Segunda-feira, 01.04.13

Alguém já reparou?

Ainda não disse aqui uma palavra acerca da entrevista ao sócras. É de homem, porra.

publicado por shark às 01:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 21.11.12

Revolução no presépio

Claro que me preocupa sobremaneira a amputação de uma imagem que a Igreja Católica me impingiu ao longo de uma vida inteira repleta de diversidade animal no presépio, eliminando a vaca e o burro do cenário. Ficam apenas os camelos (os dos Reis Magos) e os memés (enquanto não for desmentido o pastoreio) na fotografia do nascimento de Jesus.

Contudo, fico ainda mais em alerta com a necessidade de reafirmação da virgindade de Maria, reforçadas as minhas cautelas com as certezas que o Papa afirmou quase com a convicção de quem esteve presente em ambas as ocasiões.

 

Ainda não cuidei de averiguar o que teria instado Sua Santidade a regressar à ribalta com mais uma declaração polémica, mas presumo que algum de entre os seus mais próximos o terá avisado da ameaça das repercussões de algo proferido pela voz de um Santo Padre.

Uma das consequências imediatas de afirmações daquele teor é precisamente das que ao longo dos séculos mais intimidaram a Igreja: as pessoas põem-se a pensar demais e às tantas aleijam-se onde mais dói, na fé que sai sempre um nadinha beliscada quando se escrutinam os dogmas.

 

Se virmos para além do potencial humorístico da exclusão das vacas e dos burros da iconografia da Quadra (daqui a uns séculos ainda vamos ver a Coca-Cola revelar verdades perturbadoras acerca do Pai Natal), quando olhamos podemos deparar-nos com uma questão potencialmente ainda mais desconfortável para a instituição que o Papa chefia que é a da incoerência, um pecado mortal para todas as histórias difíceis de explicar mas que se querem verosímeis.

 

Incoerência da mais óbvia é a de várias igrejas por todo o mundo andarem há demasiado tempo a venderem um embuste nos presépios orgulhosamente instalados à sua porta, com o Cristo nas palhinhas da manjedoura deitado mais a família próxima, tendo por detrás as orelhas de um burro e os cornos de uma vaca.

A associação de ideias moderna de todos estes símbolos conduz-nos à complexa situação do casal de progenitores (embora José fosse assumidamente, no entender da Igreja, um mero pai adoptivo do rebento de Deus). A reafirmação da virgindade da mãe Maria por parte do Papa leva-nos a interrogar de imediato: quem de facto confirmou a dita cuja, ao ponto de existir tanta certeza?

 

Teoricamente, apenas José estaria em condições de o garantir e até podemos partir do princípio de que ele e Maria preferiram ficar em cima do galho de uma árvore quando lhes ofereceram ajuda para um problema qualquer, o que explicaria a paciência do carpinteiro em aceitar estender muito para lá da tradicional espera pelo casamento a eventual consumação do dito.

Não querendo levantar suspeitas acerca da idoneidade de, esse sim, garantidamente, um santo homem, torna-se difícil a um herege engolir algo de tão difícil de explicar em termos racionais e ainda mais suspeito tudo se torna quando o Chefe de Estado do Vaticano vem reafirmar o milagre com o ar de quem possui algum tipo de provas.

Quase de quem estava lá para ver.

 

Sinceramente, embora ache piada a tudo isto, às vezes it gives me the creeps.

publicado por shark às 16:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Domingo, 14.10.12

A POSTA DE QUE TODOS TEMOS UM POUCO

A saúde mental está a degradar-se no nosso país como em muitos outros. De resto, basta um pouco de atenção às notícias para o perceber. As alucinações e as bizarrias multiplicam-se a um ritmo que relega para segundo plano os desvios mais tradicionais, as notícias chocantes do passado passaram ao estatuto de normais e nesta normalidade aparente começamos a distinguir os primeiros indicadores de que a loucura não passa de uma questão de perspectiva e mesmo um doido intui que a da maioria acaba sempre por prevalecer como a mais acertada.

 

O conceito de loucura tem sofrido mutações ao longo do tempo ao ponto de hoje poderem circular livremente pelas ruas algumas pessoas que séculos atrás poderiam acabar amarradas a um pau, acusadas de bruxaria.

Isso prova que a loucura não passa de um desvio a um dado padrão, o da racionalidade como a maioria a defina num dado tempo ou lugar. Sim, até a Geografia pode influenciar o diagnóstico de uma loucura que pode chamar-se excentricidade noutro sítio qualquer. É uma questão cultural, mais do que psiquiátrica, pois nem mesmo a Medicina consegue meter as mãos no fogo pelas suas certezas neste domínio.

Que impressão teriam os nossos antepassados de há dois séculos atrás de um/a descendente que não sendo artista de circo se mostrasse capaz de se mandar de uma ponte amarrado a um elástico só pela pica que isso dá? Acabaria certamente numa camisa de forças, tal como qualquer defensor da política económica do actual Governo português.

 

Apesar de todo o folclore religioso que o transforma numa sumidade cheia de sabedoria e de bom senso, o próprio profeta da cristandade deve ter soado aos romanos e aos filisteus como nos soa agora o Presidente da República: completamente passado dos carretos. Claro que jamais iriam crucificar Cavaco Silva pelos seus discursos, mas isso nem que fosse apenas para não correrem o risco de que pudesse igualmente ressuscitar…

Isto a propósito de como a loucura depende acima de tudo de uma avaliação externa, como a da Troika a Portugal, por parte dos considerados sãos pela maioria (mesmo quando os sinais em sentido contrário se multiplicam). É aqui que entra a tal questão estatística: e quando os que antes se consideravam malucos forem a maioria? Quem definirá nessa altura os critérios que separam o sorriso perante uma excentricidade fora do comum e o internamento compulsivo?

 

Tal como o nosso país está a ser gerido por pessoas que talvez não se safassem do crivo de há poucas décadas atrás e provavelmente acabassem, se não no Júlio de Matos, pelo menos muito afastadas de qualquer centro decisor, quem nos garante que os tipos do FMI que andam a errar nas contas e a violar camareiras nos hotéis são bons do miolo quando insistem em impor medidas que dão cabo da cena toda ao pessoal?

É uma questão de perspectiva, lá está…

Por isso se torna importante olhar em redor para tentarmos perceber as tendências em voga em matéria de definição consensual da loucura.

 

Pelo andar da carruagem e se formos sensatos e prudentes, chegará o momento em que teremos que fazer um esforço ainda mais rigoroso para, pelo menos aos olhos deles, parecermos igualmente sãos.

publicado por shark às 16:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 17.03.12

A POSTA QUE É DEIXÁ-LOS IR

Multiplicam-se no meu leque de conhecimentos os casos de homens portugueses que se atracam a brasileiras, deixando para trás família, emprego e o que mais houver como se o mundo fosse acabar amanhã.

Claro que a primeira reacção das pessoas à proliferação destas relações transatlânticas é a de rotularem as brasileiras de predadoras, acabando a coisa num crescendo que quase as remete à condição de feiticeiras daquelas que as mulheres traídas da geração anterior à minha afirmavam meterem qualquer coisa na sopa dos seus homens agora roubados pela bruxaria tropical.

 

Sempre achei as portuguesas as melhores mulheres do Mundo e arredores e disso tenho dado conta aqui. Essa minha crença não me cegou, contudo, aos detalhes de somenos importância que vão aos poucos estigmatizando (dito assim até parece que acredito na cena) as brasileiras com a associação de ideias mais óbvia: bundinha e fio dental.

Sim, tal como as muitas alegadas vítimas dessas desfazedoras de lares com sotaque prestei a esses pormenores a atenção suficiente para que a simples alusão a esse grupo específico de fêmeas me cole um sorriso no rosto de forma espontânea.

Contudo, isso nunca me pareceu tão ameaçador quanto isso porque qualquer observador mais atento conclui que as portuguesas só não se batem de igual para igual na exposição solar dos glúteos.

É portanto apenas uma questão de dimensão dos tecidos.

 

Assim sendo, esta diáspora de cônjuges fascinados pela paixão ao ritmo do samba permanece para mim envolta em mistério e vejo-me forçado a pensar a coisa mais além do que um fio dental possa representar. É aqui que entram em cena os mecanismos mais elementares da masculinidade lusitana, de entre os quais se destaca o descomplicómetro instalado junto aos disjuntores da complexa maquinaria de controlo do desejo que partilhamos com as nossas moças. Esse extraordinário equipamento de série no macho comum português está na origem de muitos indicadores que são erradamente confundidos com insensibilidade mas na verdade não passam de naturais divergências entre nós, que temos o aparelho, e elas que desejam tanto ou mais mas estão antes equipadas com uma espécie de retardador de abertura como os dos cofres nos bancos.

 

Maço-vos com esta breve abordagem à engenharia dos sistemas porque só aí consigo encontrar a fonte do tal fascínio que enlouquece tantos bons maridos e pais com desvarios tropicais que se consta serem doença sem cura conhecida.

As brasileiras, sem dúvida montes de femininas, parecem possuir um equipamento idêntico ao nosso e o que isso implica de diferente no estabelecimento de sólidas e tórridas relações diplomáticas está à vista.

As portuguesas, de caras as melhores do Mundo e arredores, são tesouros de valor incalculável e sabem-no e mantêm essa fortuna fora do alcance dos piratas em que nos tornamos quando o tal descomplicómetro dispara.

Já as brasucas, sem dúvida montes de uma data de coisas, são muito mais despachadas e generosas na entrega do ouro ao bandido que, quase por imperativo moral, privilegia o lucro fácil e regressa sempre ao local do crime o que, toda a gente sabe, é receita garantida para se deixar apanhar.

 

Perante este problema como o pintam é possível teorizar o que se queira e inventar pretextos ou desculpas mais ou menos elaboradas na maquilhagem da sua pretensa validade factual, nem que seja para armar ao pingarelho do alto da cátedra que deitou o olhar de esguelha às imagens do Carnaval do Rio mas nunca ousaria sequer sambar.

Porém, isso para mim é complicado demais quando o assunto envolve esses eternos alvos da cobiça (e da inveja, e do despeito, e da censura) e o meu equipamento de série prova funcionar na perfeição quando encaminha o raciocínio para uma simples questão aritmética: por cada patrício que se deixa embeiçar por uma irmã de além-mar há uma portuguesa desamparada, até mesmo revoltada, e isso pode ser o mote para anular perante as brasileiras a tal aparente desvantagem.

Nessas circunstâncias, juro pela minha perna de pau, fica muito mais permeável à abordagem.

publicado por shark às 00:25 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Quinta-feira, 08.03.12

A POSTA NO CÚMULO DA CUSQUISSE

A ver se me organizo: o Big Bang terá nascido do vazio, do nada. Nesse caso, no dia em que os telescópios conseguirem recuar até esse tempo no espaço vamos poder assistir a algo a que ninguém assistiu porque nada existia na altura?

publicado por shark às 23:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Segunda-feira, 05.03.12

A POSTA QUE ESTOU A FALAR EM DIAS DA SEMANA

Porque será que cada vez mais à segunda tenho a percepção de que a sexta é só daqui a um ano e picos?

publicado por shark às 09:30 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Terça-feira, 10.01.12

PELOS OLHOS ADENTRO

Agora que se preparam para transformar o velho Odeon noutra coisa qualquer, em que sala portuguesa poderemos assistir ao primeiro porno em 3D?

publicado por shark às 11:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quinta-feira, 29.12.11

DO GÉNERO REVIRALHO

E dizia-me o gajo:

 

Eu não sei o que isso quer dizer, mas dantes eram as mães que queriam testes de paternidade para poderem obrigar os pais a assumirem responsabilidades e hoje são os pais que querem os mesmos testes para poderem obrigar as mães a assumirem culpas...

publicado por shark às 14:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sexta-feira, 15.07.11

SUPER-PODERES A SÉRIO: A INCORRUPTIBILIDADE ABSOLUTA

O povo é sábio e afirma que todo o homem (ou mulher) tem um preço.

Se tivermos em conta a realidade actual será um preço de saldo ou o fenómeno da corrupção não teria proliferado ao ponto de minar o bom funcionamento de países inteiros.

 

Por outro lado, algures no passado a corrupção era como a pobreza, envergonhada, e ninguém ficava indiferente à respectiva denúncia ou exposição. Isso acontecia porque as pessoas sentiam a corrupção como uma fraqueza ou mesmo uma desonra e tentavam abafá-la dourando a pílula com os factores exógenos ou com as desculpas de circunstância para a falha que não se iria repetir.

Parece ficção, num mundo onde a corrupção é praticada de forma sistemática da base até ao topo das hierarquias e sem critérios de índole social ou outros. Varia o preço que os homens têm e o valor do que se venha a obter de forma que, até ver, dizem indevida.

Mas toda a gente é cúmplice, nos actos ou nas omissões, da generalização desta lei da selva civilizada que distorce a realidade porque desequilibra a igualdade de oportunidades e pode até influenciar de forma definitiva as vidas de quem saia a perder.

Essa é uma das características inevitáveis desse jogo que é a corrupção: não há empate possível.

 

O tal povo que é sábio sabe mesmo do que fala quando refere a existência de uma tabela com o preço de cada pessoa. Apesar do conforto dos maus exemplos que vêm de cima (a saída airosa mais medíocre de entre as várias possíveis) e que conferem alguma paz de espírito aos aparentes macaquinhos de imitação (se os grandes fazem…), a chamada pequena corrupção é meiga na denominação mas só se nos esquecermos que uma formiga isolada é inofensiva mas ninguém se queira ver enterrado até ao pescoço com um bando delas nas proximidades.

O tal preço individual pode ser determinado pela permeabilidade às tentações como pela ganância intrínseca (há quem prefira chamar-lhe ambição desmedida) ou até pela pressão de determinada conjuntura. Mas se lhe chamam preço é porque algo se vendeu e algo se comprou e dizem que a mercadoria nestas transacções é a alma de quem nelas intervém, corruptores e corrompidos, e nem a tolerância excessiva da própria Justiça perante os poucos casos que a enfrentam conseguiu até agora pintar cor de rosa um fenómeno que só alimenta circuitos medonhos.

 

Num mundo onde predomina a gula pelo poder e pelos bens materiais ou outros que este confere é muito difícil, se não impossível, encontrar um ser humano absolutamente incorruptível.

E se algum dia descobrirmos uma pessoa dessas talvez valha a pena nem arriscar a democracia e entregarmos de imediato a esse super-herói as rédeas do maior poder que tivermos à mão.  

publicado por shark às 17:05 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)

SUPER-PODERES A SÉRIO: O DOM DO PERDÃO

O perdão é algo de tão raro e especial que ao longo dos tempos foi sempre conotado como um poder de deuses e de profetas.

Conseguir perdoar é tão complicado para a esmagadora maioria dos seres humanos que na nossa religião predominante reza-se não para obter esse dom mas para que outros sejam beneficiados por essa dádiva valiosa, Deus te perdoe, pois desde cedo aprendemos a lidar com situações que apelam precisamente a essa capacidade. E não tardamos a percebê-la ausente da nossa reacção instintiva.

 

O perdão é confundido com variantes soft da sua essência. Perdoar implica literalmente passar uma esponja sobre memórias e até sobre instintos, é ultrapassar obstáculos internos, mecanismos de defesa inatos que nos conservam viva a sensação sofrida por culpa ou apenas por responsabilidade de alguém.

É generoso, altruísta, quase extraterrestre no conjunto de virtudes que reúne e no regimento de defeitos que consegue derrotar.

Muitas desilusões nascem dessa confusão natural entre o perdão genuíno e as cedências por via de necessidade absoluta, de chantagem emocional ou qualquer outro pretexto para que perdoar se constitua quase uma obrigação.

Mas a coisa não funciona assim.

 

O perdão não deixa rastos à sua passagem, é como se o mau passado fosse apagado pelo vento como meras pegadas num areal. Qualquer resíduo, qualquer resquício de ressentimento, pode transformar-se numa bomba relógio interior e explodir a qualquer momento no rosto de quem ofendeu e mesmo no de quem julgava ter sido capaz de uma proeza tão pouco ao alcance da pessoa comum.

A natureza humana, mesmo com um esforço suplementar por parte de quem opta pelo caminho do Bem (seja lá o que isso for nesta época confusa em matéria de valores), é imprevisível pelas infinitas combinações possíveis entre acções, reacções e características dos respectivos protagonistas. Claro que os mais optimistas dirão que a maioria das pessoas consegue perdoar porque as pessoas serão, supostamente, gente boa na sua maioria. Todavia, confundem perdão com uma simples manifestação de intenções que acaba por se revelar um adiamento, uma trégua temporária, uma paz podre à espera do primeiro desatino para descambar com ainda mais gravidade do que a situação “perdoada”.

 

Cada um de nós vive de forma distinta as peles de vítima (que para poder perdoar veste a toga) ou de réu, tal como não existe uma medida de aferição para a intensidade daquilo que sentimos perante um mesmo cenário e ainda que desempenhando o mesmo papel de outrem. Isso torna aleatório o desfecho de cada situação e, regra geral, esta acaba por ser resolvida da pior forma ou com a panaceia que qualquer segunda oportunidade constitui quando a vontade de perdoar enfrenta o inimigo interno que é a sede de vingança e o externo que é o da reincidência (o golpe de misericórdia tradicional nas melhores intenções).

 

Por tudo isto, saber perdoar equivale a possuir um conjunto de características e uma personalidade tão forte, tão pautada pela bonomia, que poucos seres humanos podem reclamar esse super-poder sem incorrerem numa mentira. Sobretudo a si próprios.

publicado por shark às 16:20 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sexta-feira, 18.02.11

UMA HIPÓTESE MERAMENTE ACADÉMICA

Se um gajo pudesse voltar atrás uns séculos no tempo e tivesse a desdita de ter que matar um seu antepassado directo isso seria tecnicamente considerado um homicídio ou um suicídio?

publicado por shark às 17:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (21)
Segunda-feira, 03.01.11

A POSTA NA MECÂNICA DA COISA

Então a pessoa até tem um carro usado e com bastante quilometragem, mas muito estimado e com as revisões sempre feitas a tempo e horas e o óleo mudado quando deve ser e tudo mais. E um dia levanta-se de manhã, veste uma bela fatiota para ir a uma festarola qualquer, chega ao carro, dá à chave de ignição e népia.

Pois é, a pessoa sente isso quase como uma traição, uma partida de mau gosto do destino.

É precisamente o que acontece quando um gajo enfrenta um daqueles flopes de que nem queremos ouvir falar. Porque na maioria dos casos é coisa acerca qual nada sabemos nem queremos saber.

 

Nem vale a pena artilharem o comentário da praxe: mas como é que o tubarão sabe o que se sente na sequência de um flope? Sim, o tubarão, esse magnífico e muito funcional exemplar do género, já assumiu sem tretas que sim, não é (ele, o outro) alheio a esse fenómeno. E só falo no assunto precisamente por ser tão rara em mim a experiência que nem de perto teve hipótese de se banalizar e deixar de ser tema de conversa.

Agora que já acertamos os detalhes mais melindrosos da questão, volto à minha abordagem automobilística da coisa, com a vossa licença.

 

Na verdade, a pessoa nem sabe de há de rir ou chorar quando o motor de arranque se esganiça todo e as velas até produzem faísca em profusão mas nada. A viatura abana toda, parece sempre que está quase quase a pegar e até a esperança parece arrebitar, porquanto ilusória. E de repente um gajo tem a malta (na maioria das vezes só uma pessoa, claro) com os olhos postos no veículo como se de um chasso velho se tratasse. Quer dizer, a pessoa, a mirone, até pode nem fazer outro olhar que não o de perdida de gozo mas a disfarçar, mas quem se vê com os dedos na chave e o motor em silêncio vê olhares comprometedores em todo o lado.

É que para qualquer gajo, o seu... carro é sempre o melhor do mundo. Mesmo um Fiat Uno assume proporções de limusina e basta um spoiler traseiro para se transformar de imediato num carro de corrida. E é isto que acrescenta desilusão à surpresa (porque quando o carro não pega parece sempre que acontece à pessoa pela primeira vez) e cria um enorme embaraço ao proprietário do bólide, ainda que a reacção de quem fica pendurado/a relativamente à boleia prometida seja complacente (deixa lá, isso podia acontecer com um BMW e assim...).

 

Na prática, um gajo exige absoluta fiabilidade ao seu automóvel. Pelo menos enquanto não atinge certa idade e já não há peças sobressalentes disponíveis para o modelo nem intervenção, digamos, mecânica que lhe valha. Só aí a pessoa se convence de que não vale a pena investir mais na máquina e dedicar-se à pesca, com demasiadas falhas na ignição para se poder acreditar que o motor não gripou.

Além disso, o condutor masculino tende a identificar-se em demasia com o objecto de culto que a viatura representa e acaba por lhe vestir os fracassos como seus, numa espiral de frustração que ainda acaba por acrescer factores de mau contacto como o frio excessivo ou outros. Também por isso o flope tradicional (não é o do motor que vai abaixo a meio do caminho - tema para futura posta, é o do que nem chega a pegar e não vai lá sequer de empurrão).

 

Esta questão acaba por justificar o argumento de alguns que, possuindo apenas um 2CV que os aceleras adoram ridicularizar pelo tamanho e pela potência do motor, defendem que tamanho e até potência não são mesmo documento.

É que podemos até ter um Ferrari dos melhores mas quando damos à chave e o motor não pega dávamos o dedo mindinho para termos o tal 2CV, um carro tão desenrascado que se tudo o resto falhar até se pode fazer pegar à manivela...

publicado por shark às 15:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 22.12.10

O CARPINTEIRO FÉRTIL

Se de facto vier a provar-se a existência de um irmão de Jesus será que a Igreja, em nome de Deus e nem que seja para preservar o bom nome de Maria, reclamará a respectiva paternidade?

publicado por shark às 15:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Domingo, 19.12.10

VIRTUALMENTE VULGAR

Se eu divulgar aqui que consumo acima de tudo tintos da casa, só frequento museus nacionais, só calço a marca Camport (o Campeão Português), visto-me na boutique do bairro, o mais próximo de ski que usei foi um skate (ou talvez um carrinho de esferas aqui e além), moro num apartamento dos subúrbios, não tenho particular apetência pelas mulheres sofisticadas e fumo tabaco de enrolar isso transforma-me de imediato num blogueiro insosso?

publicado por shark às 21:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Sexta-feira, 01.10.10

AFLIÇÕES PLEBEIAS

É uma aflição um gajo querer celebrar o centenário da República e a tão poucos dias da efeméride ainda não ter conseguido resolver o dilema inevitável: entre D. Duarte e o Cavaco qual seria a opção que melhor nos serviria?

 

(O diabo já me disse que para esta não está disponível.)

publicado por shark às 10:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Domingo, 05.09.10

PETIÇÃO PELO DOMINGO DE 48 HORAS

Quando é que a Humanidade conseguirá produzir o bastante em apenas quatro dias úteis?

publicado por shark às 22:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 04.09.10

CIBERNEMA

É de mim ou as personagens dos filmes da moda (os blockbusters e assim) parecem sempre saídas de jogos de computador?

publicado por shark às 00:58 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 18.07.10

TÁ A ANDAR DE MOTA

É impressão minha ou a concentração de motards em Faro já conquistou o mesmo estatuto das comemorações do ano novo em Sidney para os noticiários das televisões?

publicado por shark às 20:38 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quarta-feira, 21.04.10

A POSTA NO RENASCIMENTO VISTO À LUPA

 

 

 

Foto: Gaija do Norte

 

 

 

Michelangelo terá levado três anos a concluir a sua eterna estátua de David, esculpida em mármore de Carrara com todo o pormenor. Florença ficou assim definitivamente conotada como berço do Renascimento cultural e turistas do mundo inteiro disputam um lugar na primeira fila dos observadores da famosa escultura. E porquê na primeira fila? - perguntarão as pessoas mais atentas.

 

Bom, começo por referir que quem pretenda enriquecer o seu espólio cognitivo na matéria deve dirigir-se sem demora à Wikipédia.

E volto então à importante questão da primeira fila, embora essa importância se cinja ao cerne desta posta. Claro que a ambicionada proximidade do objecto de culto em causa possui motivações óbvias (“mãe, amigos, vizinhos e colegas de trabalho, estive aqui!”) e outras mais do foro oftalmológico.

 

Ninguém fica indiferente ao rigor anatómico da obra. Mas ninguém fica entusiasmado, sobretudo quando se debruça o olhar sobre a zona dianteira da estátua.

Sim, estou aos poucos a aproximar-me do tal cerne da posta e já há muito ultrapassei o umbigo bíblico em sentido descendente...

É que o heróico David, capaz de derrubar matulões à fisgada, possui na sua representação mais célebre um contraponto a essa relação de grandeza.

Sim, já lá estou.

 

Acontece que quem vê os contornos do rapaz de pedra a partir das costas pode criar determinadas expectativas frustradas quando finalmente contorna o pedestal para a apetecida visão frontal que, para alívio de muitos acompanhantes de pessoas interessadas na coisa, peca um nadinha por escassa.

Ou o Michelangelo deixou escapar sem querer o cinzel mesmo no ponto mais delicado ou o tomba-gigantes é uma estrela anã.

De facto, e por muito boa vontade que se tenha, pouco há a dizer acerca de uma pila que em repouso fica menor do que um polegar do fulano esculpido excepto que é uma alegria saber que estão acessíveis ao público em geral estes termos de comparação tão favorável.

 

É um mistério porque o artista terá optado por um rigor que com toda a propriedade podemos considerar milimétrico, embora se presuma que terá a ver com o pudor herdado da Idade Média que obras como esta ajudaram a enterrar nas trevas.

Contudo, bem vista a coisa, podemos sempre considerar que o grande pintor, escultor, poeta e arquitecto entendeu simbolizar (escolheu o centro das atenções, não é?) que depois dos tempos medonhos, a Europa meio morta estava mesmo precisadinha de uma renascença...

 

 

 

o pila curta de michelangelo

 

publicado por shark às 00:16 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Segunda-feira, 12.04.10

NÃO SE APONTA QUE É FEIO?

O que tem de feio esticar um braço e um dedo indicador (estranho... porque terá tal nome?) para remeter o olhar ou a atenção de outra pessoa directamente para onde se pretende?

A pessoa parva que inventou esta regra nunca deve ter precisado de perguntar o caminho para algum lado no meio de nenhures.

 

Ou enfiaram-lhe o dedo num olho no meio de uma explicação mais entusiástica...

publicado por shark às 15:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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