Quinta-feira, 20.06.13

Charquinho forever!

A alguns já não os via há quase duas décadas, mas a sensação foi a mesma de quando nos encontrávamos, de raspão, nos sítios marados para os quais as noites loucas nos arrastavam. Cresceram comigo, no Bairro que dá nome a este blogue. Estamos diferentes mas sentimos igual. Os abraços que trocamos são fortes, são abraços de quem não consegue disfarçar uma alegria que nos invade quando esbarramos com pessoas que são referências. Anos sem contacto, a vida é mesmo assim, não conseguem apagar emoções tão antigas que remontam à nossa génese como pessoas.

São os primeiros rostos que aprendemos a reconhecer, os primeiros desgostos, as primeiras arrelias, mas também tudo quanto de bom conseguimos lembrar do tempo em que o Charquinho era o nosso berço, a nossa escola de vida, o espaço em que os amigos cresciam connosco e aprendíamos uns com os outros esta difícil arte de saber viver.

 

Encontro-os a cada esquina, sempre que dou um pulo ao nosso Bairro e até calha que eles, desterrados como eu, escolheram o mesmo dia para matar saudades.

 

Sem sucesso, pois essas cabras são eternas. Só connosco morrerão.

publicado por shark às 14:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Quarta-feira, 15.05.13

Faz de conta que um dia

Faz de conta que um dia sentiste na pele o toque dos dedos que te escrevem agora uma prosa ficcionada, uma história construída sobre os alicerces de memórias como peças de lego num puzzle que alinhamos a dois em quartos separados, tira e põe, põe e tira, pedaços de fantasia encaixados em retalhos de vida conversada como ela também se faz.

Imagina um enredo e transforma-o num segredo que tencionas soprar, palavras confiadas ao vento que as carregue para só eu as ouvir, murmuradas lá fora na dança das folhas que se sonham páginas de um livro ainda por escrever, para só eu as ouvir e assim quase me poder sentir especial, quase protagonista.

 

Faz de conta, numa espécie de fogo de vista capaz de me incendiar ilusões, que um dia te despertei emoções proibidas, sensações vividas numa assoalhada clandestina da tua imaginação, como se alguém abrisse um alçapão no tecto dessa casa assombrada por fantasmas a fingir, o som distante de pessoas a rir das palavras oferecidas apenas porque sim, num dia em que fizeste de conta que pretendias ouvir contar uma história com sentimentos de brincar, beijos de encantar num guião improvisado sem um príncipe encantado que te pudesse fazer sentir na pele, faz de conta, o sopro quente da brisa de uma respiração carregada de palavras doces, clandestinas, levadas até ti pelo vento suão. 

publicado por shark às 00:34 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Terça-feira, 14.05.13

Palavras para quê?

Olho nos olhos das palavras, atrevido. E elas punem-me pelo arrojo, conscientes do quanto não possuo aquilo, seja o que for, que me conceda o direito de olhá-las assim. Sorriem com desdém, fazem troça do meu atrevimento e ignoram em absoluto a minha veleidade de escriba amador e amante inferior das suas tentações demoníacas, das ilusões que estendem como um falso tapete vermelho neste branco imenso que desafia os atrevidos como eu.

Olho-as com respeito e tento usá-las a preceito mas as palavras jamais se deixam usar, rebeldes por natureza, independentes da vontade de quem se arvora capaz de as manobrar a seu bel-prazer, superiores a todas as vaidades humanas.

E a minha, ridícula aos seus olhos de fêmeas bem rodadas, de palavras muito usadas, experientes, apenas belisca ao de leve a fina cútis que as protege dos arremedos de insignificantes prosadores, elas que já serviram para descrever intensos amores ou prodígios da inteligência.

 

Olho nos olhos as palavras e esboço um sorriso patético, ciente da sua incomensurável superioridade que me esmaga mas não me impede de as confrontar. Absurdo, entrego-me às palavras e ofereço-lhes a rendição.

publicado por shark às 20:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Segunda-feira, 01.10.12

A POSTA NUM ISCSP COMO O MEU

Há factos que, por muito que uma pessoa tente evitar, acabam por forçar a pele de dinossauro por baixo da jovialidade que tentemos transmitir e até sintamos na maioria do tempo.

Contudo, quando a mudança de década implica meio século de existência e um gajo está mesmo prestes a dobrar esse marco de transição acabamos por ceder à pressão dos acontecimentos, reagindo em função de emoções antigas e de recordações deslocadas do contexto pela passagem de tempo que parece sempre tempo demais quando o avaliamos assim.

 

Eu fui um iscspiano. Ou seja, frequentei a mesma casa do puto a quem o actual presidente do ISCSP quer fazer a folha por lhe ter hostilizado o chefe em dia de festa. A casa era outra, um palácio belíssimo da rua da Junqueira, e o espírito da coisa pelos vistos também. O ISCSP era a casa de Adriano Moreira, Narana Coissoró, Basílio Horta, Reboredo Seara e muitos outros desse calibre, fervilhava de debate político, ideológico, e o espaço, pela dinâmica da intensa intervenção estudantil, acabava por ser um viveiro de eventos e ponto de passagem para algumas figuras ilustres da política que nessa altura se fazia.

Mas uma casa daquelas não é feita pelas paredes e sim pelas pessoas que lhe dão vida, pelo que ser iscspiano deverá representar nesta altura o mesmo que representou para mim.

 

Esse orgulho pela escola (que nunca viveu da popularidade da sigla que a identifica de entre as várias faculdades da Universidade Técnica de Lisboa) é feito da consciência que tomamos da responsabilidade de pertencer a uma instituição com pergaminhos. Os do ISCSP são escritos pela mão de pessoas reconhecidamente inteligentes, as mais ilustres que por lá passaram, e pelas de quem, como eu, deve assumir a obrigação moral de respeitar os valores mais importantes dos que lá se ensinam e se fazem (ou pelo menos no meu tempo se faziam) acontecer.

No ISCSP existiu sempre um espaço para a irreverência e foi nesse mesmo que encaixei, obrigado por isso a conquistar o respeito dos meus pares que não o ofereciam de mão beijada a qualquer mariola, tal como acontecia com o corpo docente liderado por um conservador alegadamente inflexível e assumidamente de direita, Óscar Soares Barata, que depressa se revelou aos meus olhos boémios mas atentos como um homem tão inteligente no ensino quanto hábil na liderança.

 

Ele era The Man, apesar do seu perfil menos mediático, e constituía o papão de serviço para a caloirada mais facilmente impressionável ou para os idiotas que sempre arranjam maneira de se infiltrarem nestes sítios.

Porém, mesmo quando começaram a ruir algumas tradições e a surgir focos de contestação e de rebeldia (a guerra contra as propinas foi vivida nessa altura e acelerou os corações e as cabeças residentes), o então líder absoluto do ISCSP sempre encontrou uma forma de compatibilizar a sua postura austera com o espalhafato típico de uma massa estudantil informada e empenhada em melhorar as condições do ensino e mesmo a da gestão do espaço em função dos interesses legítimos dos estudantes da altura, nomeadamente o contingente africano para o qual toda a ajuda era pouca.

 

O então Presidente do ISCSP era, de facto, um homem cujo olhar desarmava muitos atrevidos da treta e cuja argumentação confirmava a sua impaciência para com os excessos e as iniciativas ou discursos desprovidas de substância, qualquer que fosse a inclinação político-partidária dos seus interlocutores. Sabia distinguir as suas convicções das exigências da função que lhe competia desempenhar e pensava antes de tomar cada decisão, sendo poucas as que lhe conheci que o pudessem favorecer de forma directa, mas bastantes as que resultaram em benefício de quem vivia no ISCSP muito mais do que na própria casa.

 

Nesse ISCSP estudava gente de todo o lado e de todo o tipo, havia os que passavam discretos pelas aulas e completavam uma licenciatura sem nunca intervirem de alguma forma no resto do que à sua volta acontecia. Mas também havia o seu oposto e quando se justificava toda a gente se mobilizava em torno das causas por abraçar e uma delas era a solidariedade para com os colegas, os iscspianos a quem algo de menos bom pudesse acontecer.

Nesse ISCSP o Presidente jamais tentaria entalar um aluno por revelar coragem ou desespero, mesmo que isso pudesse embaraçar algum tipo de protocolo. E jamais os alunos daquela casa permitiriam que isso pudesse acontecer a um dos seus, sobretudo com os contornos estupidamente claros da ligação entre Manuel Meirinho (candidato pelo PSD na Guarda nas últimas Autárquicas e actual Presidente do ISCSP) e a decisão do próprio de abrir um inquérito disciplinar por simples vingança. Por abuso de poder.

 

E perante este episódio só uma reacção colectiva firme e determinada, um movimento estudantil digno desse nome, pode fazer a diferença.

Essa, em qualquer espaço físico, é a alma do ISCSP que espero agora reconhecer.

publicado por shark às 22:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (1)
Quarta-feira, 18.07.12

A POSTA NA PROPOSTA CERTA COM A MAIORIA ERRADA

O Bloco de Esquerda finalmente vai honrar os seus pergaminhos (e o seu discurso) com uma proposta digna de uma alternativa séria de poder.

publicado por shark às 19:09 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quinta-feira, 07.06.12

CAPITULAÇÃO EMUDECIDA

Nada temas das palavras que tenha para te dirigir. Sim, sei que as palavras podem ferir mas não passam de balas de papel, de folhas sopradas pelo vento e condenadas ao esquecimento como todas as que sentiste na pele como agressões. Eram palavras que falavam de emoções desnorteadas, das vidas desencontradas com a de cada um de nós ao longo de um caminho que apenas o silêncio permitiria a dois.

A paixão primeiro e as palavras depois, descabidas, talvez mal escolhidas por quem as queria iguais a uma mão cheia de boas intenções que se mereciam explicadas, talvez menos com palavras e mais com acções.

Não fujas, mesmo assim, das palavras que saem de mim sem controlo, desesperadas, são palavras de um tolo, disparadas à queima-roupa fardadas de mecanismos de defesa sem qualquer tipo de ponderação. Saem da boca armada em canhão, arrogantes, e afinal revelam-se impotentes para cumprirem o objectivo ambicionado, não passam de tiros que passam ao lado do alvo verdadeiro sem o tocarem sequer de raspão.

Escuta antes o coração que não se deixa influenciar por circunstâncias, que ignora irrelevâncias exteriores à essência dos amores que entenda abraçar. O coração não sabe falar e a razão, depois de alucinada, dispara palavras em rajada que são feitas do medo de perder alguém que apesar de tudo se quer ou nenhuma palavra sairia desta boca que antes te beijaria em busca do silêncio feito trégua.

As palavras não merecem a mágoa que possam provocar, são por natureza efémeras e em nada reflectem a eternidade das mais fortes emoções, as palavras são apenas as expressões tangíveis de uma tentativa frustrada de conjugar os impossíveis, de organização de um caos que se instala no lugar dos vazios deixados pelo fim de um amor ou apenas pela ameaça pendente que obriga a vociferar e isso é equivalente ao ladrar de cães sem vontade alguma de morder.

São palavras que fazem doer, eu sei, mas não passam de armas de arremesso em desespero de causa, são feitas de pólvora seca ao longo de uma pausa que deveria servir para pensar que o melhor para os lábios seria beijarem o que a vida tem de bom.

Uma vida melhor, facilitada pela ausência de som.

publicado por shark às 16:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Segunda-feira, 26.03.12

COM CHAVE DE OURO

Por vezes só nos apercebemos da relevância de alguns momentos quando mais tarde nos confrontamos com algum símbolo, algum gatilho para a lembrança de sensações que revivemos com tanta nitidez que se torna impossível confundi-las com episódios passageiros ou experiências menores.

Algumas dessas realidades marcantes podem funcionar como chaves do cadeado de um qualquer baú da nossa tola onde enfiamos tudo aquilo com o qual não conseguimos lidar, pelo menos com a distância relativa que sempre acreditamos o tempo proporcionará.

E é quando nos vemos perante a inevitabilidade de aceitar o impacto de determinadas emoções que julgávamos esvaírem-se em amnésia ao longo do caminho que, quase embaraçados, reconhecemos as memórias e as pessoas que perduram uma vida inteira e engolimos em seco quando o coração dispara e tentamos fingir que não percebemos porquê.

 

Julgo ser normal que tentemos arquivar no mesmo ficheiro a totalidade, coisas boas e coisas más, de uma experiência que por algum motivo sabemos não ser possível de repetir. Chamam-lhe mecanismos de defesa, estas tentativas vãs de converter em arquivo morto tudo aquilo que possamos sentir como um desgosto, uma desilusão, uma derrota. E por norma não defendem de coisa alguma, expostos que estamos às esquinas da vida nas quais podemos chocar de frente com a tal realidade incómoda que a preguiça ou algum receio não assumido ou seja o que for nos levou a encaixotar, em local recôndito, para evitar perturbações desnecessárias.

O problema está em parte contido nessa definição de prioridade que torna o conceito de necessidade numa coisa invulgarmente flexível: apanhado de surpresa, o tal mecanismo de defesa funciona como os alarmes dos carros quando ligados a uma buzina roufenha e simplesmente não cumpre o seu papel dissuasor de lembranças perturbadoras.

 

Logo à partida, esse sistema de vigilância instalado para impedir o acesso involuntário a coisas que preferimos discretas num canto tem um desempenho directamente proporcional à firmeza de intenções de quem o montou. Quando queremos mesmo encerrar o assunto é como se tivéssemos a segurança pessoal do Presidente Obama de sentinela à porta, mas se apenas tentamos varrer para debaixo do tapete aquilo que nos possa afectar em dada altura é como se a combinação do cofre fosse deixada num post-it cheio de cores berrantes para prender a atenção da pessoa.

Não existe uma defesa para as defesas feitas de papel, construidas apenas para criar uma barreira artificial de olhos que não vêem coração que não sente e deixá-la à mercê do vendaval que pode ser provocado pelo agitar das asas de borboletas no Japão ou pela simples evocação de emoções tão fortes que até uma palavra, um gesto ou um som podem fazer explodir de repente na mente desguarnecida do cidadão.

 

É essa a inevitável provação que espera os incautos fiados na virgem do esquecimento destinado às situações e pessoas sem rasto e mesmo sem rosto mas que afinal de pouco ou nada vale quando estão em causa os tais momentos que perduram, latentes, na essência do que valeram e na excelência do que continuarão a valer.

publicado por shark às 01:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 17.03.12

A POSTA NUMA CAUDA DO TAMANHO DO UMBIGO

Um dos maiores desafios que me foram colocados na adolescência foi o de conseguir chamar a atenção pela diferença (uma das abordagens mais radicais mas igualmente muito eficaz nessa fase, nessa época), algo que ficava bem a um jovem aspirante a rebelde, até porque a New Wave e o Punk introduziram no visual da rapaziada uma variedade de cortes e de cores suficientemente espalhafatosa para clarificar a postura.

E garanto-vos que não era fácil impor a tal diferença de forma passiva, com uma aparência quase normal a ombrear com franjas até ao umbigo, caracóis oxigenados até à raiz ou clones do último dos moicanos com um tufo de cabelo espetado como o de um piassaba a fazer de faixa central num crânio rapado à máquina zero all around.

 

Era esse o filme que nos esperava nas matinés do Beat ou do Porão da Nau nas quais urgia dar nas vistas perante as miúdas para ser possível a esperança de um engate, algo de muito significativo do ponto de vista do adolescente com pila naquela altura e espero que no de agora também.

Claro que ajudava ter um rosto apresentável mas era quase inevitável que elas se concentrassem nos pormenores que faziam a tal diferença que nos distinguia por entre os litros de acne e metros cúbicos de hormonas destrambelhadas espalhados pelas salas em busca do seu momento especial.

Aprendíamos depressa que mais importante do que uma cara bonita era a expressão que lhe colávamos que podia fazer a diferença entre as resmas de trombas de otários cheios de tiques de tanto sacudirem as carolas para tirarem as franjas dos olhos. A partir daí, desse instante mágico em que ela nos fixava com o olhar e fazia-se um clique qualquer que abria as portas ao curtir, que eram umas horas intermináveis de beijos na boca e pouco mais do que a promessa de algo mais que seria sempre algo marcado para amanhã ou depois logo se via.

 

Esses rituais de acasalamento acelerado à luz das psicadélicas ou em movimento retardado pelo estranho piscar do strobe eram o primeiro agitar das penas enfezadas na cauda de qualquer jovem pavão, assumindo-se assim vitais para a manutenção de um ego confiante e de uma atitude a condizer, numa guerra sem quartel pela quota de mercado disputada no mesmo território de gajos capazes de passarem uma hora ou mais na manutenção das suas cabeleiras espaciais e que julgavam sempre réplicas perfeitas das trunfas do Limahl ou dos gajos dos Duran Duran.

Mesmo admitindo que a essa concorrência feroz dei o mesmo tratamento que ainda hoje costumo aplicar, transformando aquelas superproduções capilares em sinais claros de desespero de causa por escassez de argumentação alternativa que, depois de refinado o paleio pela observação atenta dos discursos dos mais bem sucedidos no bairro ou na escola, servia de contraponto para a música com que abafávamos a que mal nos permitia trocar mais do que três ou quatro palavras seguidas, tenho que enfatizar a dificuldade enfrentada por quem queria marcar a diferença sem precisar para isso de seguir um padrão...

 

Tudo isto a propósito de como as coisas não mudam tanto assim com o tempo e continuam a dar cartas os gajos que mais investem no visual, seja porque se depilam ou porque vão ao ginásio dia sim dia também ou porque usam os óculos de sol que mais estiverem a dar nessa semana. E serão gajos igualmente capazes de utilizarem uma hora da sua existência para cuidarem de tudo ao pormenor, de abraçarem visuais extravagantes no limite do inenarrável ou de qualquer outro recurso numa guerra onde vale tudo menos arrancar olhos para dar nas vistas e ultrapassar assim a barreira inicial, a da indiferença, sem precisarem de outras armas para vencerem a primeira das batalhas.

Contudo, e também isso não muda com o tempo, o último a rir continua a ser o que ri melhor.

 

E na verdade o que interessa, quando a poeira assenta, é um gajo conseguir sempre saber onde estava afinal a piada.

publicado por shark às 23:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Sexta-feira, 29.04.11

A POSTA QUE ESTOU ENCANTADO

O mais recente trabalho que a marafilha trouxe para fazer pela disciplina de Área Projecto é construir um blogue.

Agora digam-me como é que eu posso não ficar sensibilizado e agradado com uma Educação que põe os miúdos a fazer coisas assim?

publicado por shark às 21:26 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Terça-feira, 29.03.11

A POSTA AGRADECIDA

Tempos atrás, quando foi divulgado o estudo rigoroso que concluía serem as mulheres portuguesas as europeias mais satisfeitas do ponto de vista sexual, assisti a um festival de cepticismo a que nem os meus homólogos conseguiram escapar.

Era mentira, era exagero, era engano. Era tudo o que pudesse desmentir tal pressuposto, embora baste circular pelas ruas de uma Lisboa e de uma Bruxelas, por exemplo, para dar de caras com o desnível no número de expressões típicas de mal fodidas.

 

Se um inquérito não é documento, um mapa também não será. E o tamanho é generosamente descredibilizado pela maioria nessa condição.

No entanto, somam-se os indicadores da supremacia lusitana em matéria de qualidade dos seus machos e agora começam a surgir também no que concerne à quantidade, conduzindo à evidência que arrasta multidões de gajas com bronze-lagosta e sotaque nórdico às delícias da época balnear portuga.

 

Os homens portugueses são mesmo os melhores e isso não oferece discussão. Mas por onde passa, para lá do desempenho do equipamento e do calibre da instrumentação, essa primazia sobre os pilas de todo o planeta?

Nisso abraço um raciocínio darwiniano e, em rigorosa excepção, até abdico em boa medida da minha prezada meritocracia:

Como qualquer ser vivo na Terra, os homens evoluem em função da combinação genética bem sucedida (uns centímetros de vantagem competitiva mais um cérebro a condizer) mas dependem sobremaneira dos estímulos exteriores, do meio ambiente que os rodeia.

E aí entram elas, as melhores da galáxia e isso nem requer estudos ou inquéritos para confirmação, as portuguesas cuja superioridade sobre as restantes fêmeas da espécie é tão arrasadora que desde pequeninos os portugueses buscam a perfeição para poderem corresponder às expectativas das suas parceiras e, it's a jungle out there, não darem abébias à concorrência além-fronteiras.

 

Portugal, de entre todas as nações descendentes dos símios, tem mulheres que herdaram o suprassumo das suas antepassadas primatas e tornaram-se nas melhores macaconas ainda antes do surgimento do Neandertal. Talvez até ainda antes de nascer o Manoel de Oliveira.

 

E eu, patriota devoto e apreciador inveterado, agradeço ao destino com humildade e alegria a sorte de ter nascido no país certo e de poder assim usufruir das melhores referências para me guindar a uma fama e a um proveito que cerro nos punhos de forma egoísta mas sempre tentarei contrapor como um mãos largas na partilha com elas desses dons que, em última análise, me concederam.

 

__ // __ 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

NIÑA, Paco - La Evolución del macacon - ed. Pilon, 1969

PACOVA, Yurina - Go West - ed. Tovarich, 1989

HOLMES, John - My portuguese greatgrandfathers - ed. Gina, 1974

LOVELACE, Linda - Anything but a portuguese one! - ed. Penis Match Point, 1975

CAMARINHA, Zezé - Guia Michelin das Melhores Quecas - Ed. Mabor, 1980

SAIKARO, Hiroku - Não são assim tão pequenos, as japonesas são umas gueixinhas - Ed. Sayonara, 1998



publicado por shark às 19:44 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Domingo, 06.03.11

DEPOIS DO PANTERA TEMOS O GAZELA NEGRA

O Francis de África ofereceu ao país que o acolheu mais uma medalha de ouro, desta vez nos 60 metros.

publicado por shark às 22:02 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 10.12.10

A POSTA NA DIGNIDADE E NO BRIO DAQUELES QUE JÁ NÃO SE USAM

Presumo que existirá uma explicação lógica para o fenómeno mas a verdade é que somos mais lestos na passada quando queremos dizer mal do que quando está em causa o contrário. É assim na vida falada como o é na sua dimensão por escrito.

O meu caso concreto não constitui excepção nesse particular. Contudo, existem factos e circunstâncias que não me permitem a preguiça no elogio tal como antes não facilitei na crítica e é esse o caso de um contencioso com a PT COM que vos reportei numa posta tempos atrás, cuja resolução (inesperada para mim, confesso) justifica que tome um pouco do tempo de quem me lê para contrapor com a mesma visibilidade uma actuação que se coaduna por completo com aquilo que tomo por correcto e, nestes tempos desrespeitosos, por caso raro.

 

Em causa não estava uma fortuna, estava uma quantia que nem justificaria qualquer tipo de intervenção jurídica e nem era essa o cerne da minha questão. Esse assentava na questão de princípio, a mesma pela qual me bato há anos numa actividade como a seguradora e com muito mais sucessos do que confirmações de pressupostos populares mas nem por isso acertados.

As empresas são organizações feitas por pessoas. No entanto, as organizações tendem a associar ao crescimento uma desumanização dos processos que passa, por exemplo, por questões como a que me desgostava e dei conta na tal posta.

E aí entra em cena pela porta que mais me poderia satisfazer alguém ligado à PT COM que leu o meu desabafo e, sem sequer aproveitar a visibilidade de uma caixa de comentários, contactou-me por email no sentido de saber se podia ajudar na resolução do problema.

 

Céptico mas agradavelmente surpreendido com a iniciativa forneci os dados necessários para a identificação do problema e em poucos dias o assunto ficou resolvido com a dignidade que damos por perdida no turbilhão da voracidade comercial que multiplica as indecências a que somos expostos.

Seria o caso, na minha perspectiva, se a PT COM insistisse em cobrar um serviço que seria fácil de provar não ter sido utilizado. E seria igualmente fácil à empresa fazer finca-pé nas letrinhas pequenas de um contrato que assinei quase de olhos fechados mas que dizia preto no branco aquilo que recebi como uma surpresa.

Ou seja, com a faca e o queijo na mão e tendo em causa apenas um entre milhões de clientes, a PT COM abdicou do lucro fácil em abono da dignidade no comportamento que fica muito bem às pessoas mas ainda fica melhor, pela excepção à regra que se constitui, a organizações colossais como a que me fez renascer a esperança nas pessoas que fazem as empresas, ainda que possam constituir um grupo minoritário que afinal faz toda a diferença.

 

A PTCOM (Telepac e Sapo, no caso concreto) abdicou de forma voluntária de me cobrar algo que a lei lhe permitia mas a moral proibia.

E se eu revelei aqui a indignação que me provocava a insistência na dita imoralidade, espero que transpareça de forma clara e inequívoca a minha gratidão ao meu leitor diligente, não pelos trocos que me fez poupar (numa altura em que todos fazem falta) mas pelo facto de em simultâneo ter provado digna de toda a confiança a empresa que representa e me ter poupado ao desconforto que se sente quando nos achamos traídos pelas regras do jogo, arruinando com essa manifestação de boa fé quaisquer veleidades das empresas concorrentes no sentido de me desviarem da empresa de telecomunicações que tanto me orgulha enquanto espelho da verdadeira natureza portuga.

publicado por shark às 16:03 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sexta-feira, 29.10.10

DA PALAVRA AMANTE

Penso-te com cuidado, para não te desvirtuar, tão perfeita, nesse ou noutro lugar que não a minha cabeça que te pensa como uma peça frágil, de porcelana, para não te quebrar, tão intacta.

Toco-te de raspão, apenas com os dedos sensíveis da imaginação que te alberga, tão perfeita, nesse ou noutro tempo que não este sagrado momento em que me ocupas por completo, me cegas a tudo o resto, tão importante, a tua presença constante em mim que te penso com cuidado para jamais desperdiçar no meio de raciocínios levianos o milagre de te amar há tantos anos como os que tenho de percepção do que sou.

 

Mimo-te como posso, o pouco que dou em troca, nunca o bastante para merecer cada instante em que te ofereces ao pensamento e corres como o vento, veloz, da nascente até à foz onde desaguas, tão certa do caminho que te cumpre percorrer, em mim ou noutra cabeça que te acolha e se renda ao poder que cresce em ti, que jorra sobre os olhares interiores daqueles que tentam ser melhores quando te pensam com a delicadeza de quem afirma sem medos a certeza,a convicção, de que igualmente te mereceu, capaz de te amar tanto como eu.

Digo que sim ou digo que talvez, aquilo que se faz, aquilo que se fez, não conta no momento em que és minha, aí, nesse ou noutro lugar, na cabeça que tenta imaginar a forma que acredita melhor para te servir, que igualmente te dás a sentir, tão indefesa, por detrás dessa natureza indomável que escondes até ao momento de partir, tão volúvel, para o mundo que te descubra, com cuidado, para não te negligenciar com a ignorância que combates, tão feroz, desde a nascente até à foz onde te transformas numa imensidão que preenche por completo a imaginação que te receba, que te decifre e te perceba como tento, sem sucesso, quiçá, neste momento em que disponho da tua presença para o lograr.

 

Acredita que me esforço por te pensar tão perfeita como uma deusa, senhora da agonia e da tristeza, dona da alegria e da beleza, rainha do céu na boca que beijas ao sair quando por fim te deixo partir para o mundo, que não és minha, que te descubra o sentido que não quero, de todo, perdido ao longo do caminho que te cumpre, neste ou noutro tempo, percorrer.

 

Desde que te penso até ao momento sagrado de te escrever.

publicado por shark às 21:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 17.05.10

OBRIGADO, PEIXA!!!

Foste a única pessoa da blogosfera a assinalar a efeméride.

:)

publicado por shark às 00:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Domingo, 06.12.09

A POSTA JAMAIS CENSURADA

Gritos de horror na masmorra de um tempo enterrado. Gente oprimida pela mordaça de um passado doentio que matava pela fome, pela doença e pelo frio e agora é um tempo sepultado pela diferença que a Liberdade faz, a lembrança na lápide (ali jaz) para que não se esqueça tudo aquilo que não admitimos ressuscitar.

 

Gritos de amor na cama de um momento apaixonado. Gente que se ama num presente oferecido que é o futuro daquele passado que a Liberdade provou ser capaz de alterar, nesta paz em que podemos amar sem o medo da prisão ou do degredo que as cicatrizes da História não permitem esquecer.

 

Gritos de ódio nas ruas invadidas pelo terror. Gente subjugada e sem tempo para o amor, obrigada a fugir se não quiser engolir em seco o domínio imposto por uma força qualquer, no mesmo tempo, sem um motivo sequer que não a conjuntura desfavorável que alimenta uma revolta imparável quando a força da união, blindada pela razão, faz acontecer a Liberdade de pensar que é a mola da vontade de reagir e assim nasce uma Revolução.

 

Gritos de alegria que anunciam o parto no meio da rua. Gente que se assume amante da Liberdade conquistada e a garante protegida para ter tempo de crescer, num tempo em queremos fazer o amor sem restrição com as ideias à solta na mente e as palavras que voam da boca, enviadas pelo coração. 

publicado por shark às 13:02 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 21.10.09

CAMISOLA AMARELA

Num país onde a ética raramente surge como prioridade quando estão em causa interesses financeiros/comerciais e sobretudo, e para meu particular regozijo, numa actividade sempre olhada de esguelha nessa matéria pela opinião pública, a atitude da Liberty Seguros relativamente aos casos de doping na sua equipa de ciclismo merece todo o destaque que lhe consigamos dar.

 

O caso foi sobejamente divulgado na Imprensa e por isso não vou pegar por aí. Resumo apenas o seguinte: três ciclistas da equipa patrocinada pela Liberty Seguros, nomeadamente o vencedor(?) da última edição da Volta a Portugal, foram apanhados a competir com substâncias proibidas.

Não faltam exemplos de situações similares que são de alguma forma ignoradas ou mesmo abafadas por quem defende primeiro o dinheiro e só depois os princípios, ao ponto de quase acharmos normal que assim se proceda.

 

Contudo, José de Sousa, o CEO da Liberty Portugal, já deu provas de não alinhar por essa bitola e este episódio ilustra a diferença que o distingue aos meus olhos da maioria dos seus pares.

É o próprio quem afirma: Mesmo antes de a notícia vir oficialmente a público, antecipámo-nos na gestão da crise e mandámos de imediato um comunicado para as redacções dos jornais a dizer que para a Liberty Seguros o ciclismo acabou e que se retirava de imediato o apoio e patrocínio à equipa.

E ainda acrescenta, num toque pessoal pouco costumeiro nos gestores de topo: Para mim, pessoalmente, foi com uma sensação de profunda e indescritível tristeza e desapontamento que tomei conhecimento da notícia. Envolvi-me, de alma e coração, no apoio à equipa, fui sempre muito claro, em público e em privado, que não entenderia nem toleraria o menor deslize num aspecto que para nós é dogmático e, portanto, foi como ter recebido um soco directo ao estômago.

 

São vários os aspectos que me fazem sentir orgulho, enquanto profissional dos seguros (destaco que não tenho ou tive qualquer ligação comercial com a empresa) e na pele de cidadão português, da atitude desta empresa e do seu responsável.

Mas saliento o facto de se tratar de uma posição diferente das que nos habituámos a encontrar, tendo em conta que a Liberty Portugal responde perante uma casa-mãe nos E.U.A. (imagine-se o embaraço da justificação para a perda financeira daqui resultante, bem como o dano na imagem da marca).

O repúdio visceral perante a batota prevaleceu e a dignidade, essa desaparecida, pautou a reacção espontânea da organização e do seu líder.

 

E só por isso merecem sem dúvida o meu respeito e o profundo agradecimento pelo exemplo que se constituíram e espero venha a fazer escola neste país de vergonhas escondidas e de posições duvidosas.

publicado por shark às 12:00 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Terça-feira, 24.06.08

PESSOAS MELHORES

Sinto-me sempre agradecido quando me deparo com alguém, profissionais, que no meu polémico ramo de actividade jogam limpo e confiam na honestidade e no bom senso de cada um/a em vez de apostarem apenas na sorte que, desgraçadamente, quando falta pode prejudicar imenso os cidadãos que me compete servir.

Ou seja, em vez de aguardarem pela primeira surpresa desagradável que nos ensina a evitar futuros desgostos optam por abrir o jogo e colocar as cartas na mesa: é assim, agora veja...

 

E eu vejo. Vejo a diferença que as pessoas podem fazer nos destinos umas das outras quando são dignas de confiança e possuem brio e ética profissional.

É com gente assim que me dá gosto trabalhar.

publicado por shark às 17:48 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

Postas mais frescas

Para cuscar

2017:

 J F M A M J J A S O N D

2016:

 J F M A M J J A S O N D

2015:

 J F M A M J J A S O N D

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

2005:

 J F M A M J J A S O N D

2004:

 J F M A M J J A S O N D

Tags

A verdade inconveniente

Já lá estão?

Berço de Ouro

BERÇO DE OURO

blogs SAPO