Segunda-feira, 30.08.10

A POSTA QUE NÃO DÁ

Há muitas maneiras de sentir e de viver emoções. Aliás, essa é uma das características que nos distinguem e costuma ser determinante, por exemplo, no acerto de agulhas que cada relação implica.

Tenho aprendido que saber dosear as emoções em função do seu peso nas outras pessoas é a única forma de acautelar desilusões. Isto porque os desequilíbrios emocionais, que cedo ou tarde se traduzem em conflitos ou, no mínimo, em danos na auto-estima de uns e na pachorra de outros são impossíveis de gerir sem perdas associadas.

 

Há pessoas que se deixam arrastar pela emoção porque só assim sentem que vale a pena. Outras apenas se permitem um ou outro momento de desvario nesse domínio e acabam por revelar uma incapacidade latente para sustentarem níveis elevados de paixão, de amizade ou de qualquer outro tipo de ligação que as obrigue (entre aspas) a cedências ou a qualquer outro tipo de concessão que deveria ser tido como normal no contexto de uma relação séria.

Não são melhores nem piores, uns e outros, mas é inegável que só por milagre se compatibilizam um vulcão e um icebergue sem que um derreta ou o outro arrefeça.

E isto aplica-se a qualquer tipo de ligação entre as pessoas, pois tendemos sempre a impor aos outros o nosso grau confortável de emocionalidade e acabamos por acicatar as divergências que daí resultam, uns demasiado frios e distantes, centrados em si próprios e em interesses tangíveis, outros demasiado intensos e exigentes na reciprocidade que entendem albergar também um esforço de compatibilização a que pessoas mais desprendidas jamais se predispõem.

 

Claro que tudo isto são teorias, coisas que uma pessoa vai elaborando a partir das suas experiências pessoais, da eterna aprendizagem que a vida nos impõe, muitas vezes à bruta, como contrapartida para os fracassos com que lidamos. Vale o que vale e pode explicar uma ou duas situações que nos magoem ou irritem, de pouco vale para outras pessoas e outras relações nas quais podem estar em causa factores completamente distintos dos que a forma de experimentar emoções pode criar entre as pessoas que entendam partilhá-las.

 

Mas ninguém me tira da cabeça a ideia de que não é viável, excepto em honrosas excepções que derivam de um amor mais sólido ou de uma amizade mais resistente, a compatibilização entre pessoas que vivam nos antípodas da emoção, quer isso se explique pelo percurso ou pelo feitio de cada um/a.

 

E qualquer teimosia, na maioria dos casos em que essa incompatibilidade exista, está condenada a uma derrota que apenas depende, nos termos e na rapidez com que aconteça, de factores tão aleatórios que nenhuma estratégia, nenhum cuidado, nenhum esforço podem evitar.

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publicado por shark às 11:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Segunda-feira, 23.08.10

HORROR SOBRE RODAS

Uma pessoa vê as imagens do inferno na auto-estrada que hoje ceifou, até ver, seis vidas incluindo as de duas crianças e não pode deixar de se interrogar se a cena de nos deslocarmos em caixas de metal movidas a combustíveis fósseis será assim tão boa ideia...

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publicado por shark às 23:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quinta-feira, 27.05.10

YEEEESSSS!

Já cá canta o bilhete para o primeiro concerto ao vivo da Marafilha.

Sou um pai feliz!

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publicado por shark às 11:43 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Terça-feira, 18.05.10

SAUDADES DO MEU CÃO

o cão do tubarão
Foto: Shark

publicado por shark às 16:22 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 09.05.10

GLORIOSO ÉSSEÉLEBÊÊ!!!

Somos campeões, mainada!

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publicado por shark às 22:28 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (16)
Sexta-feira, 07.05.10

O PREÇO DA FRONTALIDADE

Descobri tempos atrás que não inspiro confiança alguma junto de pessoas que tenho por próximas.

E agora confirmei o pressuposto.

 

De cada vez que essas pessoas me tiverem por perto sei que me vou sentir sempre sob observação atenta.

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publicado por shark às 18:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Terça-feira, 30.03.10

SORRI PORQUE ESTÁS

Observa desse teu canto isolado, desse teu canto sossegado onde te recolhes para cuidar de quem mais te interessa. Vê e orgulha-te do que deixaste como rasto, recorda o seu rosto no tempo em que não pensavas sequer em poderes um dia observá-lo a envelhecer.

Sorri porque sabes como é irrelevante essa transformação, essa etapa de uma mera transição para onde te encontras agora. E sabes porque não te foste embora, percorres o espaço, invisível, numa dimensão impossível de explicar. Sabes porque estás, embora reprimas a custo a intervenção quando tudo em ti apela a que tentes secar uma lágrima ou influenciar de alguma forma o rumo dos acontecimentos que sintas menos bons.

Sorri, pois sabes interpretar o amor num olhar e acreditas, porque és, que isso é tudo quanto uma alma precisa para descobrir o caminho para a luz.

E para alguém ser feliz.

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publicado por shark às 20:51 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (17)
Terça-feira, 23.03.10

DIA NÃO

Ao que sei, a mãe levava o filho à escola e um desembestado qualquer enfaixou-se na traseira do carro quando estavam já prestes a chegar.

Tiveram que a desencarcerar e está no hospital, bastante ferida.

E o pai do menino, quando soube da notícia, terá reagido mal. O coração não resistiu e um enfarte acabou-lhe com a vida logo ali.

 

Aconteceu há poucas horas, muito perto daqui, este episódio foleiro que rasgou em pedaços o futuro previsto de uma família normal num dia que seria como os outros se o acaso não decidisse interferir de forma tão radical.

Passar-me-ia ao lado, esta tragédia, ou não passaria de uma história contada como um exemplo da vida que não podemos tomar por garantida e até poderia servir de mote para incutir na minha marafilha o quanto deve abraçar cada dia com todo o empenho em ser feliz enquanto tal for possível.

Mas não precisarei de dizer grande coisa.

 

O miúdo é seu amigo e colega de turma.

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publicado por shark às 12:07 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Sábado, 20.03.10

A POSTA NAS COISAS DIFÍCEIS DE EXPLICAR

Um dos dilemas clássicos que envolvem em simultâneo a amizade e o amor é aquele tipo de situações estranhas da qual somos testemunhas e envolvem pessoas que nos são próximas.

O problema está em sabermos como nos compete reagir quando tomamos, involuntariamente, conhecimento de factos susceptíveis de comprometerem alguém ou alguma relação próxima de nós o bastante para nos sentirmos envolvidos em demasia na mesma.

 

Em causa está a namorada de um amigo meu. Por coincidência, obrigação profissional, participei com ela num evento e ouvi-a atender o telemóvel ao meu amigo duas ou três vezes diante de uma fulana qualquer. Mas depois ouvi-a a atender o mesmo namorado diante do marido da tal fulana (julgo eu) e o tom foi mais informal do que algum dia a ouvi usar.

Acabou por se afastar do outro e presumo que tenha inventado uma desculpa qualquer, nomeadamente dizendo que estava perto de um superior hierárquico ou assim.

Mas eu fiquei a pensar no assunto. E embora nunca tenha chegado a tomar uma atitude fiquei sempre incomodado por deixar o meu amigo na ignorância deste tipo de pormenores que, por muito boa vontade que se tenha, podem fazer toda a diferença na vida de alguém.

 

E partilho convosco este dilema porque sinceramente não sei o que concluir nem como proceder e na verdade não abundam os interlocutores válidos para me aturarem este tipo de interrogações...

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publicado por shark às 16:40 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Segunda-feira, 01.03.10

PIRUETAS

A vida gosta.

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publicado por shark às 20:17 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (3)
Sábado, 13.02.10

TEMPO QUE PASSA DEMAIS

scarface Foto: Shark

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publicado por shark às 11:47 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Quinta-feira, 17.12.09

VETERANO DE 69

Sim, eu acordei com o abanão. Seis na escala de Richter, o bastante para me assarapantar a meio de um sono profundo.
No meu tempo de vida experimentei por meia dúzia de vezes a sensação desagradável de o chão se transformar em água (no movimento) e de o tecto se tornar subitamente uma ameaça potencial. Um exagero, bem o sei, mas cada um tem os seus medos.
E o maior dos meus decidiu dar-me um olá nesta madrugada fria...

 

Muita gente, sobretudo no Algarve (o epicentro foi na zona do Cabo de São Vicente), acordou como eu com aquele que, na minha estatística pessoal, foi o segundo mais prolongado e o terceiro mais intenso tremor de terra que experimentei.
Uma coisinha de nada, apenas o bastante para agitar o corpo no colchão. O desta noite foi suave na oscilação e nada caiu das prateleiras. Mas foi o bastante para me reavivar de forma instantânea a cábula dos procedimentos a tomar mais as atitudes a evitar em tais circunstâncias, pois nunca se sabe quando os abalos mansinhos anunciam o pior para vir.

 

Eu estava mesmo a dormir quando a terra começou a oscilar e acordei. Algo em mim, um receio instintivo que descobri em 69 (estavam a pensar o quê, quanto ao título da posta? Na Guerra do Ultramar, "amor de mãe"?) quando sem saber sequer que os sismos existiam acordei com o maior que Lisboa sentiu no século passado.
Um candeeiro com pingentes em vidro que se fingiam cristal, imitação de classe média baixa dos candelabros de palácios e chalés muito em voga na época (os candeeiros), começou a tocar uma música estranha inspirada pelo balanço do edifício.


Claro que já nessa altura, bem pequeno, manifestei a inteligência rara que ainda hoje me caracteriza e entendi que o local mais seguro para enfrentar a situação seria debaixo dos lençóis (continuo a apreciar particularmente o conforto desse refúgio), acabando por pregar um cagaço no meu pai que, no meio da confusão, não percebeu de imediato que eu já estava a salvo junto aos pés da cama quando chegou para me resgatar daquele pesadelo.

Desceu do quinto andar comigo ao colo, em cuecas, e foi assim que desembocou no meio da vizinhança em pijama e roupão, pronto para embicar para o aeroporto (o ponto de referência que diziam ser o mais seguro para enfrentar cataclismos daquela natureza) a bordo de um Fiat 850 com uma cor inenarrável.
Aprendi nessa madrugada várias lições que fui reforçando ao longo da vida, fascinado com o tema. Sim, vi o filme em sensurround com o Charlton Heston, no São Jorge. E sim, prefiro dez consultas non stop no dentista a repetir essa experiência foleira que só vivi em Lisboa e em Mombaça (o segundo mais forte mas sem dúvida o mais curto do meu top five, ao ponto de mais ninguém á minha volta o ter percebido na condição).

 

O ano de 69 ficou assim gravado na minha memória até que me cortem a corrente aos neurónios e serve de referência, de marco histórico que muito me marcou (em vários sentidos) e me incutiu este alarme interior que dispara à mínima abanadela.

 

Foi fraquito, eu sei. Mas bastou para me interromper um sonho no qual, às tantas, até poderia existir uma bizarra premonição por associação de ideias...

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publicado por shark às 10:15 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Sexta-feira, 20.11.09

SEMPRE AQUI

Há um relógio antigo naquela parede, parado. Há um tempo que já não corre, passado.

Um tempo que adormeceu mas eu fiquei acordado, a vê-lo passar, esse tempo que acabou por se esgotar para alguém que o media pela posição daqueles ponteiros num espaço circular como o tempo que parece nunca acabar quando o medimos assim.

 

Há um retrato envelhecido naquela prateleira, imóvel. Há um sorriso que já não rasga um rosto, inesquecível. Um sorriso que perdura cristalizado e eu fiquei encantado, a vê-lo reflectir uma alegria tão pura que parece imortal, o espírito de alguém que afinal nunca está ausente pois decidiu, aquele anjo, estar sempre presente neste seu tempo sem fim.

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publicado por shark às 22:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Domingo, 24.05.09

PALMA DE OURO PARA ARENA DE SALAVIZA

Era o único filme português a concurso.

E arrebatou nada menos do que a Palma de Ouro em Cannes.

 

É obra.

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publicado por shark às 19:37 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (9)
Domingo, 20.07.08

É PRECISO QUERER!

Ser feliz.

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publicado por shark às 13:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)

VOU SONHAR

Azul.

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publicado por shark às 01:53 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Quinta-feira, 17.07.08

CONFÚCIO DE BOLSO

A sinceridade (quase) absoluta, mais do que viável parece-me até imprescindível em relações submetidas a algum tipo de clandestinidade.

Se o sigilo já torna as partes cúmplices por inerência, a quebra das regras implícita na própria existência da relação tida de alguma forma como proibida escancara o caminho para a liberdade e a espontaneidade daqueles que, nesse contexto, já nada têm a perder se experimentarem o estimulante desafio do segredo sem arriscarem os perigosos jogos da ambiguidade, da hipocrisia e do consequente medo de investir para perder.

 

Ou para ganhar bem menos do que seria possível...

 

 

 

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publicado por shark às 17:57 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Quarta-feira, 02.04.08

POR TABELA

Ela chorava copiosamente no meio da rua e eu parei por perto para tentar perceber o que se passava.
Olhei em volta para tentar perceber alguma ameaça à jovem mulher em pranto, incomodado com a sua aflição. Imaginava o cenário pior, reminiscências, e buscava com os olhos a explicação que encaixasse na visão que me perturbava, por vê-la chorar assim.
 
Então ele surgiu do nada, ansioso, atrasado.
 
E eu, embevecido, tive a sorte de partilhar com ele, à distância, o instantâneo de um dos mais belos sorrisos com lágrimas que até hoje o mundo me ofereceu.
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publicado por shark às 18:56 | linque da posta | sou todo ouvidos
Sábado, 22.03.08

OLHOS EM FLOR

Foto: Shark

 

Estende-te ao comprido naquele tapete de flores onde se viveram os amores brotados dos peitos como plantas do chão.
Com os olhos fechados ao céu verdadeiro, outro que acontece no teu corpo inteiro enquanto estendida te declaras rendida e te entregas de alma e lhe juntas o coração.
 
Oferece-te aos sentidos, mantém os olhos vendados pelas pálpebras que te beijo a caminho do desejo que arde em ti.
Mais abaixo na paisagem, o rio que toca a margem com as pontas dos dedos de água que te percorrem agora como jamais ousaste sentir.
O leito em que te deito é o mesmo que o vento lambeu, as flores que o sopro agitou como o teu corpo que a minha boca mimou, pétalas afastadas, as tuas pernas flectidas sobre as costas do tempo que demoro a entrar no aconchego de um lar que me preparas assim.
 
Olha agora para mim e lê nesta expressão o porquê de uma tesão que é a tua também.
 
Depois estende-te ao comprido no tapete mágico, vermelho, e voa comigo num sonho até onde o sol nascerá outra vez.
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publicado por shark às 23:49 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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