inteligência que deveria sempre prevalecer sobre o orgulho ferido de quem não sabe perder e por isso desatina.

 

Eu sou assim, se acredito defendo até onde a lógica dos outros ou a verdade dos factos me desmintam. Admito que enquanto tal não se verifica insisto em procurar as incongruências no raciocínio dos outros, tal como me submeto a que denunciem as minhas, e sei o quanto isso irrita quem vê as suas ideias mal estruturadas com as perninhas no ar sem conseguirem assentar num terreno mais firme do que aquele que a minha forma de debater lhes oferece.

 

Contudo, não consigo abdicar deste meu estilo que ainda hoje acusaram de provocar urticária. Não faz muitos amigos nem alimenta grandes diálogos, mas sempre me permitiu filtrar as companhias.

publicado por shark às 21:10 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Segunda-feira, 21.02.11

OK, ÁS VEZES A PESSOA RECEIA O KO

Às vezes, nesta componente de pai que é um bico-de-obra, não consigo evitar um desconforto imenso quando tenho que negar algo de importante à minha marafilha simplesmente por não ter capacidade financeira para o efeito.

Claro que isto é um absurdo, à luz de qualquer lógica razoável, uma reacção fácil de desconstruir com base numa argumentação ao alcance de qualquer pessoa normal.

Porém, a sensação inicial permanece na memória e a frustração arredada para um canto, cada vez mais apertada dentro de um cofre qualquer da nossa carola que precisamos canalizar para outras cenas, por muito que fique escondida está lá e parece um conceito completamente amordaçado mas capaz de nos dizer tudo com o olhar. E uma pessoa lê, assim de passagem, a palavra falhado.

E uma pessoa fica a pensar.

 

A vida tem pontos altos e tem pontos baixos e o resto vai acontecendo pelo meio. Num mundo onde para além da capacidade de iniciativa precisamos de sorte nas conjunturas para não passarmos do oitenta ao oito numa pressa do caneco ter galo pode fazer toda a diferença. O galo pode passar pelos tombos na economia em geral ou especificamente no sector em que apostamos ou pode passar pela nossa manifesta inépcia para gerir a parte financeira de uma existência. Ou pode passar por ambos, e aí temos reunidas as condições ideais para o desastre.

Claro que a medida do valor que gosto de me atribuir não pode equivaler à minha disponibilidade pecuniária para atender a todas as expectativas da minha marafilha burguesa e a quem nunca algo de essencial ou mesmo de supérfluo dentro dos limites do bom senso faltou. Mal estaria se me medisse ou me medissem por tal bitola. Até porque já me provei uma máquina tão eficaz a gerar riqueza como a desbaratá-la. Up and down, in and out. Ondas sinusoidais do meu ciclo de vida económica que revelam em perfeita alternância o melhor e o pior do que o sistema tem para nos oferecer. Porreiro para mim, dirão.

Mas é uma porra quando sentimos o chão fugir-nos debaixo dos pés e no meio das múltiplas pressões surge em cena uma novidade que se converte de imediato num sinal flagrante da tal incapacidade de prover a tudo e mais alguma coisa, como faço ou tento fazer na parte de ser pai que não mexe com contas.

 

É difícil não apontar de imediato à cabeça a pistola da tal frustração escondida que sai da casca e nos ameaça por dentro e quase nos torna reféns desse medo terrível de fracassar. É algo capaz de quase nos paralisar enquanto pessoas com arte e com energia para cumprirem um dado papel, por quão distinto daquele que ambicionávamos. É uma angústia que queremos temporária, ou mesmo momentânea, para podermos seguir adiante e se necessário a pisar o prego a fundo no acelerador. Mas nem sempre é uma castração das que conseguimos sacudir para trás das costas a meio da correria, pode tornar-se numa espécie de ferrugem na vontade de ferro que reconhecemos na pessoa que somos nos dias melhores e estupidamente esquecemos quando a chuva cai forte e com o vento a favor.

Nas trombas, todos os dias, a verdade incómoda de a vida ser de facto como os interruptores e o que interessa mesmo é ter saúde e trabalho e amor e essas coisas importantes propriamente ditas que passam a secundárias no meio do turbilhão.

 

E depois a lucidez, tão serena, a impor a sua presença no meio do temporal e a abrir caminho nas nuvens para a pessoa espreitar o sol brilhante no meio de um convidativo céu azul. Uma senhora, altiva, conhecedora profunda dos meandros destes conflitos pessoais que assumem proporções de guerra civil quando lhes damos rédea solta.

Ela chega, quando menos se espera, e abre com gestos estudados uma coisa qualquer, uma caixa, com a graciosidade de uma gueixa que prepara um chá. E a pessoa bebe aquilo com sofreguidão, sem maneiras, e enche o peito de coragem para desafiar o dia pior que é sempre o dia a seguir quando a crise aperta e as decisões se tomam como as dos guarda-redes, à queima, meto a mão ou meto o pé, lanço-me para a esquerda ou para a direita, um passo adiante ou dois atrás.

 

Mas mesmo no meio da refrega, com o adversário contido à distância possível para apanharmos o mínimo de pancada enquanto não soa algum gongo que permite a um gajo sentar-se num canto a descansar, o medo pode reaparecer sob a forma do tal fantasma do sonho talvez capricho que ficará por cumprir, a pessoa demora a reagir porque já custa abdicar dos seus quanto mais os de quem nos compete criar e a pessoa leva nas trombas outra vez.

 

E não tem como não se levantar do tapete antes de contarem até dez.

publicado por shark às 23:54 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Terça-feira, 15.02.11

A POSTA LIGEIRAMENTE DEPRIMENTE

Gostava de não morrer sozinho.

E que nesse momento derradeiro as minhas famous last words pudessem resumir-se a uma:

Amo-te.

publicado por shark às 21:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Sexta-feira, 11.02.11

MONÓLOGO DA BARBATANA

É perturbadora a forma como nos abala um conflito interior entre aquilo que queremos e aquilo que devemos fazer, sempre que estão em causa as coisas (e as pessoas, acima de tudo as pessoas) que mais mexem connosco.

Pouca volta há a dar a um assunto no qual o conflito de interesses é disputado em clima de guerra civil pessoal, precisamente porque se trata de um dilema que nos enfraquece a própria capacidade de decisão, com a cabeça e o coração a digladiarem-se em torno de razões e de emoções que partilham naquilo que é a gestão corrente das pessoas que nos ambicionamos.

Pouco mais nos resta, em tais circunstâncias, do que encontrar um peso relativo para as opções em disputa e respectivas consequências, nomeadamente quando envolvem ou possam afectar terceiros, sobretudo quando esses terceiros são das poucas pessoas a quem reconhecemos um papel decisivo nas nossas vidas e nos impomos a salvaguarda dos seus interesses, ainda que em detrimento dos nossos.

 

O meu perfil não ajuda nessas questões. Antes agrava, sobrevalorizando-o, qualquer problema que envolva os contornos que refiro acima.

A gaita é que quando damos rédea solta às emoções e enchemos o peito de vontade de lutar por elas, contra o mundo inteiro se necessário, essa liberdade (libertinagem?) emocional confere uma força desmesurada aos argumentos em abono do impulso, do instinto que nos trai quando nos vemos obrigados a ter em conta a realidade dos factos na sua componente racional, por exemplo no que concerne à coerência perante princípios.

E é aí que colidem aquilo que sentimos certo e o que percebemos necessário ser feito, ainda que em sentido oposto ao que o coração nos diz, muitas vezes defendendo duas causas em paralelo e aumentando assim a confusão, os gatos enfiados no saco da nossa capacidade decisória.

 

Claro que uma pessoa equilibrada aprende a viver com essas coisas inerentes à nossa condição de criaturas imperfeitas que precisam interagir para que a vida aconteça como deve ser, muitas vezes não como a queremos. Para uma dessas pessoas, este tipo de desabafo só pode soar como uma calimerice, um choradinho de quem é fraco e precisa angariar palmadinhas nas costas quando enfrenta algum tipo de aflição.

Puro engano, embora isto seja fácil de dizer para mim nesta pele de juiz em causa própria que tem plena consciência da irrelevância desse tipo de opinião ou de embirração ou seja o que for que marca o território das nossas diferenças e das divergências que elas acarretam.

 

Esta é uma forma como outra qualquer de pensarmos com os nossos botões, de expurgarmos as emoções excessivas que possam toldar o bom senso imprescindível para vermos com clareza todos os vértices de cada questão com que nos confrontamos, mais urgente ainda quando estão em causa decisões que não podem ser confiadas à leviandade do primeiro impulso, esse ganda maluko que, por muito que nos torne pessoas giras de observar nas suas existências conturbadas mas intensas, acaba por estar na origem das maiores imbecilidades de que nos admitimos responsáveis e pode até constituir um factor determinante ao longo de toda uma vida, quando por exemplo o arrependimento pode degenerar em remorso ou coisa parecida.

 

E naquela cena do sentido da vida ficamos conversados assim.

publicado por shark às 12:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Terça-feira, 01.02.11

A POSTA ACREDITADA

Há uma data de coisas em que eu gostava de acreditar, a sério.

Gostava de acreditar em Deus, logo à partida, porque a partir dessa crença ia abrir-se um vasto conjunto de outras coisas em que eu iria poder acreditar, como os milagres (o Euromilhões, esse milagre tão divinal…) e quase todas as hipotéticas realidades no domínio do sobrenatural.

Também gostava de acreditar em extraterrestres, não propriamente bactérias venusianas mas criaturas em condições, inteligentes e de preferência sem dedo leve no gatilho dos seus pistolões de raios xpto que transformam de repente uma pessoa em pó das estrelas e depois só daí a uns milhões de anos é que voltamos a reencarnar.

Nisso eu também gostava de acreditar, desde que me garantissem que não reencarnava num cacto ou num daqueles escaravelhos que passam a vida a fazer bolinhas de trampa e a rolá-las para todo o lado apenas porque a natureza assim o ditou e isso é quase o mesmo que dizer porque sim.

 

Acreditar na robustez do sistema democrático para enfrentar tantas e tão poderosas ameaças que o tempo e a fraqueza humana conceberam também me dava jeito. O medo de que a História se repita é fácil de acreditar e uma pessoa nem consegue imaginar o resultado de um colapso da democracia à mercê de tanta convulsão potencial mais as que já sentimos na pele depois de desencantados com a ausência de líderes fortes e carismáticos, se possível um nadinha consensuais.

Também gostava de acreditar nos outros, quase tanto como gostaria que acreditassem em mim. A capacidade de ultrapassar a desconfiança deveria ser um equipamento de série nosso neste tempo em que as pequenas traições se multiplicam a um ponto em que as pessoas já não enfiam facas nas costas umas das outras mas apenas canivetes, imensos, dos pequenos. E eu também não gostava de reencarnar num porco-espinho, tenho que admitir.

 

Contudo, no meio desta minha luta interior pela busca de explicações tão simples como a do sentido da vida, esta mistela entre o raciocínio precariamente optimista e a experiência de vida em muitos aspectos surrealista não produz um resultado coerente com a vontade intrínseca da descoberta de qualquer tipo de fé. Pode até confundir a pessoa ao longo do caminho, ao ponto de acreditarmos em coisas que muitos afirmam impossíveis.

 

Eu até calhou acreditar no amor e sempre que afirmo isso perante alguém obtenho em troca duas gargalhadas, a de quem me ouve e a do meu demónio interno de plantão.

É certo que são gargalhadas tímidas, amarelas, nervosas.

Mas o que conta é a intenção.

publicado por shark às 12:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Sexta-feira, 21.01.11

DA MINHA ALMA CONTUSA

A minha alma padece de diversos problemas. Dito assim, dá ideia que tenho uma alma doente mas esse é um diagnóstico que não posso confirmar. E isso acontece porque um dos maiores problemas da minha alma reside precisamente no facto de nela eu não acreditar.

 

Bom, claro que no final do parágrafo acima desponta uma contradição óbvia. É típico dos agnósticos, julgo eu, este fenómeno da balança que pode pender para qualquer um dos pratos quando se fala nestes assuntos um nadinha mais transcendentes. Sim, o vudu e os raptos por extraterrestres também entram nesse escorregadio domínio das coisas que podem existir ou não e uma pessoa tem que ir vivendo como pode com estes dilemas.

 

Mas falava-vos eu da minha alma e de como a existir seria uma alma em pior estado do que o corpo que pouco tenho feito para estimar. Seria uma alma intermitente, mais do que uma alma doente, algo desequilibrada e de alguma forma desorientada com as repercussões da ocupação deste mero invólucro que, com base nestas premissas, eu seria.

Esta casca é uma má companhia para as almas que se querem sem os problemas que a minha certamente teria, em existindo para lá da minha capacidade de a racionalizar, como se isso fosse possível, para no mínimo poder falar-vos dela aqui com uma linha de orientação para o raciocínio que, se a minha alma existisse, seria o seu também.

 

Mas a minha alma, como acima vos referi, seria uma alma com problemas, coitada. Completamente desorientada, à toa em busca de um rumo consistente, confusa. Completamente desequilibrada, sempre a tropeçar e a cair nos buracos que um corpo como o meu parece atrair.

Contusa.

publicado por shark às 11:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Quinta-feira, 06.01.11

A POSTA LIBERTADORA

Um dos exemplos mais flagrantes da falta de esperteza que assumi mais abaixo, e perdoem-me mais esta incursão pelo delírio umbiguista, é a forma como sou incapaz de ignorar as desconsiderações por parte de quem de alguma forma sinto ou senti como próximo/a. E o maior indicador da ausência de esperteza é o facto de existir um ponto em comum entre as pessoas a quem atribuo essa negligência que sinto hostil: o de não merecerem, de todo e por diversas razões que não devem ser confundidas com algum tipo de culpa, tamanha relevância na minha estrutura emocional.

Mas o indicador ainda mais óbvio é o de constatar que eu próprio incorro em manifestações da mesma desconsideração para com pessoas que não merecem, de todo e por diversas razões que não devem ser confundidas com algum tipo de obrigação da minha parte, tamanha exibição de um afastamento que eu sei, porque o penso e porque o sinto, ser meramente artificial.

 

Talvez neste estranho paradoxo, e com imensa boa vontade aplicada a um raciocínio relativamente simples e perfeitamente defensável, se consiga encontrar apenas mais uma evidência do equilíbrio que a vida parece exímia em impor a tudo o que a faz.

publicado por shark às 22:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 05.01.11

A POSTA QUE ESTA POSTA SE VALIDA POR SI

A inteligência, esse alegado atributo, sempre foi um factor sobrevalorizado sobretudo quando aplicado a cidadãos comuns. Se em teoria o reconhecimento da inteligência de alguém constitui um factor de orgulho, na prática o mundo é dos espertos e aos inteligentes, a maioria deles/as, resta pouco mais do que o consolo da vaidade pois o esquema das coisas acaba por privilegiar a maior aptidão para puxar a brasa à própria sardinha ou à das pessoas que interessam (na óptica pragmática da questão).

 

Temos em Portugal dois Prémios Nobel e de um deles a maioria nem sabe o nome, sendo precisamente aquele que se distinguiu mais pela inteligência o que menos brilhou à beira do outro, a quem o talento catapultou para o reconhecimento a nível mundial.

Qualquer desses dois inteligentes jamais auferiu fama ou proveito comparáveis com a de outra dupla de portugueses, Figo e Cristiano Ronaldo, habilidosos na prática de um desporto mas que na prática nunca ganharam seja o que for pelo seu país.

E podia construir uma posta interminável se insistisse neste tipo de comparações que provam o quanto a inteligência de pouco vale a quem não tiver a esperteza para a aplicar ou um jeito especial para as coisas que o povo, qualquer povo, verdadeiramente aprecia.

 

A verdade dos factos diz-nos que a inteligência pouco mais angaria do que inveja por parte de quem percebe não a possuir. Poucos domínios da actividade humana reconhecem a inteligência como valiosa e mesmo na realidade dessas áreas são os inteligentes mais hábeis ou espertos a lograrem o maior reconhecimento e as melhores contrapartidas.

De resto, e personalizando a questão (que é para isso que um blogue também serve), sou um homem com 45 anos de idade a quem ao longo da vida chamaram muitas vezes inteligente, que bom que bom, mas enquanto ao meu QI com três algarismos corresponde uma licenciatura por acabar, uma situação profissional e financeira paupérrima e uma manifesta inépcia em lidar com os outros (os que fazem acontecer) que se traduz num fracasso global que a merda da inteligência só serve para definir com contornos ainda mais nítidos e, por inerência, mais cruéis, pessoas muito próximas a quem ninguém valorizou pela inteligência foram espertas o suficiente para agarrarem as oportunidades (ou criarem-nas) para manterem um nível de vida bem mais elevado e confortável do que o meu. Conseguem até sucessos que no meu percurso nunca pude contabilizar.

É a verdade dos factos e confirma tudo o que tenho estado a dizer.

 

Aliás, quase sete anos investidos neste e noutros blogues, talento que ninguém pode negar e inteligência que me esforço por aplicar, resultaram apenas em perda financeira (o mesmo tempo e energia investidos em algo de compensador teria sido mais esperto) e rigorosamente nada de bom em concreto trouxeram à minha vida e à de quem me compete sustentar.

A inteligência, essa pérola, acaba por ter a mesma utilidade de um rolo de papel higiénico ou ainda menor pois recolhe-se um dividendo prático e imediato da utilização do papel mas no caso da inteligência (e da sua eterna aliada lucidez) a merda não só não se limpa como acaba por se acrescentar, como acontece quase sempre a quem pensa demais e não tem a esperteza necessária sequer para saber direccionar de forma compensadora e minimamente lucrativa o esforço intelectual.

É que as ostras uma pessoa ainda pode comê-las, mas as pérolas têm o valor nutritivo que se sabe…

 

Na realidade do mundo a inteligência, salvo raras excepções, é uma vantagem competitiva tão nula quanto a de uma medalha atribuída a um soldado. Pode-se exibi-la com orgulho, mas sem uma boa dose de esperteza nunca implicará algum tipo de promoção.

publicado por shark às 13:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Terça-feira, 04.01.11

A POSTA QUE VEM AÍ BORRASCA

Há dias bons e há dias maus.

E agora que acabo de revelar a pólvora sem fumo, num verdadeiro prodígio de elasticidade mental, passo a explanar a ideia como eu a vejo.

 

Na escrita sou bipolar. Exactamente isso. E não é uma questão de tomar ou não os comprimidos, faz parte do meu percurso esse ziguezaguear entre a exaltação do amor, das flores e de todas as coisas boas e bonitas da vida ou, em dias dos outros, chafurdar até onde os meus travões mentais permitem nesta exibição pública dos meus humores.

Ao contrário do que sempre esperei, a passagem dos anos confere de facto alguma maturidade, alguma ponderação à pessoa mas pode até produzir o efeito contrário no escriba.

É o meu caso, cada vez mais em apuros para decidir o que publicar aqui ou não (sendo essa, de resto, a única e exclusiva motivação para as tentativas pontuais e falhadas de escrever noutros espaços e com outros nicks algumas coisas que sinto excessivas para este que é a menina dos meus olhos em matéria blogueira).

 

Bom, mas e que têm vocês a ver com tudo isto? Nada. O vosso papel é observarem e gostarem ou não. Se sim, voltam. Se não, o contador e as caixas de comentários nunca me esconderam nada. Contudo, eu não consigo deixar de vos entender como o pão para a minha boca blogueira e por isso me desdobro em tentativas mais ou menos bem sucedidas de explicar (justificar?) alguns insólitos que não raras vezes afastam pessoas do espaço que acarinho há mais de seis anos à custa de mais de mim do que possam julgar.

E é aqui que entra a preocupação que me leva a esboçar um paninho quente para o que possa vir aí de menos prazenteiro, na sequência da tal dificuldade que vos expliquei acima. É uma espécie de bolinha vermelha ao canto, não porque ande particularmente inspirado para temas eróticos mas porque pouca gente "ousa" lincar o meu blogue e ainda menos comentá-lo e cada vez menos visitá-lo sequer e isso diz-me que manter a mesma passada equivale a fazer a cama na qual este blogue se deitará, seguindo o exemplo de tantos outros.

 

De concreto digo-vos o quê? Que vou querer ser mais livre de dizer o que me vai na alma e isso tem um preço, tanto para mim que me exponho como para vocês que me avaliam e desenham imagens e expectativas que podem sentir defraudadas se a coisa mudar muito.

E eu sinto que vai mudar demais...

 

Nem sei no que isto vai resultar em concreto, mas releio as postas em rascunho e temo o pior quando passar a escrever directamente no editor, sem a rede da pré-leitura em versão Open Office antes de fazer o copy/paste para aqui.

 

É isso que queria dizer.

(Eu sei, tanta merda para dizer nestum... Mas faz parte de tudo aquilo que vos disse acima, trust me.)

publicado por shark às 15:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Domingo, 02.01.11

EM CONTRA-CICLO

Esqueci-me completamente dos votos de ano novo, a sério. Aliás, nem uma análise do ano que findou me deu para fazer, negligente me confesso ao ponto de quase me ter passado ao lado a euforia obrigatória (se não quisermos passar por uns grunhos) dessa transição mágica do calendário que constitui pretexto para uma espécie de alucinação colectiva que sinceramente não tenho forma lógica de explicar.

 

Existem tradições absolutamente intocáveis na passagem de ano, mais até do que a tal alegria imposta e que devemos forçar-nos por exibir. Entre elas destaco o balanço do ano passado e os votos e/ou as previsões para o ano futuro. Ou seja, é suposto conseguirmos passar uma esponja por toda a merda que fizemos ou nos aconteceu enquanto, em simultâneo, delineamos uma espécie de plano de actividades para o período de 365 dias que nos cumpre enfrentar a seguir.

É isso que parece competir a quem é do tempo em que a festa se fazia nas janelas com as tampas dos tachos para manter acordado o vizinho bêbedo do lado e, ouvi dizer, para afugentar os espíritos maus que nos infernizam a existência ao longo de um ano normal.

 

A malta desdobra-se em esforços para garantir um local e companhia para esse maravilhoso dia de catarse em combinação com a invocação dos melhores auspícios mais a reunião das promessas por fazer mais as que ficaram por cumprir nos últimos anos, sempre com uma expressão de felicidade (ainda que induzida por excessos líquidos que a época parece tolerar) que deixe bem clara a alegria interior que a sociedade decretou. Um pouco como o espírito do Natal mas seguramente mais imbecil.

 

Não me interpretem mal, eu gosto de me sentir feliz, tal como aprecio imenso ficar com a noção de que qualquer espaço de tempo foi bem gasto por mim. Da mesma forma podem contar com a minha imensa vontade de fazer (este ano é que é) tudo aquilo de que me acreditam capaz ao ponto de eu próprio me iludir nessa intenção.

 

Mas cada vez mais me é complicado produzir esse resultado em resposta a uma convenção.

publicado por shark às 16:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Domingo, 26.12.10

A POSTA NO CASULO

Aos poucos vão-se diluindo os instintos do animal social em mim. Vou deixando cair a vontade de me integrar num qualquer grupo, num qualquer lugar em que redescubra a sensação de pertença. Vou fugindo, aos poucos, do convívio com outros ou apenas à simples manutenção do contacto mínimo para justificar qualquer tipo de ligação.

E sei que tenho a razão do meu lado quando me permito esse luxo de deixar cair na mesma proporção em que me soltaram algures e entenderam não fazer falta tudo aquilo que tenho para dar, apenas, se calhar, por causa do que menos agradável me faz.

Não critico nem esmoreço perante a evidência pois faz parte do crescimento aprender a lidar com a hipocrisia instintiva que prevalece nos contactos de ocasião.

 

Mas lamento de forma sincera o quanto isso me confirma a ausência de verdade nas palavras levianas a que, estupidamente, sempre prestei tanta atenção.

publicado por shark às 16:18 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sábado, 25.12.10

A POSTA NATALÍCIA

Sou agnóstico, uma opção que já me valeu ser baptizado de cobarde intelectual por um padre.

Realmente ele no fundo tem razão, se tivermos em conta que se trata da posição intelectualmente mais confortável. Difícil é encaixar a fé numa qualquer lógica racional e há quem o consiga, da mesma forma que existem os que aparentemente conseguem destruir na sua mente todos os pressupostos, todas as dúvidas e incertezas que lhes possam abalar uma convicção de tal forma firme que lhes permite assumirem-se ateus.

 

Os agnósticos ficam a meio do caminho neste diferendo. Nem sim nem sopas. Assistimos na bancada aos intensos debates que caracterizam os pólos opostos da questão, ambos cheios de argumentos para fundamentarem a sua razão, e aguardamos um sinal divino que nos ilumine ou pela confirmação científica inquestionável da inexistência de algo mais do que aquilo que somos e do que somos capazes de conseguir ao longo do tempo que Deus ou o acaso nos derem.

Claro que se num dia normal não é coisa que nos faça perder o sono, quando chega o Natal a coisa adensa em termos de desconforto neste sofá do cepticismo moderado que nos obriga a escolher uma posição se quisermos salvaguardar alguma coerência.

 

Se uma pessoa não acredita em Deus pode soar tolice festejar o Natal, uma efeméride religiosa por quanto a coca-cola se esforce por conferir uma existência de facto ao seu ícone ancião.

Porém, é fácil a um agnóstico assumir a existência de um tipo absolutamente notável chamado Jesus e que impressionou de tal forma a malta do seu tempo que ainda celebramos o seu aniversário mais de dois mil anos depois do nascimento acontecer.

Isto resolve o problema da celebração, havendo um bom pretexto não há porque recusá-la.

Claro que isto elimina da equação a missa do Galo e outros rituais que a tradição inclui, mas uma pessoa consegue ser feliz só com base no bacalhau, na troca de prendas, no presépio e na árvore de Natal.

 

E no fundo é esta capacidade de sermos felizes com aquilo que temos que distingue a forma como vivemos cada momento e sobretudo os momentos que preferimos especiais. Ou seja, é possível a um agnóstico viver com tanta ou mais intensidade a magia do Natal, a religiosa como a pagã, como qualquer pessoa que celebre cheia de fé o seu profeta ou, pelo contrário, abrace a coisa com a distância de quem não acredita em nada que não possa ver ou, de preferência, apalpar.

 

Eu vivo a magia do Natal no sorriso da marafilha e no brilho do seu olhar.

E por ela, pela gravação das suas memórias do que esta época do ano representa, como por mim, que não dispenso qualquer das vertentes do meu papel enquanto pai e absorvo com sofreguidão toda a felicidade que lhe consigo proporcionar, não concebo nem admito qualquer hipótese que a possa privar das emoções que o Natal parece concebido para enfatizar.

 

E nesse contexto, como noutros que vão sendo criados para nos lembrarmos das coisas verdadeiramente importantes da vida, mantenho uma fé muito minha e que não depende de ícones pagãos ou de rituais de cariz religioso para se sustentar.

Depende apenas do amor a pessoas (ou a causas, porque não?) e da energia e da magia que Ele (o Amor) é capaz de inspirar em qualquer um de nós.

E basta, posso garantir, para alguém ser capaz de sentir o espírito do Natal e de aprender a vivê-lo como mais um lembrete de como a felicidade é possível e mais do que nela acreditar é fundamental querer abraçá-la.

 

Eu sou agnóstico quase ateu. Mas apenas na parte em que isso me fornece o pretexto para querer, ou pelo menos alimentar essa fé, a todo o instante apalpá-la...

publicado por shark às 23:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Quinta-feira, 23.12.10

A POSTA NO EMPATE EM QUE SAÍ A GANHAR

Num dia tenho a agradável constatação de que alguém é uma pessoa excelente e que me conhece como (quase) ninguém.

E no dia seguinte tenho a confirmação do oposto relativamente a uma outra pessoa que o azar me meteu ao caminho.

 

A vida é mesmo uma coisa gira de apreciar.

publicado por shark às 16:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 14.12.10

A POSTA QUE ESTOU MANSO COMO UM CORDEIRO

Há períodos da nossa vida que parecem concebidos para funcionarem como castigos pelos pecados, se nos deixarmos embalar pelos efeitos de uma educação católica que foi imposta na infância à maioria das pessoas da minha geração.

Mesmo os agnósticos, quando confrontados com os maiores ou menores pesadelos que uma existência nos pode dar a provar, acabam por no meio do desespero de causa apontar para essa relação crime-castigo quando não existe uma forma racional (ou a capacidade de a pensar) para justificar esses momentos menos bons.

 

É absurdo, tal raciocínio, quando duvidamos da existência de um Deus como o pintam as religiões predominantes. Porém, existe um ponto de quebra, uma fraqueza inevitável que sobrevém a esses períodos negros em que tudo parece conjugar-se para nos vergar sob o peso de uma relação sorte/azar desequilibrada em favor deste último. Sem um alvo concreto para qualquer tipo de revolta e sem explicação cabal para essa sucessão de problemas não há heróis e todos acabamos, cedo ou tarde, por embicar para a tal escapatória da mão à palmatória divina, para o sentimento de culpa perante as aflições que parecemos atrair quando se multiplicam e parecem mesmo feitas à medida para funcionarem como uma retaliação do destino (ou de Deus) pelas coisas menos boas que podemos atribuir à nossa intervenção.

 

Soa fraco, eu sei, e quem não tenha enfrentado uma conjuntura astral aziaga não poderá entender este recurso da vítima de circunstância que é assumir-se o réu quando a punição se sente exagerada ou a resistência fica exaurida perante o grau excessivo de sofrimento físico e/ou mental.

 

Na ressaca das quarenta e oito horas mais dolorosas em termos físicos e mais demolidoras em termos mentais que conheci ao longo da minha existência, e ainda me esperam mais uns dias marcados pelas réplicas deste abalo, descobri que é possível chegar a um ponto em que a mente faz tábua rasa da lucidez e os pensamentos correm à solta na cabeça onde se instala uma espécie de anarquia. A lógica presente é a da batata, admito, e a maioria do que se produz é pura alucinação.

Mas quando a dor atenua e o pó levantado pelo alvoroçar da mente dorida assenta começamos a purgar o sistema de tudo quanto percebemos fruto do natural desnorte destas situações e ficamos surpreendidos com a clareza e a pertinência das conclusões que se podem extrair na ressaca de períodos assim.

 

Não sou um homem novo nem descobri a luz por estar a ser submetido a um conjunto de péssimas provações.

Mas sinto, como qualquer pessoa nessa condição, o impulso irresistível de retirar das mesmas algo de bom.

 

Espero que também nesta dimensão de mim essa verdade venha a confirmar-se e mesmo quem possa achar que mereço o castigo nos moldes em que o defini mais acima me conceda o benefício de tal dúvida, a de que estas lições de humildade à bruta podem corrigir alguns excessos ou defeitos que mesmo não justificando de forma racional a existência de punições terrenas acabam por entrar na equação nem que seja por associação de ideias.

publicado por shark às 23:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Sábado, 23.10.10

A PROPÓSITO DA POSTA ABAIXO...

Pronto, não acertei...

Mas o Zandinga também não acertou sempre e não foi por isso que deixou de ter uma excelente carreira no ramo da adivinhação...

publicado por shark às 17:42 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quarta-feira, 13.10.10

UM JUMENTO COM BARBATANA

Isto das relações humanas baralha-me de tal forma que fico com a impressão de que quando for possível medir o QIE (Quociente de Inteligência Emocional) vou fazer figura de burro...

publicado por shark às 10:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Segunda-feira, 27.09.10

A POSTA SECURITAS

As pessoas, os outros, não cessam de me surpreender.

E raramente pela positiva.

Fazendo parte dos outros para as pessoas que me contactam, tenho a perfeita consciência de que também eu cumpro esse papel, o de oferecer surpresas menos agradáveis para quem aposta numa determinada opção da minha parte e acaba a ver-me seguir o caminho diametralmente oposto.

Se calhar é mesmo assim, sermos imprevisíveis faz parte do fascínio que representamos e se calhar outra vez sem isso não teríamos qualquer interesse ou piada.

Contudo, este cariz aleatório das nossas posições, das nossas escolhas, de quase tudo quanto nos é confiado no âmbito do livre arbítrio, acaba por tornar num pesadelo a maioria das (fracas) ligações que vamos criando uns com os outros.

 

O fascínio que acima referi é uma delícia quando podemos observar a prudente distância os cromos que viram casacas ou mudam de atitude ou mesmo de personalidade a qualquer momento e com isso alteram substancialmente os seus rumos e as imagens que vamos esboçando e que raramente correspondem à personagem.

Mas quando essas alterações súbitas se produzem demasiado perto de nós, quando estamos próximos de quem altera o nosso caminho por tabela quando lhe dá a travadinha e decide mudar o seu, a coisa perde muita da piada e o chão parece fugir-nos sob os pés de forma tão brusca e radical quanto mais nos sentimos ligados a essas pessoas.

É algo que tanto pode acontecer no contexto de uma relação amorosa como no de uma amizade aparentemente sólida e em ambos os casos provoca uma desorientação cujas sequelas acabam por surtir o mesmo efeito de uma qualquer traição.

E esse efeito é o receio instintivo de fomentar ligações, o medo do desconhecido, amplificado pelas feridas abertas na nossa percepção do outro e pela constatação de que afinal não conhecemos assim tão bem os outros e acabamos sempre por ver esses tiros no escuro transformarem-se em tiros nos pés de barro em que assentam as mais firmes convicções nesse domínio movediço que são as relações humanas.

 

Sobretudo na última meia dúzia de anos tenho sido confrontado com as mais incríveis piruetas por parte de quem vou aceitando no círculo restrito dos meus vínculos emocionais. Isso provoca em mim nada menos do que uma reacção proporcional, uma mudança brusca na minha forma de ser, de sentir, de querer os tais outros que dizem essenciais para uma vida preenchida e uma mente equilibrada mas acabam, e falo apenas de mim, por se revelar precisamente o oposto.

Aos poucos, na sucessão de ressacas, vou mesmo perdendo a vontade de abrir caminhos, de explorar o potencial das pessoas que por este ou aquele motivo, por esta ou aquela simples coincidência, entram na minha vida nos espaços deixados vazios por quem saiu.

As contas são fáceis e as entradas compensam cada vez menos as deserções, tanto pelo prisma quantitativo como qualitativo. E aí desenha-se o meu contributo, o tal receio que transforma cada nova relação num campo minado de surpresas potenciais que já não me sinto capaz de aguentar.

 

Sempre que tento contrariar esta tendência que a lógica me diz negativa mas os factos desmentem nesse pressuposto dou-me mal. E os outros também.

É quase um dado adquirido, qualquer que seja o tipo de relação, qualquer que seja o vínculo criado apenas para explodir algures debaixo dos pés de onde me foge o chão quando isso acontece.

É flixado, corrói a confiança, destrói a esperança, amputa a base de sustentação dessa vontade cada vez mais enfraquecida de tentar outra vez.

Até um simples café com alguém surge no horizonte não como o sol de um novo dia mas como o prenúncio de mais um desgosto, de apenas mais um temporal para fustigar o que resta da fé nos outros e em mim mesmo, enquanto viáveis, eu e os outros, do ponto de vista de algo mais do que uma ligação tanto quanto possível distante ou, neste espaço chamado blogosfera ou similares, puramente virtual.

 

O problema está tanto nos outros, essas caixinhas de surpresas que podem ser de pandora quando apostamos alto demais, como em cada um de nós que o somos (os outros) também. Ou nem se trata de um problema mas apenas de uma consequência real, tangível, da evolução da espécie para uma multidão de casulos individuais a abarrotar de instrumentos de comunicação que traduzem não essa necessidade instintiva mas apenas a necessidade de a fazer acontecer sem contacto directo e pessoal, à defesa como a distância parece, se não cedermos à tentação do toque, do olhar, do calor humano, garantir.

 

Todavia, seja o que for é fonte de desgostos, de desilusões, de inevitáveis trambolhões dos pedestais de papelão onde assentam as nossas expectativas relativamente ao que devemos esperar das relações que estabelecemos para lá do foro inevitável, de vizinhança ou profissional ou qualquer outro dos viveiros das tais coincidências que nos levam a descurar a prudência e a ignorar o saber de experiência feito e a (re)abrirmos de forma ingénua a outros as portas da nossa casa ou do nosso coração apenas para mais tarde instalarmos mais um conjunto de cadeados e de sistemas de protecção imaginários da nossa sensibilidade que nos tornam aos poucos em paranóicos emocionais.

 

E eu confesso que cada vez tenho maior dificuldade em encontrar as chaves ou em fixar os códigos de abertura dos meus.

publicado por shark às 23:11 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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