A posta na questão dos princípios

Todos temos limites para o que estamos dispostos a aceitar. Sendo uns mais flexíveis que outros, tentamos ainda assim preservar intactas algumas fronteiras que nos protejam das agressões do exterior como as entendemos quando violam de forma grosseira a tal linha que separa o aceitável do impossível de tolerar.

É um direito que temos por adquirido, o de impormos um ponto a partir do qual não estamos dispostos a ceder por nada e por ninguém. Sob pena de abdicarmos de nós mesmos num processo de cedências excessivas.

 

Raramente os outros sabem respeitar esses limites, preferindo esticar os seus até para lá da linha invisível a partir do qual nos perturbam. É comum e só não assume proporções desastrosas quando quem vai longe demais reconhece o seu lapso ou abuso e repara o mal feito. Com um simples pedido de desculpas, depois de corrigido o erro assumido, qualquer pessoa acaba por esquecer o sucedido.

Todavia, não é esse o caminho seguido pela maioria. Fingem não entender o que está em causa, preferindo defender a bonomia das suas intenções. Nada de mais errado, pois ao fazê-lo pretendem legitimar, por exemplo, faltas de respeito que alguns não encaixam.

Essas pessoas negligentes só percebem a dimensão do equívoco quando sentem na pele o mesmo ferrão que antes tentaram desvalorizar por ser o seu.

 

Esse esfregar da realidade dos factos na cara de quem os subestima quando lhe convém não é uma vingança mas uma reposição do equilíbrio necessário nas relações. Os limites passam a ficar claros nas palavras e nos actos de quem fingia não perceber a dimensão da sua asneira. Ou então as relações soçobram por falta de sustento, por falta do respeito que deve presidir em qualquer domínio das relações humanas.

A leviandade na atenção a estes detalhes que a todos nos compõem tem sempre um preço: a humilhação da pessoa desrespeitada nos seus limites mais sensíveis. E depois há quem engula em seco e se deixe ir adulterando no carácter, pelo amor a algo ou a alguém ou apenas por obrigação, como há quem reaja de forma mais enérgica.

Há aqui uma relação clara de causa-efeito cuja ordem não é arbitrária: há quem lança a primeira pedra e quem leva com ela e a devolve como troco.

 

No cerne da questão está a dificuldade em alinhar comportamentos com a tolerância de quem pretende fazer parte de uma outra existência que não a sua. E o equilíbrio é sempre a resposta.

E quando essa falha só restam perguntas difíceis e, logicamente, relações muito mais desequilibradas.

 

Ou nenhumas.

publicado por shark às 22:45 | linque da posta | sou todo ouvidos