Sexta-feira, 06.03.15

Muito para além de ti

Um nome.

Duas datas.

Um espaço em branco.

 

E o silêncio em redor de tudo aquilo, como se fosse preciso calar a vida para lá dos muros bem altos que o cercavam agora.

Muros brancos, muros limpos de palavras, silenciosos eles também como guardiães de um território que era terra de ninguém quando a noite aparecia e fechavam os portões à vida que os visitava, os nomes, as datas e os espaços em branco que durante o dia muitas pessoas tentavam ali preencher, com lágrimas, com sorrisos, com memórias, com emoções que eram histórias por contar.

 

Um nome.

Duas datas.

 

A pessoa arquivada no ficheiro terminal, o dia do início da caminhada mais o dia da transição final. Ou talvez não. E entre esses dias toda uma vida que é agora o espaço em branco entre datas que contraria a escuridão que a saudade obriga a pintar.

Mas cada lembrança é um pedaço de cor, um conjunto de palavras que podem ser gravadas na pedra com o cinzel da imaginação.

Histórias de vida com nome e com rosto, lágrimas e sorrisos, memórias e emoções acontecidas lá fora, para lá daqueles muros brancos que a noite escurecia como se a luz tivesse naquele lugar o mesmo efeito perturbador que o som.

 

Um nome.

  

Escrito com tinta preta mesmo por cima do espaço (em) branco onde ninguém conseguiu resumir tudo aquilo que se passou com aquela pessoa entre as duas datas que a identificam enquanto pedaço de tempo com um princípio e com, talvez, um fim.

O amor que lhe dedicaram, os ódios que inspirou. Tudo aquilo que se passou entre datas, experimentado por quem lembra e por quem já possua também duas datas depois do nome e de um espaço por preencher com o desgosto de uma mulher ou de um homem esmagados com o fardo de resumir o que aquela pessoa valeu, tudo ou nada, agora que se perdeu, num espaço reduzido que não serve o propósito quando a pessoa em vida se agigantou entre a data que marcou o início da jornada e a data em que acabou a estrada que aquela existência percorria.

 

E para contar a sua história, um só livro não bastaria.

publicado por shark às 10:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 10.02.14

A posta que há só uma

Arrogantes, julgamos ter uma noção acerca da forma como enfrentaremos um dia determinado acontecimento. Acreditamos até que estamos preparados, que fomos capazes de interiorizar uma qualquer defesa construída com a racionalidade de quem, ingénuo, se pensa capaz de gerir as emoções. E é mentira, é ilusão, é uma triste tentativa de construção de barreiras de papel, de sacos de areia patéticos que nem uma enxurrada de lágrimas interiores conseguem conter.

 

Surge sempre na existência da maioria de nós um momento capaz de fazer desmoronar todas as veleidades acerca dessa pressuposta resistência ao que a vida trouxer. Porque a vida também sabe levar, também sabe roubar os dados adquiridos em que se transformam as realidades e as presenças que tomamos por eternas, tanto quanto nos presumimos de alguma forma imortais. Contudo, não depende da nossa vontade a capacidade de resistir, a habilidade para reagir de acordo com aquilo que afinal não passa de uma previsão infantil.

 

As emoções, selvagens, nunca se deixam domesticar.

 

A lei da vida, talvez a única que não conseguimos desrespeitar, impõe regras simples, ciclos inevitáveis com um princípio e depois um meio a galope rumo ao fim que rejeitamos, ao longo do tempo tolo em que acreditamos num para sempre que não passa de uma armadilha, de uma fantasia absurda que o tempo se encarrega de desmantelar.

Uma máquina que alguém irá desligar à hora predestinada ninguém sabe porquê.

 

A minha mãe acreditava ser possível conquistar, pelas boas acções e pela fé, um lugar no céu.

A mim, resta lidar com os vários infernos à solta nesta cabeça fraca que não os adivinhou, incapaz de entender aquilo que o coração agora lhe grita, desorientado, por saber que o dela, tão fatigado, entretanto parou.

publicado por shark às 02:02 | linque da posta
Segunda-feira, 17.06.13

João Pinto e Castro

ISTO diz tudo o que eu não saberia dizer e é preciso que se saiba.

publicado por shark às 01:18 | linque da posta | sou todo ouvidos
Terça-feira, 28.06.11

SÓ O TOYOTA VEIO PARA FICAR

O Salvador Caetano não...

publicado por shark às 00:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 06.04.08

GOSTAVA DO ACTOR

Mas a pessoa não me deixa saudades.

Charlton Heston morreu aos 84 anos de idade.

publicado por shark às 14:48 | linque da posta | sou todo ouvidos

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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