Terça-feira, 27.09.16

Quanto mais me debates menos gosto de ti

Embora tivesse falhado na intenção de assistir em directo ao primeiro debate das presidenciais americanas, claudicando ainda antes do seu início tardio, reuni a coragem para o ver na íntegra em diferido.

Confirmou-se a minha aposta de que seria a versão western de um hipotético Maria de Belém vs Alberto João Jardim.

 

Nunca fui adepto da política espectáculo, do circo no qual as propostas políticas constituem apenas um detalhe no meio da palhaçada. Igualmente dispenso a euforia palerminha dos balões e bandeirolas que mobiliza militantes, empresas da mais diversa ordem e toda uma estrutura partidária na construção de uma imagem. De uma imagem e não de uma ideia. No fundo, sinais de investimento em meios e em energia para uma operação de maquilhagem à medida dos interesses mediáticos porque, subentende-se, é mais importante divulgar o aparato de uma campanha do que alguma proposta digna de alterar a intenção de voto de seja quem for.

Os debates, como as entrevistas aos candidatos, constituem a minha principal fonte de informação acerca, lá está, das pessoas envolvidas, pois raramente consigo apanhar algo de concreto, de substancial, por entre as acusações e insultos cordiais em que quase sempre degeneram os frente-a-frente ou nas entrelinhas de entrevistas antecipadamente preparadas no sentido de trilharem o caminho do politicamente favorável que o politicamente correcto sempre sugere.

Concentro-me por isso, nem que seja para poder aplicar um critério, nas pessoas. Na forma como reagem a quente às várias pressões e no conteúdo com o qual, pelo menos, definem as suas prioridades em teoria. A prática costuma desmenti-las.

O debate Clinton/Trump permitiu-me distinguir um vencedor, que se tratou de uma vencedora, não pela capacidade de argumentação – melhor a dela, menos dada a devaneios – mas pelo facto de Hillary ter podido ser mais Hillary do que Trump se permitiu ser Trump. Ou seja, ela passou o tempo concentrada no judo intelectual e ele, pobre coitado, aguentou-se como se estivesse o tempo todo aflitinho para ir ao WC enquanto a oponente lhe levava os argumentos e a pose ensaiada ao chão. Isso mais umas passagens recíprocas de raspão pelos pés de barro do par de figurões foi o que consegui aproveitar do show. Nada de novo.

 

O que vejo no meio disto tudo é a confirmação de que a ausência de propostas concretas em benefício dos soundbites apelativos é um fenómeno generalizado e reflecte uma degradação do confronto político que, numa época conturbada, deixa a maioria dos eleitores sem respostas.

Embora a maioria já se mostre sem vontade de perguntar.

publicado por shark às 13:47 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 09.03.14

A posta pontapeada

O António do talho é um puto porreiro e toda a gente o reconhece nessa condição.

Contudo, um destes dias passou-se com um vendedor de inutilidades e tentou dar-lhe um murro à terceira vez em que o abusador insistiu em entrar no estabelecimento.

A clientela, porquanto surpreendida com a agressividade inédita daquele paz de alma, de imediato o obsequiou com palmadinhas nas costas e tratou de apresentar à restante vizinhança as múltiplas atenuantes capazes de justificar aquele desvario de um moço que até é bom rapazinho.

Compreendo a reacção da malta e congratulo-me por o António não ter perdido o emprego. Porém, esta bonomia deriva não de uma qualquer tolerância para com o gesto irreflectido do jovem mas do facto de estar em causa um cidadão comum a quem o patrão pregou uma desanda e deixou claro que não se repetiria tal situação sem as devidas consequências (que do episódio em causa não resultariam nenhumas).

Em momento algum sancionei a (tentativa de) agressão mas tive em conta quem a protagonizou e o que de facto estava ali em causa.

 

O mesmo comportamento do António tem, aos meus olhos, outra interpretação quando assumido por cidadãos com outro tipo de responsabilidades inerentes ao exercício de determinadas funções.

Ou seja, continua a ser reprovável, mesmo inaceitável, tendo em conta o pretexto, mas acresce a questão de pormenor que não é, de todo, despicienda: alguns cargos implicam não se poder usufruir do mesmo nível de tolerância ao descontrolo momentâneo. Exemplos? Agentes da autoridade, líderes de opinião ou pessoas ligadas à actividade política (pela proximidade aos órgãos do poder).

Em qualquer dos exemplos supra, o diabo está no pormenor de ser exigível a pessoas com responsabilidades acrescidas pela influência do seu desempenho uma conduta irrepreensível em matéria de contenção verbal ou qualquer outra.

 

É para mim incompreensível que um assessor político, um tal de Zeca, possa tratar um fotógrafo à biqueirada e a clientela, neste caso a Comunicação Social, o trate como se fosse o António do talho.

E é para mim intolerável que o patrão do tal Zeca, por acaso o partido no poder, não se tenha sentido obrigado sequer a uma censura pública do comportamento de outro rapazinho bom num dia mau. O tal Zeca está ligado a um partido político, estava a receber um ex-Ministro e agrediu (ou tentou agredir) um profissional da informação.

É um precedente manhoso, sobretudo no actual contexto português e de boa parte da Europa, pela mensagem que transmite. É fácil extrapolar qual será o grau de impunidade de qualquer destes assessores de pêlo na venta num grau mais avançado da conversão em república das bananas levada a cabo pelo actual Executivo, tendo em conta os paninhos quentes colocados por vários jornalistas e o silêncio de quem assim cala e consente, nomeadamente e no caso em apreço, do PSD.

 

Por este conjunto de razões, não alinho no nacional-porreirismo que tanto me orgulha por saber distinguir a gravidade do crime de uma anciã que rouba conservas num supermercado da subjacente a um desfalque bancário capaz de afectar as contas públicas de todo um país, mas que tanto me embaraça quando se mostra ingénuo ao ponto de colocar o António do talho ao mesmo nível do Zeca assessor político no que concerne à responsabilização por incidentes desta natureza.

Uma democracia pode apenas constipar-se pela proliferação dos impulsos violentos entre a arraia-miúda, mas se a coisa alastra até tão perto de quem manda e é direccionada de forma impune contra quem pode denunciar abusos de poder, mais cedo ou mais tarde a pneumonia fatal é garantida.

publicado por shark às 01:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Sábado, 11.05.13

A posta que isto já lá não vai com falinhas mansas

No visível desespero dos próprios apoiantes dos partidos da coligação que nos governa, cada vez mais desarmados para acudirem em seu auxílio e com a perda de audiências da presença televisiva de Sócrates a privá-los do renascer das cinzas de um culpado mesmo a jeito para a argumentação fácil, percebe-se o quanto as sondagens até acabam por não reflectir na sua verdadeira dimensão o esboroar absoluto da base de legitimação do actual Executivo.

 

Sejamos claros: já nem a malta de Direita acredita nas hipóteses de sucesso deste grupo heterogéneo de pessoas a quem o poder foi confiado nas circunstâncias que se sabe e de entre a mesma falta de alternativas que nos aguarda em futuros plebiscitos.

Falha-lhes o talento para o jogo político, a credibilidade para a mobilização popular em torno das suas medidas bizarras e, em muitos casos, simplesmente cruéis, a consistência para consolidar uma imagem de força que colmate as várias debilidades da sua forma de controlar o poder e, acima de tudo (e nem quatro Poiares bem maduros conseguem apagar o rasto de imbecilidade deixado pelo inenarrável Relvas), falta-lhes a inteligência que nos poderia valer.

 

Depois de assente o pó da desilusão inicial, os portugueses agitaram-se e quase roçaram a revolta chegando a haver quem temesse uma nova Grécia nas nossas ruas. Claro que foi sol de pouca dura e depressa a população acabou enfraquecida pelo próprio efeito de uma governação desastrada e desastrosa que nos obriga a centrar atenções nas questões mais elementares da sobrevivência. Quase um milhão de desempregados mais outro milhão de reformados (com pensões sistematicamente alvejadas pelos snipers da rapina estatal) a sustentarem famílias inteiras deixam pouca margem de manobra para a contestação.

Agora, encravados entre um Governo muito incapaz e uma oposição pouco convincente, oscilamos no quotidiano entre o encolher de ombros resignado, a gestão in extremis de recursos financeiros depauperados e os fenómenos quase diários de estupefação perante as asneiras, as tiradas idiotas e as medidas controversas (ou mesmo inconstitucionais) de que a Comunicação Social e o seu batalhão de notáveis desertores analistas, maioritariamente da mesma área política da quadrilha liderada por Passos Coelho, nos dão conta.

 

O banana no topo do bolo é uma velha glória dos dias felizes do esbanjamento dos milhões que a Europa nos ofereceu como contrapartida para abdicarmos de boa parte do controlo económico sobre o país. O Presidente da República, esse colosso do anedotário político, deveria constituir a maior esperança para uma solução mas acaba por ser uma das faces mais evidentes do problema: a triste realidade de um poder meio senil que ameaça a Democracia, destruindo-a aos poucos neste caldo em lume brando, num banho-maria de impunidade despudorada, de desorientação mal disfarçada e de um esforço concertado de estupidificação das massas por todos os meios ao alcance da seita de chicos-espertos e de palermas instalados nos diversos poderes.

 

Entregues a uma corja de oportunistas e de mercenários, mergulhamos aos poucos nas trevas da lei da selva, do salve-se quem puder.

E ninguém faz a mínima ideia do quanto neste período negro Portugal já deitou a perder.

publicado por shark às 01:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 24.03.13

A posta numa alternativa biruta

O porta-voz do PS falou hoje na tv e reafirmou a apresentação de uma moção de censura ao Governo na próxima semana. Por mim, tudo bem.

Contudo, o mesmo porta-voz do PS confirmou o pressuposto de que os socialistas só tencionam chegar ao poder por via eleitoral. Consigo respeitar essa posição, embora me soe estranha no contexto de aflição nacional.

Mas a cereja no topo do bolo, aquele pormenor que há sempre um que me faz perceber que de política não percebo nada, é que o PS justifica a sua moção de censura como uma forma de exigir um governo diferente do actual, presumo que nas pessoas como nas políticas.

Aí eu fico a olhar como o boi para o palácio enquanto rumino a minha incompreensão:

então mas se uma moção de censura visa, para todos os efeitos, derrubar determinado Governo e o PS reclama precisamente um novo Executivo (que só pode, sem eleições, ser de nomeação presidencial e terá que ter em conta a actual composição parlamentar para criar uma base de apoio sólida e que não pode contar com o PS que só quer o poder como resultado eleitoral), então o PS vai apresentar uma moção de censura para pressionar o Cavaco (o Cavaco!!!) e criar as condições para que se possa empossar um novo Governo de Direita constituído por pessoas da confiança do Presidente?”.

publicado por shark às 15:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Quinta-feira, 21.03.13

A posta no cultivo das petições imbecis

Admito que estou a prestar mais atenção à balbúrdia cipriota em que a (des)União Europeia se meteu, mas quando percebo nas redes sociais e no impulso neo-peticionista uma reacção histérica, uma “proibição” generalizada a um comentador televisivo, seja qual for, começo a temer o pior em termos de apreço pela Liberdade de Expressão (entre outras) numa população cada vez mais óbvia nos sintomas de uma espécie de demência mansa mas nem por isso menos ameaçadora.

 

Talvez seja um dano colateral da crise, mas os impulsos primários de milhares de cidadãos portugueses são assustadores e denunciam um de dois problemas: ou a malta está mesmo toda a passar-se ou para além de valores cruciais como a dignidade, a honra e similares perdeu-se também o sentido do ridículo.

A reacção desproporcionada de milhares ao anúncio da entrada de Sócrates na RTP na qualidade de comentador foi tão hostil que mais parecia que se tratava de uma ocupação bélica dos emissores para abrir caminho à (re)tomada violenta do poder.

 

José Sócrates é nesta altura um comentador político tão habilitado (sim, eu topei esse sorriso manhoso) como qualquer dos vários – na maioria conotados com o espectro político oposto – já em funções.

Qualquer que seja a opinião dos outros a seu respeito tem todo o direito a expressar a sua. Se tinha pecados políticos expurgou-os nas urnas, derrotado como foi, substituído pelo que se vê. Se tinha pecados criminais expurgou-os na barra dos tribunais e nem uma condenação, uma pena ligeira para mitigar a fúria do povo, se aproveitou.

Nesse caso, quem tem o direito de exigir à RTP que desista dessa escolha? E a que pretexto?

 

Só me ocorre um e é dos mais repugnantes, pois indicia uma mesquinhez quase fascista.

E todos conhecemos a qualidade das colheitas obtidas a partir dessas sementeiras de pura estupidez.

publicado por shark às 17:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Terça-feira, 05.03.13

A posta na democracia indirecta dos recém-chegados de fora do sistema

Gosto sempre de prestar atenção aos figurões que se afirmam alheios à política mas avançam na mesma como candidatos eleitorais.

É o caso de um apregoado independente, Rui Moreira, que surgiu na Invicta como uma espécie de lufada de ar fresco à Direita (a doce brisa do Rio) para contrapor ao curioso mas incompreensível candidato socialista e ao mau da fita, o eterno Luís Filipe Meneses.

Estes figurões mediáticos, sempre sustentados por um qualquer poder (no caso concreto existem claros vínculos clubistas e pode pelo menos pressupor-se a simpatia de um Pinto da Costa por eventual eleição de Moreira), surgem de repente na cena (não) política invocando precisamente a sua relação urticária com os partidos.

 

Consigo entender a distância de Rui Moreira relativamente ao fenómeno político-partidário, do qual também me afastei anos atrás, e não sendo esse o motivo que me leve a olhá-lo com alguma cautela é sem dúvida um factor acrescido para nele prender a minha atenção: precisamente porque são estes arrivistas os menos fiáveis à priori de entre os elegíveis para cargos de maior relevância em qualquer democracia.

A nossa, fragilizada pelo que se sabe, encontra-se escancarada a este tipo de paladino da imagem impoluta do cidadão ainda por conspurcar pela máquina hedionda de estragar pessoas em que os partidos políticos facilmente se pintam aos olhos de gente a passar privações.

 

A atenção que presto a estas pessoas xpto permite-me topar com facilidade as suas incoerências, as suas inconsistências e, esses são de caras, os seus momentos de desatenção imbecil. Sim, imbecil. Não é novidade na cena política e é ainda mais fácil de encontrar nestes candidatos sem tarimba na língua para evitarem confusões.

Este Rui Moreira, um homem cheio de predicados na sua vertente empresarial, parece uma pessoa válida, daquelas que Portugal procura como pão para a boca para colmatar as brechas em matéria de liderança. E acredito que o seja, no meio em que se movimenta e, por exemplo, enquanto comentador em programas acerca de futebol.

 

O lance da grande penalidade

 

Todavia, a um candidato a cargos importantes é legítimo exigir alguma bagagem em termos de ponderação. Foi essa que falhou a Rui Moreira quando, no meio de um programa da RTP (Economix), veio à baila o assunto das eleições em Itália e a reacção do putativo candidato foi espontânea. Talvez demasiado, quando se falou do Grillo que deixou em pânico a classe política desta Europa unida em torno de um vulcão.

Aparte o desdém pelo humorista (como se fosse coisa que se pegue), saltou-me à vista o seu comentário abalizado (de autor de um livro acerca do tema) a propósito da democracia directa.

Nem de comentário se pode apelidar, mas a intervenção do senhor que não é um político nem admite qualquer tipo de filiação partidária resume-se no seu exemplo ilustrativo do que entende por democracia directa: a ideia é as pessoas votarem em casa, pelo Facebook, e agora imagine-se que apanham um homicida de crianças e é colocada a questão: acha que este bandido deve ser condenado á morte? E a pessoa, de forma instintiva, tende a votar a favor.

 

Para não me alongar nem pego pela imbecilidade mais óbvia, a do recurso ao exemplo extremo e impraticável, pelo menos fora de um contexto de absoluto caos no qual da Constituição da República se fizesse tábua rasa. Pego sim pela queda desamparada do demagogo na tentação de equiparar os eleitores a criaturas destituídas de inteligência, de bom senso e de capacidade de decisão. É isso que está implícito na figura do tal votante por impulso, movido apenas pela fúria vingadora do Neandertal a quem a democracia representativa até permite seleccionar de entre uma elite com capacidade superior alguém que fale e decida por si.

 

Se Rui Moreira vier a ser o Presidente da Câmara do Porto, por livre escolha dos eleitores a quem o próprio não confiaria nem uma decisão jurídica (fantástico, num Estado de Direito, mesmo com uma democracia directa, este conceito tão radical) até eu ficarei na dúvida relativamente à pertinência dessa sua opinião.

publicado por shark às 00:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 27.02.13

A posta que o futuro imediato é uma desconcertante incógnita

Sempre que se coloca a questão de como dar a volta à situação que o país atravessa esbarro numa parede que o raciocínio impõe e dou comigo num beco sem saída.

Em causa está a relação entre a dimensão do problema, nomeadamente do ponto de vista financeiro, e o leque de alternativas disponíveis num cenário eleitoral.

Quando vejo cidadãos mobilizados para as diferentes formas de luta que uma democracia digna desse nome nos faculta entendo perfeitamente as suas razões e, em mais do que um momento, sinto-me compelido a também fazer qualquer coisa.

O problema, e é aqui que de repente me vejo no tal dilema, está na nítida sensação de que derrubar o actual governo (e é esse o mote de todas as manifestações populares acontecidas ou por acontecer) pode confrontar-nos apenas com cenários ainda mais complicados no contexto da aflição generalizada, como o exemplo italiano cuidará de comprovar.

 

Cruzar os braços é sempre uma opção impossível perante a progressiva degradação do tecido empresarial e respectivo impacto no número de gente desempregada que pode apenas recorrer aos mais próximos para se valer e também a maioria desses sente na pele o efeito da austeridade. O consequente efeito bola de neve arrasta até a geração dos avós para o turbilhão e a em termos sociais o país começa a acumular tensões indisfarçáveis que só não eclodiram ainda como o caos nas ruas porque olhamos para os gregos e percebemos que nem essa hipótese resolve seja o que for.

Porém, todos sentimos que urge fazer algo e com a máxima urgência.

 

As opções que nos restam limitam-se a males maiores. A desordem não serve. Eleições antecipadas não resolvem. Não há dinheiro e devemos milhares de milhões, pelo que a dependência externa é total e não é realista equacionar a saída do Euro ou a desresponsabilização relativamente aos compromissos assumidos.

Perante isto, o que fazer?

É aqui que ninguém apresenta sugestões minimamente consensuais. Toda a gente consegue apontar culpados e exigir a respectiva responsabilização. Contudo, nesse lote incluem-se os maiores partidos e só uma minoria leva a sério as opções que restam.

 

Um novo partido, alheio aos já existentes e livre das várias cargas pejorativas, surge no horizonte como a única hipótese no âmbito do sistema democrático que o bom senso recomenda e a racionalidade impõe. Uma alternativa distinta das já existentes, capaz de congregar vontades em torno de um projecto simultaneamente realista e milagreiro, seria nas conjecturas de muitos de nós a aposta ganhadora.

Mas no meio do furor demagogo que a desorientação facilita, quem nos garante que não estaremos a investir numa solução sem pernas para andar ou que, como no exemplo italiano que acima referi, não consiga mais do que tornar-se num estorvo à possibilidade de constituição de uma maioria parlamentar capaz de sustentar uma solução governativa estável?

 

Como baratas tontas, acabamos quase todos paralisados perante tantas dúvidas (legítimas) e o tempo esgota-se ao sabor dos caprichos de cada um dos países de uma União Europeia refém de si própria e do efeito dominó de uma crise em roda livre, sem o amparo federalista.

Ainda assim, e caso queiramos insistir na democracia como opção (não existe outra), só mesmo através da criação de novos partidos, movimentos de cidadãos e quaisquer formas de mobilização organizada de cidadãos poderemos alimentar a esperança no surgimento de uma nova ideologia com propostas exequíveis ou, no mínimo, de alternativas credíveis de liderança.

publicado por shark às 16:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Domingo, 17.02.13

A posta num beco sem saída

À liderança bicéfala do Bloco de Esquerda corresponde a gestão bipolar da maioria da classe política e, só não vê quem não quer, de um grande contingente dos seus eleitores.

Prestar demasiada atenção aos discursos de políticos e às reacções populares é meio caminho andado para dividir qualquer mente mais esclarecida em duas partes que se antagonizam. Uma delas insiste em disparar alertas perante a evidente (descarada) dissonância entre a prática governativa mais a da sua oposição que se reparte entre o vai vem neo-frouxo e o agarrem-me senão desgraço-me pseudo radical.

No meio disto tudo andamos nós, os críticos de sofá que falam muito mas fazem népia, os manifestantes só porque sim e depois logo se vê, os ignorantes que refilam sem fazerem ideia contra o quê em concreto e toda uma massa de aflitos a sério e de chorões da treta, uma pasta viscosa, disforme, de gente à beira de um ataque de nervos e sem qualquer esperança possível de sustentar a partir do que se ouve, do que se vê e do que se pode pensar a partir desses elementos dispersos que apenas nos ilustram e alimentam uma perturbadora desorientação.

 

A panaceia inventada pelo BE para colar com cuspo as frágeis ligações entre as suas múltiplas correntes, tentando aguentar a coisa até à salvação que um resultado eleitoral menos catastrófico possa constituir, é apenas uma das caricaturas das muitas possíveis a partir do desnorte que reina no cenário confrangedor da política caseira, em nada diferente da que percebemos noutras nações.

Os políticos, à esquerda como à direita, nos governos como nas oposições, andam à nora para descobrirem a pólvora sem fumo de uma solução milagrosa para um problema cada vez mais global que é o descrédito da própria democracia à mercê da multiplicação de fracassos de que a Primavera Árabe é um exemplo flagrante: depõem-se governos ou regimes sem existirem opções concretas de poder, acabando este confiado a quem soa mais credível no meio de tanta mentira, de tanta incompetência, de tanta desilusão.

E entretanto acontece um colapso financeiro que arrasta boa parte da população de países ditos ricos para uma indisfarçável pobreza que o tempo a passar (como o exemplo da Grécia demonstra) ameaça tornar numa miséria como há muito o hemisfério norte não experimenta e com a qual já provou não saber como lidar.

 

Uma no cravo e outra na ferradura acaba por ser o recurso de quem se vê a braços com uma gestão impossível do caos em crescendo que vai eclodindo a partir da revolta abafada por anos confortáveis para a maioria burguesa, a classe média que se vê apanhada pelo turbilhão da falta de soluções enquanto fonte mais à mão de receitas urgentes para tapar os buracos que a corrupção e o desmazelo ao mais alto nível criaram e a crise financeira deixou à vista desarmada dos que mais a sentem na pele.

Identificados na qualidade de responsáveis indirectos (os que não perceberam ou fingiram não perceber) ou directos (os que mergulharam no esterco do compadrio que parasitou fundos colectivos em proveito próprio), aos políticos parece restar o pontapé para canto de uma falsa indignação que não representa nem propõe qualquer solução concreta para o problema grave cujas repercussões ainda agora vão no adro.

 

A crise é também ideológica e dos pensadores que deveriam conceber alternativas aos modelos falhados e cada vez mais desacreditados resultam apenas críticas a uma esquerda radical assente em teorias do século XIX ou pouco mais recentes, a uma esquerda moderada sem soluções para os seus dilemas e paradoxos na complexa adaptação ao capitalismo que entendeu abraçar e uma direita desmembrada e incapaz de entender a complexidade dos desafios colocados pela falência do principal pilar das suas certezas e convicções, a economia de mercado a quem a globalização deu a estocada final por associar um efeito epidémico a qualquer convulsão.

 

No meio desta mixórdia de acusações recíprocas e de avaliação de culpas, assusta perceber que ninguém está próximo sequer de uma efectiva resolução do problema global e nem mesmo a revolução (um conceito algo estapafúrdio no contexto de democracias estáveis) representa um recurso viável por não existirem no horizonte quaisquer alternativas credíveis de liderança.

 

Aquilo que se vê e se sente é a degradação sistemática de todos os bastiões do sistema no qual se depositaram todas as esperanças do nosso mundo ocidental e que, por inerência, se tenta impor sem sucesso onde as ditaduras se revelam mais rebeldes e menos dóceis na aceitação da troca dos seus recursos naturais pelas esmolas de um ocidente em plena decadência. Sistemas judiciais em descrédito, comunicação social em falência, poderio militar ameaçado pela redução inevitável de orçamentos, ideologias incapazes de responderem aos anseios de populações em aflição.

 

E não se vislumbra no horizonte alguém capaz de inverter esta situação. 

publicado por shark às 23:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 02.12.12

QUE ISTO NÃO É SÓ APANHAR SECA EM CONGRESSOS

 

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Foto: Shark

publicado por shark às 20:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 31.10.12

A POSTA QUE JÁ BASTA

A ver se eu apanhei o espírito da coisa: o Governo acha que está na hora de redimensionar o Estado, o que todos sabemos corresponde a aniquilar o Estado Social de onde mais facilmente se podem amputar recursos para tapar buracos, enquanto a Oposição acredita ser possível, por exemplo, dirigir o cutelo para as tais gorduras cujo peso tarda em fazer-se sentir na balança.

Claro que depois entram em cena as contas e é aí que as vozes começam a destoar, com uns a provarem sem margem para dúvidas que o fim do Estado Social como o construímos ao longo de gerações é a única salvação e outros antes pelo contrário, cheios de fé na gestão das alternativas e de indignação perante o ultraje que a demissão por parte do Estado das suas responsabilidades sociais constitui.

Assim sendo, onde está a dúvida?

 

Parece-me claro que a austeridade é perniciosa para a saúde mental dos políticos de direita, como é normal no abuso de qualquer substância perigosa para a saúde da economia e que ainda por cima causa dependência.

Ficam doidos de entusiasmo perante a possibilidade real de confiarem aos privados tudo quanto possa gerar lucro, mesmo que sob o controlo do Estado pareça condenado a dar prejuízo. E não escondem essa febre do ouro capitalista, essa tentação demoníaca de confiar a vida de todos nós ao funcionamento do mercado que, como é fácil provar, resulta ainda menos do que apostar por inteiro na Divina Providência.

A receita é simples: há bronca nas contas, a culpa é da esquerda (o Sócrates, sempre ele) e da sua insistência em maluqueiras como computadores portáteis para milhares de miúdos sem hipóteses de acesso aos mesmos, reformas, Novas Oportunidades, Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito, coisas assim sem jeito nenhum porque envolvem investimento de dinheiro dos contribuintes, do Estado, desviando enormes maquias do domínio privado.

Nesta linha de raciocínio, o Governo não hesita nas contas: corta-se em ordenados, subsídios de desemprego, reformas, investimento público, SNS, Justiça, Educação e investe-se na estabilidade da banca, nas facilidades para as empresas exportadoras, em tudo quanto possa ser desviado para longe das despesas do Estado com o bem estar dos seus cidadãos, nomeadamente dos menos abastados e sem meios para terem seguros de saúde, PPR's e outras opções à intervenção estatal nas coisas que nos interessam. Ah, também não negligenciam a Defesa (de onde pingam uns submarinos e outros negócios chorudos) e a Administração Interna (que não faltem os meios para controlar a turba).

 

Custa a perceber porque ainda há tantos portugueses que se deixam ir no embalo da culpa do Sócrates (ainda que exista, os que lá estão foram eleitos no pressuposto de corrigirem as asneiras do antecessor) e desviam a atenção da inépcia flagrante deste Governo na correcção dos alegados desmandos da governação socialista (a diferença nos resultados está à vista) que foi promessa eleitoral de proa.

Não custa adivinhar que cada dia a mais por este caminho será um dia a menos ao dispor de quem possa dar a volta à situação antes que Portugal e a Grécia se (re)fundam por igual.

publicado por shark às 01:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 28.10.12

SAUDADES DO TINO DE RANS

A anunciada candidatura do mais bizarro híbrido do jet set português à presidência de uma Câmara Municipal pode inspirar-nos sorrisos, pelo absurdo, como pode sugerir-nos insultos, pelo descaramento. Mas pode e deve alertar-nos para o facto de esta iniciativa do bobo da corte poder constituir o primeiro passo para que, por exemplo, os participantes na casa dos segredos comecem a tomar conta das Juntas de Freguesia das suas terras, de assistirmos à propagação de um fenómeno que já se faz sentir em diversas áreas da vida pública e que se traduz na projecção mediática como principal critério de selecção seja para o que for.

 

O Tiririca, como se previa, já está a fazer escola neste país cheio de sentido de humor e vazio de alternativas. De resto, o enérgico Coelho madeirense já tinha apanhado essa onda e agora lá anda, mais a família e amigos, a dar cabo da cabeça ao Alberto João. O passo seguinte, na lógica simples dos famosos que precisam mesmo de dar o litro para atraírem os holofotes, é esta candidatura sonsa de um espertalhão que vai a todas (e a todos?) para rentabilizar o protagonismo, seja ele qual for.

É esse precedente que me preocupa, neste contexto de desorientação eleitoral tão permeável a figurões e figurinhas, e me leva a dar razão aos que pugnam em defesa da classe política.

De facto, o exemplo que me move é uma exibição grotesca de um dos cenários possíveis para o eventual castigo que os eleitores pretendam aplicar ao todo barrado com a manteiga da generalização. Substituir os políticos por figuras decorativas sem qualquer espécie de noção da responsabilidade que um cargo político acarreta, e as broncas não acontecem a brincar nem se resolvem com meia dúzia de larachas, é nada mais nada menos do que uma leviandade descomunal.

 

É certo que sobejam exemplos de palhaçadas governativas e de folclore autárquico, mas uma Democracia digna desse nome leva-se a sério. Se temos que exigir mais e melhor dos nossos políticos, existem mecanismos ao alcance para isso acontecer.

Se entregamos o poder às figuras mediáticas ou aos palradores populistas, em vez de o devolvermos às pessoas capazes e de bem que possam promover a recuperação do país podemos assistir num futuro próximo a um pandemónio que só agravará ainda mais a crise em que mergulhámos.

E abrimos os portões para a entrada de figuras bem menos simpáticas, tiranos oportunistas, que brotam como cogumelos ao mínimo indício do que, na prática e tendo em conta personagens como o tal candidato anti-lojas do chinês, constituem nada divertidos e sempre muito perigosos vazios de poder.

publicado por shark às 00:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Segunda-feira, 22.10.12

A POSTA QUE ESTÁ NA HORA DE INTERVIR

Sim, há dias em que a vontade que dá é deixar andar, deixar correr e ficar parado a ver o que acontece e entretanto torcer por milagres ou profetizar um apocalipse em lume brando.

Mas os dias têm o problema de passarem, uns atrás dos outros, e o tempo que passa é tempo desperdiçado quando os problemas teimam em não se resolverem por si. E alguns são como infecções.

E há dias em que a vontade que dá é mesmo a de não deixar gangrenar.

 

O país já começou a despertar para a necessidade de um antídoto para este veneno que nos consome as contas públicas ou privadas, para esta lenta agonia que destrói sonhos, ambições, vidas que tínhamos planeado com base em pressupostos que deixaram de se verificar e agora há portuguesas e portugueses a padecerem de males que julgávamos impossíveis, falência sistemática de empresas e de cidadãos, desemprego, emigração em massa, despejos a toda a hora e a fome (a fome!!!) a romper o véu do segredo quando as pessoas, enfraquecidas, já nem conseguem esconder a miséria da sua condição.

É essa a situação que enfrentamos, todos sem excepção, a cada dia que passa, a cada dia que nos ameaça com um medo qualquer.

 

Depressa percebemos a futilidade dos discursos por parte de quem nos lidera ou de quem parece melhor colocado para a sucessão, a vacuidade das palavras que denuncia a ausência de soluções. Basta prestar um pouco de atenção, apenas a necessária para entender o quanto temos a perder se em cada dia que passa nos permitirmos cruzar os braços e esperar que o dia seguinte nos sirva de bandeja uma reviravolta nas circunstâncias, embalados na mesma apatia que tantos povos já tramou e muitos ainda acabará por tramar.

Depressa percebemos que não basta esperar, à sombra de uma esperança sem alicerces e que a brisa dos factos desmorona a cada dia que passa sem o empenho estender a mão à vontade de mudança para que esta possa acontecer.

 

Está na hora de mudar, a crise confirma esse facto inegável. E não basta olhar para as alternativas como um conjunto de variações de cinzento e acabar por escolher a que estiver mais à mão: é necessário o passo seguinte de aperfeiçoamento da Democracia, a sua reconversão à medida destes dias em que só a participação activa dos cidadãos poderá efectivar, nas ruas, como nas redes sociais, como nas urnas, com a urgência que se impõe.

publicado por shark às 16:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

ISTO NÃO É PARA ME METER COM NINGUÉM...

...Mas até o FC Pampilhosa do Botão conseguiu não ser eliminado da Taça de Portugal nesta jornada.

 

Bom dia. :)

publicado por shark às 09:30 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 11.10.12

A POSTA UMDOLITÁ

umdolitá



Quando for grande vou sempre escolher o da esquerda!

 

Montagem: Shark

publicado por shark às 23:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Sexta-feira, 05.10.12

A POSTA NO PARTIDO GLOBAL

Queria só pedir-vos uma mãozinha no sentido de encontrar um defeito qualquer nesta iniciativa, a ver se eu consigo moderar o meu entusiasmo juvenil.

publicado por shark às 16:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 03.10.12

A POSTA QUE CHEGÁVAMOS LÁ PELO CHEIRO

Obstipação do bom senso e incontinência verbal.

A sintomatologia deste Governo revela o caos no centro nevrálgico da sua anatomia política.

publicado por shark às 10:14 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 30.09.12

PURE CHESS

 

manif

 


Montagem: Shark

publicado por shark às 01:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 28.09.12

A POSTA NO SINISTRO COM CULPA

Pensando bem, o que se podia esperar de um Governo que se apresenta pela Direita mas sem prioridade e tem conduzido as medidas da troika em comprovado excesso de velocidade?

publicado por shark às 17:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Segunda-feira, 17.09.12

À ESPERA QUE CAIA

Ora vejamos: o Governo está feito num harmónio, preso pelo fio de uma coligação que parece albergar no seu seio uma autêntica oposição. Temos gente dos dois partidos dessa casa desavinda a virarem o dente ao dono, que é como quem diz a tentarem fazer a folha à coligação e ao Governo, necessariamente por esta ordem para não dar tanto nas vistas e o PSD não se transformar numa espécie de PASOK portuga em próximas eleições.

Temos ainda um Orçamento para ser aprovado por uma maioria que já está em contagem de espingardas para evitar algum dissabor rebelde no Parlamento no qual, de resto, não poderão contar com o conforto de uma nova abstenção rosa, sempre montes de violenta.

Por falar em rosa, de repente António José, fermoso mas não seguro, acordou para o imperativo moral de ser líder da oposição, ou pelo menos de dar a pala, mas toda a gente percebeu que à rapidez com que afocinhou na demissão do seu antecessor se têm sucedido as intervenções demasiado mornas e a pegarem de empurrão, sempre tarde e más horas.

De resto, também se notou o esforço de outro líder partidário com a saída anunciada, Louçã, para tentar apanhar o comboio da contestação popular para, eventualmente, tentar ocupar o espaço deixado vago por quem deveria ter sido o rosto da contestação pelo menos umas horas antes da Manuela Ferreira Leite. Foi um bom esforço, o do Bloco, para aparecer no boneco sem dar demasiado nas vistas e atiçar o povo nas ruas contra algum tipo de colagem por parte de políticos que, como o povo deixou bem claro, não são deixados de fora no balanço ao que tem corrido mal.

Mas não resultou e o povo é mesmo quem mais ordena desta vez.

Por abrir está ainda o embrulho preparado pelas centrais sindicais, talvez uma ou duas greves gerais que podem dar o safanão que falta aos equilíbrios ainda mais precários do que os poucos ou nenhuns empregos disponíveis.

Aliás, a contestação generalizada deverá ter desenterrado o machado de guerra com a manif de dia 15 e a greve nas refinarias pode, paradoxo, atear ainda mais a revolta dos cidadãos... por falta de combustível.

No meio disto tudo o tempo passa e o pesadelo de cada fim de mês aproxima-se para muitos de nós, pelo que temos aí um início de semana à maneira e cheio de motivos de interesse para os noticiários nos dias em que não haja nada de importante para dizer acerca do campeonato de futebol.

Que a vossa seja boa que eu estou como o país: à espera que caia.  

publicado por shark às 00:42 | linque da posta | sou todo ouvidos
Domingo, 16.09.12

PASSOS: DEDICA-TE A OUTRA COISA QUALQUER...

 

é fish pescar

 


Foto: Shark

publicado por shark às 01:01 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 13.09.12

A POSTA COM DESCONTO EM CARTÃO

Passos Coelho apresentou o troco a Belmiro aconselhando-o a aproveitar a descida da TSU para baixar os preços e assim contrariar o efeito da perda de poder de compra dos seus clientes.

Será que Belmiro vai imitar o seu principal concorrente e reagir com uma promoção violenta?

publicado por shark às 22:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sábado, 08.09.12

A POSTA EM MAIS DO MESMO PARA OS DO COSTUME

A pessoa ouve o Primeiro-Ministro explicar como nos vai ser gamado o pilim desta vez e vai tentando encontrar em todo aquele paleio uma justificação plausível para, com um ar muito sério de quem quer mesmo salvar o país, aquela criatura anunciar que mais de quatro mil milhões de euros vão ser desviados da classe trabalhadora enquanto uma parte substancial desse valor passa a ser somado aos lucros empresariais e, ainda assim, conseguirmos encontrar a réstia de esperança que estas marteladas sempre alimentam para uns tempos depois a pessoa ouvir o mesmo Primeiro-Ministro explicar como (a quem, já poucos se interrogam nesta altura) irá ser gamado mais pilim a bem da Nação porque é assim que tem que ser.

 

E a pessoa pensa nas cidades com ruas inteiras de lojas fechadas por falta de poder de compra da malta e fica a cismar que às tantas querem que a pessoa fique sem guito para pagar a conta da luz ou mesmo a renda/prestação da casa para sermos mesmo obrigados a ir para a rua gritar e poderem somar à culpa no cartório do endividamento excessivo e da vida acima das nossas possibilidades a da agitação social que muitos tentam fazer acreditar que está na origem da ainda pior situação dos gregos, ficando até lá entretidos a fazer aquilo que afinal se esperava do Governo: as contas às gorduras que, queiramos ou não e perante a escassez galopante de dinheiro para a própria comida, vão ser literalmente eliminadas.

publicado por shark às 00:21 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Sábado, 01.09.12

A POSTA AMBIDEXTRA

Uma das lições de vida que mais gente me tentou ensinar foi a de que a vida é a cores, não é a preto e branco. Ou seja, não há só bons e maus, fortes e fracos, castigo e perdão. Existirá toda uma gama de opções para atenuar a perspectiva radical e maniqueísta dos gajos como eu.

E eu tentei aprender essa lição, por entre as várias tonalidades de cinzento entre o preto e o branco que antes simplificavam as minhas escolhas, tentando abrir o leque de opções antes de formar uma opinião ou tomar decisões.

No entanto, ao longo desse processo de reaprendizagem da minha forma de apreciar os contornos da vida como ela acontece tive sempre um obstáculo à assimilação do conceito multicolor: a realidade prática desmente demasiadas vezes a possibilidade teórica embutida nas melhores e mais coloridas intenções.

 

Um dos temas quentes da actualidade lusa é a vincada componente ideológica da agenda do actual Governo, demasiado óbvia nas suas decisões económicas e financeiras.

Dificilmente alguém poderá contestar esse temor de uma Esquerda arredada para o banco de suplentes depois de vários anos a titular, impotente na sua desunião para travar os ímpetos neoliberais, sem visão nem liderança para combater de forma eficaz os abusos da Direita que denunciam a torto e a direito em defesa de uma visão do mundo e de um pacote de soluções para as várias crises que nos atormentam e que se situa nos antípodas da que o executivo laranja eleito e, tendo em conta as sondagens, na corrida para a reeleição, apesar dos resultados à vista das suas soluções, preconiza.

É aí que salta à vista que a culpa não é do povo que vota mas de uma oposição que em nada se exibe sólida enquanto alternativa porque à tal imposição da agenda conservadora e neoliberal insiste em contrapor uma apatia acomodada ou, como no exemplo que motiva esta posta, uma recuperação dos ideais mais arcaicos e utópicos que a Esquerda desorientada vai recuperando do baú de ideias do tempo da Revolução Industrial.

 

O mundo mudou, as pessoas mudaram. Nem a Esquerda nem a Direita conseguiram acompanhar a passada dessa mudança, sendo cada vez mais evidente a escassez (a ausência) de pensadores capazes de moldarem as ideologias à realidade como ela se apresenta. E ainda menos se revela alguém de inventar uma terceira opção que nos livre destas escaramuças patéticas entre formas de pensar que não passam de raciocínios na órbita de pressupostos e de dogmas dos quais cada vez menos se bebe algo de útil para consolidar o que de positivo já se conseguiu neste nosso hemisfério dos ricos, delineado cada vez mais a norte do equador e assente num modelo económico em vias de desagregação.

 

Se até o Relvas conseguiu...

 

O Ministro da Educação decidiu impor o ensino profissional aos estudantes que não se revelem capazes de progredir na fase menos complexa do percurso académico.

Aqui d'El-Rei, clamam os da esquerdalha, que estamos a fazer renascer o salazarismo nas escolas e a empurrar os pobres (que pelos vistos na visão dos esquerdistas são mais burros e menos capazes porque alegadamente serão eles o grosso do pelotão de futuros canalizadores e não licenciados do país) para fora do sistema produtor de cada doutora e doutor que o desemprego vai acolhendo como pode.

Boas intenções, portanto, as da Esquerda que rejeita esta separação das águas entre capazes e comprovadamente incapazes de obterem resultados escolares satisfatórios, pelo estigma que isso pode representar.

 

Eu, que ainda me vou encontrando mais à esquerda da fronteira imaginária entre as duas formas de pensar a vida em sociedade e seus modelos de organização, vejo-me apanhado no dilema que me é criado pela necessidade de encontrar a melhor tonalidade entre os extremos e perceber, ao longo do raciocínio, que existem tons do meu lado da coisa que não encaixam de todo numa abordagem mais racional do problema a resolver.

A Esquerda mais utópica e intelectualóide peca muitas vezes por não ter em conta isso mesmo: há problemas para os quais as suas escolhas não constituem solução e a prática comprova-o com a mesma clarividência com que faz desmoronar as certezas capitalistas de uma Direita embriagada por tanto poder.

 

A malvada realidade que dá cabo das melhores utopias!

 

Eu não sei onde estudam os filhos do resto da malta de esquerda, mas se é no Ensino Público então dificilmente não se confrontaram com uma questão prática com a qual o sistema em vigor, muito bem intencionado, nunca conseguiu lidar de forma eficaz: o impacto da presença dos chamados repetentes nas turmas a quem tocam na rifa.

Esse impacto, por quanto o sol brilhe para todos nós, sente-o no primeiro dia de aulas um pai que se vê obrigado a deixar uma filha com 10 anos de idade numa turma onde existem vários adolescentes com quinze e um rasto de perturbação do funcionamento das salas de aula que não deixa margem de manobra para a esperança de que o sistema o consiga evitar.

Esse impacto, por quanto todos os cidadãos mereçam oportunidades iguais, sente-o cada professor incapaz de evitar a descida colectiva das notas em turmas exemplares antes de acolherem esses casos problemáticos de miúdos (não necessariamente pobres e desfavorecidos) para os quais ninguém possui mecanismos eficazes de integração.

 

O politicamente correcto que a Esquerda utópica tanto acarinha, aquilo que devia ser, não pode acontecer como o anseiam porque não é viável. E por isso mesmo não dispõem de propostas realistas para contrapor às soluções aparentemente menos simpáticas para resolverem problemas do quotidiano.

Nem sempre as decisões são tomadas em função dos agrados de gregos e de troianos, tal como não podem ser adiadas por falta de uma alternativa perfeita e consensual.

Os dogmas valem o que valem se não forem alvo de upgrades cada vez mais frequentes para acompanharem a pedalada da evolução como eles próprios a determinaram em boa medida, décadas esgotadas no braço de ferro entre versões tão opostas quanto mal sucedidas de um mundo sem paciência nem meios para suportar por mais tempo a discussão do sexo dos anjos num inferno como se está a criar.

 

Por isso já é tempo de mudar e de flexibilizar os critérios em função do pragmatismo que a iminência de uma bancarrota e de colapso social profundo deveria bastar para incutir, a ambos os lados desta barricada imbecil que coloca os futuros miseráveis a disputar cada extremo de uma corda que, esticada sobre um abismo feito de incógnitas, está presa por um fio.

publicado por shark às 15:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

A POSTA NO MERCADO DE TRANSFERÊNCIAS

O Benfica deixou sair o Javi Garcia.

O Sporting deixou sair o Onyewu.

O Porto deixou sair o Sapunaru.

A RTP deixou sair o conselho de administração.

publicado por shark às 00:15 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 18.08.12

A POSTA NO PODER SEM AÇAIME

Chamam teorias da conspiração a todas as acusações por parte de muita gente com credibilidade e argumentos relativamente à actuação de Estados (ditos) democráticos no que respeita ao exercício do poder, nomeadamente pelos abusos cometidos sobretudo em nome da segurança, da estabilidade que não passa de uma paz podre que muito interessa aos mandantes do mundo inteiro.

Muitas dessas acusações põem em causa as motivações dos governantes, cada vez mais suspeitos de alimentarem verdadeiras réplicas das cortes feudais à custa de um fenómeno crescente de corrupção, de compadrio, de alianças de conveniência supra-partidárias e nada ideológicas que visam perpetuar o esquema de manutenção de uma elite intocável.

Quando alguém se destaca da multidão que prefere organizada em rebanho, o poder reage como um cão pastor e recorre aos meios colocados ao seu alcance para defender os cidadãos das muitas ameaças que uma sociedade produz. Esses meios, polícias de todo o tipo e a Lei devidamente aligeirada na interpretação por juízes com imensa flexibilidade na coluna vertebral, são afinal utilizados sem hesitações contra as próprias populações que os sustentam.

Um trio de exemplos recolhidos de diferentes pontos do planeta confere outra cor às tais teorias da conspiração: a caça impiedosa a Assange, a condenação vergonhosa das Pussy Riot e a chacina odiosa dos mineiros em greve na África do Sul.

Se as consequências dos três episódios diferem pelo grau de tragédia dos mesmos, as motivações reúnem-se em torno de um perigoso paralelo, de um ponto em comum que é o de constituírem reacções do poder a actos de revolta de pessoas com coragem para lutarem por convicções ou apenas por desespero de causa.

 

Assange rima com revenge

 

Assange colocou a cabeça a prémio no dia em que ousou desafiar alguns pressupostos que constituíam vacas sagradas da apatia generalizada que tanto agrada a qualquer líder nacional por o poupar a beliscadelas na imagem heroica que, de uma forma ou de outra, sempre tentam impingir.

Só como verdadeiros salvadores de pátrias conseguem legitimar todo o conjunto crescente de privilégios que parasitam, tantas vezes com tanta voracidade que acabam por destruir nações inteiras, as suas e as dos outros e por isso reagem por instinto com a força mais à mão.

Para o australiano mais temido (odiado?) por governantes com esqueletos nos armários estão a ser mobilizados todos os recursos de vários Estados, com o nítido intuito de silenciarem um indivíduo, ajustando contas, e de dissuadirem por tabela os restantes candidatos à repetição da façanha.

 

Free Pussy!

 

Um raciocínio idêntico terá presidido à gigantesca farsa judicial que culminou com a condenação pesada para a irreverência de três raparigas russas, inevitável como sinal do poder (ainda muito) soviético cujo rasto de prepotência tresanda mesmo a totalitário e sem tolerância para com qualquer tipo de contestação.

O mínimo que as jovens poderiam enfrentar seria mesmo a prisão, destino diferente do imposto a diversos jornalistas e outras figuras da oposição mas igualmente paradigmático do aviso à navegação que os poderosos sentem necessidade de emitir para evitarem males maiores que, na perspectiva de qualquer tirano ou tiranete, são o perigo de contágio das ideias mais rebeldes.

Foi a rebeldia das Pussy Riot que as tramou e não qualquer das acusações de treta com que as privaram do estatuto de preso político que Putin jamais lhes reconheceria.

E nem o tribunal escapa à suspeita de ser movido por cordelinhos invisíveis a partir de um Kremlin que se esforçou (mas pelos vistos não conseguiu) por não transformar em mártires de uma causa as artistas que apanharam um ano de pena por cada um dos tomates que exibiram aos russos de todos os géneros e às alimárias de todo o Ocidente que se deixam dormir enquanto as suas democracias descambam aos poucos para a mesma privação de liberdades por amor à estabilidade governativa de cada figurão instalado num pedestal dos que o poder constrói.

 

Por terrenos minados

 

Por fim, o extremo desta corda que ameaça partir entre populações cada vez mais desconfiadas e insatisfeitas com as lideranças que lhes tocam na rifa e estas últimas, cada vez mais descaradas no leque de abusos a que se permitem mais os favores que pagam com a sua permissão.

O massacre sul-africano, ao nível do que de pior o apartheid produziu, constitui-se exemplo da derradeira etapa de perversão dos valores e das obrigações dos líderes políticos, mais violentos quanto financeiramente mais relevantes os interesses a proteger.

A polícia atirou a matar quando podia recorrer a outros meios e esse tipo de decisão nunca é tomada sem ordens superiores. Em causa estava uma mina de dimensão mundial e uma empresas britânica sem tempo (que é dinheiro) a perder com a contestação que de imediato foi rotulada de ilegal e o presidente da África do Sul deixou bem clara a sua intenção de pôr um fim ao prejuízo em causa.

Foram mais de 30 os que conheceram o fim sob as balas de agentes da autoridade às ordens de um Governo que deixa claro que as ordens são para executar.

Correm mundo as imagens da execução de mineiros armados com varapaus e catanas com as quais fica mais uma vez bem clara a inexistência de limites para o uso da força, mesmo numa democracia de tom mais ou menos ocidental, dependendo apenas da relevância da causa, da dimensão do interesse ou do estado de degradação dos regimes a (des)proporção das reacções do poder às ameaças a si mesmo.

 

Perante exemplos tão flagrantes e aos quais se somam os excessos visíveis cometidos por quem manda no que é de todos mas parece propriedade apenas de alguns, os autores das teorias da conspiração soam menos... malucos.

Já aqueles que os ignoram ou tentam desacreditar, antes pelo contrário.

publicado por shark às 01:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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