A posta que há só uma

Arrogantes, julgamos ter uma noção acerca da forma como enfrentaremos um dia determinado acontecimento. Acreditamos até que estamos preparados, que fomos capazes de interiorizar uma qualquer defesa construída com a racionalidade de quem, ingénuo, se pensa capaz de gerir as emoções. E é mentira, é ilusão, é uma triste tentativa de construção de barreiras de papel, de sacos de areia patéticos que nem uma enxurrada de lágrimas interiores conseguem conter.

 

Surge sempre na existência da maioria de nós um momento capaz de fazer desmoronar todas as veleidades acerca dessa pressuposta resistência ao que a vida trouxer. Porque a vida também sabe levar, também sabe roubar os dados adquiridos em que se transformam as realidades e as presenças que tomamos por eternas, tanto quanto nos presumimos de alguma forma imortais. Contudo, não depende da nossa vontade a capacidade de resistir, a habilidade para reagir de acordo com aquilo que afinal não passa de uma previsão infantil.

 

As emoções, selvagens, nunca se deixam domesticar.

 

A lei da vida, talvez a única que não conseguimos desrespeitar, impõe regras simples, ciclos inevitáveis com um princípio e depois um meio a galope rumo ao fim que rejeitamos, ao longo do tempo tolo em que acreditamos num para sempre que não passa de uma armadilha, de uma fantasia absurda que o tempo se encarrega de desmantelar.

Uma máquina que alguém irá desligar à hora predestinada ninguém sabe porquê.

 

A minha mãe acreditava ser possível conquistar, pelas boas acções e pela fé, um lugar no céu.

A mim, resta lidar com os vários infernos à solta nesta cabeça fraca que não os adivinhou, incapaz de entender aquilo que o coração agora lhe grita, desorientado, por saber que o dela, tão fatigado, entretanto parou.

publicado por shark às 02:02 | linque da posta