Terça-feira, 09.11.10

O CHARQUINHO ASSAPAR

Estou certo que desde o início dos tempos as pessoas, mesmo as pré-históricas, sentiram a necessidade de distinguir os melhores de entre a multidão, de exibir de alguma forma o reconhecimento do mérito, por exemplo do melhor caçador do clã em determinada época.

E estou igualmente convicto de que o nosso antepassado no centro das atenções da rapaziada peluda apreciava esse momento de glória, ainda que efémera, por se sentir especial e por achar que tinha valido a pena esfolar um bocado mais as canelas e levar umas marradas no corpo para conseguir afiambrar o mamute mais corpulento da manada.

Claro que a simbologia desse tempo até podia implicar um atesto colectivo de porrada no homenageado, mas se era assim que interpretavam a coisa é garantido que ele, mesmo todo partido no meio do chão, se sentia orgulhoso da proeza e tinha ganho o dia.

 

Nos nossos dias, com maior número de candidatos/as aos lugares de destaque, a competição por um lugar ao sol, por esse momento de destaque de entre a multidão, é feroz entre quem a procura como uma fonte de sentido da vida e constitui tarefa quase impossível para os restantes, nomeadamente os que aliem a falta de ambição à de talento ou de sorte ou de seja o que for que produz as distinções como a que serve de mote a esta posta.

Na blogosfera, onde toda a gente trabalha de borla, para além do gozo que nos dá fazer acontecer, apenas a estatística (sim, as audiências) e o reconhecimento por parte de outrem constituem incentivo para que alguém dê o melhor de si nesta via de comunicação.

Ora, estando a estatística condicionada por factores tão aleatórios como o jeito para bolar esquemas para atrair motores de busca, o estatuto de figura pública do autor, o tema de fundo do blogue ou a simples movimentação colectiva a cada momento, uma pessoa tende a enfatizar o reconhecimento, as distinções, como justificação para tanto tempo e energia investidos numa realização que, por todos os motivos e alguns, nunca garantirá a imortalidade seja a quem for. E ainda lhe garante umas chatices dispensáveis.

 

O reconhecimento que se pode obter na blogosfera chega-nos sobretudo do eco que nos dá quem nos visita, comentários e emails que dão conta da impressão que causamos com aquilo que somos capazes de produzir nesta plataforma.

Os links noutros blogues, outro medidor potencial da qualidade do trabalho, vão perdendo aos poucos esse estatuto pelo simples facto de que basta a ligação de amizade para os justificar, além de que não raras vezes existem blogues com menos visitas diárias do que links espalhados por aí…

Restam poucas alternativas para a constatação do tal reconhecimento público de que todos gostamos, sobretudo quando as queremos insuspeitas (se nada beneficiam com a escolha em causa) e isentas (quando nenhuma ligação ao autor as motiva) e preferencialmente abrangentes (por não lhes faltarem opções para o efeito).

 

Nesse contexto, uma distinção do Sapo acaba por ser, neste meio blogueiro onde não existem Óscares, uma lança em África, uma espécie de medalha virtual para quem a pode exibir durante umas horas com a satisfação do caçador de mamutes que se vê espancado pelo clã (sim, nisto da blogosfera também há muitas invejas e ciumeira e vontade não faltaria a muitos/as de molhar a sopa nas barbatanas do feliz contemplado).

 

E por isso, cá estou de novo em bicos dos pés a cantar vitória enquanto perscruto o horizonte em busca da melhor presa e vou afiando a ferramenta.

publicado por shark às 17:56 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (22)
Quinta-feira, 14.10.10

SÃO MOITAS, SENHOR, SÃO MOITAS

Via Bitaites tomei conhecimento de um importante acto de contrição por parte de um dos mais radicais e alucinados comentadores televisivos em matéria de blogosfera. O Moita Flores que via na blogosfera um meio de comunicação de terroristas e assumiu perante câmaras de televisão as suas visões paranóicas deste fenómeno que visto de fora pode intimidar (sobretudo políticos em início de carreira), esse mesmo, acaba de acertar na testa da coerência com um Projéctil todo modernaço e tudo (sem cê).

 

 

E para homenagear este nosso novo colega, esta ovelha tresmalhada que ou encontrou o caminho para a luz ou está a trabalhar undercover para o SIS na investigação de alguma célula da Al-Qaeda, este arrependido virtual, nada melhor do que lincar com insistência aquele que poderá tornar-se no Pacheco Pereira for dummies da blogosfera (até tem caixa de comentários aberta para não nos obrigar a postar para podermos dizer mal dele).

É caso para citar o povo quando diz que só os burros não mudam de opinião. E mesmo entre eles consegue-se sempre encontrar uma honrosa excepção, acrescento eu.

 

Podem então apontar para AQUI e descobrirem como a blogosfera tem o imenso poder de os converter à causa (daí ao fabrico artesanal de engenhos explosivos que se possam enviar por email é um passinho...). Só é preciso um nadinha de paciência e não, não é paciência para os converter.

É mesmo para os conseguirmos aturar depois.

publicado por shark às 14:04 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)
Segunda-feira, 27.09.10

VAIDADE BLOGUEIRA

Ando feito um vaidoso, mas a culpa é, por exemplo, de quem transforma um comentário meu numa posta.

publicado por shark às 11:03 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Segunda-feira, 16.08.10

PARQUE JURÁSSICO

 

PALAVROSSAVRVS REX a 13 de Agosto de 2010 às 00:50

 

Vocês dois são uns completos cromos infantilóides. Por que não vão para um mictório comparar os pirilaus?

 

--/  /--

 

Este comentário, que encontrei no Pegada, prendeu a minha atenção por ser o comentário do mês (pelo menos do meu mês) porque conseguiu em meia dúzia de palavras levantar diversas questões da mais distinta natureza. Ou nem por isso, porque ainda há gajos que não acham natural essa cena de medir a olho as gaitas dos outros. Mas já vamos a essa importante temática.

 

A primeira coisa a saltar à vista é a espontaneidade absoluta da intervenção do nosso colega com nick jurássico, homem para espetar a sua trollitada muito bem identificada e isso não é coisa que encontremos todos os dias neste mundo virtual onde é tão fácil jogar às escondidas. Esteve bem, ao assumir a sua identidade virtual que aqui é a única de facto.

Depois há o tom seco e cru mas refinado. Notem o pormenor do mictório. Mictório não é palavra para qualquer um, denota o cuidado de quem dá a pancada à bruta mas não deixa de o tentar com luvas de pelica (sempre protege mais as unhas). E isso fica sempre bem, que nós somos gente civilizada, quase todos doutores, e a malta aprecia algum adorno no varapau.

 

E por falar em varapau salto já para o segmento do comentário que mais me suscitou a euforia mal contida que, por norma, acaba por resultar em postas sem jeito nenhum, como esta.

Pergunta então o nosso colega comentador porque não vão os dois cromos infantilóides (pelos vistos na perspectiva do REX a caderneta blogueira tem cromos repetidos) para um mictório comparar os pirilaus. E esta sugestão fez-me divagar acerca da estafada polémica do tamanho que conta mas afinal até nem conta muito porque o que interessa é o que se faz com ele (o pirilau, só para manter a coisa, o coiso, no contexto) e respectivas repercussões no desfecho final de uma contenda masculina.

Na verdade, qualquer homem sabe que o oponente pode não dar uma para a caixa ou ser um meia leca que não se aguenta com um atesto de porrada, mas se sacar de um pirilau de dimensões africanas ganha logo seja o que for que esteja em causa. O adversário sucumbe fulminado na hora, com o amor próprio nas ruas da amargura.

O REX, que é gajo, conhece a importância desse instrumento de medição da nossa capacidade enquanto homens. Claro que aqui levanta-se uma questão que não parece de todo irrelevante à primeira vista: o REX não equacionou a hipótese de estarem em causa dois pirilaus com exactamente o mesmo tamanho e isso, no contexto de um confronto másculo, deixa os contendores numa situação extremamente complicada pois todos sabemos, mesmo as moças que não frequentam esses espaços, que num mictório a rede é quase sempre péssima e nem a banda larga engrossa.

 

Contudo, apesar do sentido ser figurado, o desabafo do REX é pertinente porque toca com o dedo na ferida que é a mania de muitos blogueiros investirem o seu talento e a sua inteligência em ataques e contra-ataques cheios de linques, fulano disse AQUI aquilo que antes desdisse ALI e eu até já tinha escrito ALÉM algo que desmente o que podemos ler ACOLÁ. E uma pessoa vai seguindo os linques e às tantas já não há cu que aguente e vale mesmo a pena confirmar o calibre dos pirilaus para ver se é aí que reside o problema.

 

É disso que trata o dito comentário que não deu resposta mas já inspirou posta e por isso já deixou de ser um comentário qualquer. Claro que a profundidade deste escrito jamais roçará sequer a que conseguem atingir os detentores desse bacamarte verbal que eu próprio, na infância blogueira, me vi obrigado a manusear (leia-se palavrear).

 

Mas no meu caso concreto é porque a malta intui, e muito bem, que não vale a pena desafiar-me para certos comparativos e tive sempre que expor neste meio alternativo a potência, a dureza e, claro, a dimensão XXL do meu aríete intelectual.

publicado por shark às 17:06 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sexta-feira, 18.06.10

TUDO NUMA NET, PERTO DE SI

Os que procuram o conforto da integração num grupo qualquer.

Os que exibem a ingenuidade infantil dos sonhadores.

Os que abraçam a missão como algo de determinante e outros antes pelo contrário.

Os que actuam com a frieza e o pragmatismo dos distantes.

Os que se refugiam no silêncio.

Os que buscam desesperadamente comunicação.

Os que mandam.

Os que deixam.

Os que pensam pequeno.

Os que alardeiam enorme.

Os que desenvolvem afectos a partir do nada.

Os que em nada encontram emoção.

Os que desbaratam.

Os que aforram.

Os que treinam a ganância.

Os que fogem ao confronto.

Os que o promovem.

Os que sim.

Os que não.

 

Muitos talvez.

publicado por shark às 12:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (13)
Quarta-feira, 26.05.10

DIZER O QUÊ?

Isto de blogar tem muito que se-lhe diga.

publicado por shark às 00:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Terça-feira, 30.03.10

SE NADA FIZERMOS, NADA ACONTECE?

Então e temos AQUI a explicação de como se faz, não é?

publicado por shark às 20:23 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)

CONFÚCIO DE BOLSO

Há uma diferença clara entre um anónimo que esconde a identidade para comentar ou postar sem constrangimentos e um que se serve dessa cobertura para poder dizer o que não seria capaz se o fizesse às claras.

E os que não entendem essa diferença aliam a cobardia mal camuflada à estupidez bem identificada.

publicado por shark às 19:01 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)

UMA MENTE ILUMINADA NUMA SINGELA ESPLANADA

O gajo observou com toda a atenção o voo dos pombos sobre a praça, recostado na cadeira da esplanada soalheira onde parecia dominar o mundo inteiro com a sua omnisciência.

Seguia os pombos com o olhar e depois fazia uma expressão que nos levava a concluir que meditava acerca da questão que se levantava a meias com os pássaros que manchavam a calçada em volta do chafariz com as suas sombras. Profundo, o esgar e talvez o pensamento. O gajo vivia aquele momento com um prazer que se revelava a cada pequeno gole no galão que fazia render muito para lá da última porção da torrada, bebericava, e depois regressava à observação atenta do voo dos pombos sobre as cabeças das pessoas que ignorava na sua deambulação pelo céu. Sacudiu algumas migalhas de pão do colo, com gestos discretos, e depois apoiou a testa numa das mãos e toda a gente em seu redor, testemunhas involuntárias, ficou a perceber que chegara a hora de processar toda aquela informação recolhida no pedaço de vida que decidira analisar com o rigor do seu intelecto superior como parecia querer conotar com a sua pose matinal perante cada comum mortal que o rodeava naquela manhã.

 

Calhou um daqueles objectos de estudo largar alguns dejectos sobre os transeuntes na praça cheia de sol e a reacção indignada espantou os pombos para longe e a expressão do pensador reflectiu a sua imensa sensação de perda.

 

Foi então, talvez inspirado pela situação, que se concentrou no computador e debitou mais um post de merda.

publicado por shark às 12:09 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (5)
Quinta-feira, 04.03.10

A POSTA NO CURRÍCULO BLOGUEIRO

Uma grande chatice dos blogues secretos, aqueles que a pessoa faz para ser apreciada pelo que escreve e não pelo que (ou quem) é, consiste em não podermos depois incluí-los no "currículo" blogueiro.

E que é isso? - perguntarão vocês? E perguntam bem, pois eu próprio não conheço a resposta.

 

O currículo blogueiro será, presumo, uma relação dos blogues que a malta criou e manteve mais os colectivos nos quais tenha feito uma perninha. Isso e talvez mais umas estatísticas para impressionar, o número de postas publicadas, de comentários recebidos, de visitantes e por aí fora.

Claro que isto só interessa ao próprio, sobretudo se estiver em causa um gajo a caminho de seis anos disto, e por uma mera questão de vaidade e/ou de orgulho pela obra feita. É o reconhecimento dos outros e nada mais em troca disto tudo.

É que a cena dá trabalho, acreditem. E exige algum espírito de sacrifício quando, como este maníaco, se mantêm activos três blogues individuais e se entende por "activos" algo digno desse nome.

 

Seja como for, e ao fim de anos suficientes para se poder concluir que a blogosfera não é uma moda passageira, começa a fazer algum sentido esse conceito do resumo curricular do artista.

É que uma pessoa investe muito de si, em tempo e não só, a tentar produzir conteúdos que não a envergonhem nem façam sentir-se parvos os visitantes mais incautos.

Não é fácil, sobretudo quando não abunda o substrato ou não temos um tema permanente de eleição para nortear a escrita.

Tem mesmo que ser de improviso, conforme sai, tentando reunir o binómio escrita agradável/tema catita. E eu ainda lhe acrescento os bonecos, as minhas fotos, para aliviar a vista aos visitantes.

Depois ainda temos as caixas de comentários. E é fácil perceber que mesmo num blogue pouco comentado, se uma pessoa responde a todos os comentários que lhe deixam dificilmente não dá uma calinada e é num instante que diz aquilo que não queria.

 

São os ossos do ofício, cuja principal característica é tratar-se de trabalho à borla e que, por isso mesmo, pouco mais pode garantir ao criador do que a aceitação por terceiros de algum mérito que lhe assista.

E o maior de todos, para quem já publicou milhares (sim, milhares) de postas, coleccionou mais de 30 mil (sim, mais de 30 mil) comentários, tem um blogue a caminho de um milhão (comprovado) de visitantes e criou ou esteve ligado a mais de vinte blogues, é a paciência.

 

publicado por shark às 20:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quarta-feira, 03.03.10

NOS FINS COMO NOS MEIOS

Tempos atrás fiz parte de um projecto colectivo da blogosfera que acabou mal. Aliás, acabando só podia ser mal tendo em conta aquilo a que se propunha.
Ao longo do processo de organização das ideias que levariam à concretização da coisa foram trocadas centenas de emails entre o grupo que dava corpo ao projecto, sendo óbvio que no teor dessas mensagens privadas (que o são) e, por inerência, com destinatários bem definidos e só esses seria fácil encontrar o porquê do fracasso do tal projecto bem intencionado que entretanto morreu à míngua de gente capaz de o ressuscitar. Eu incluído e acima de todos.

 

Claro que vivo com o peso dessa derrota pessoal e colectiva que me incomoda, pelo que representou de auspicioso e agora representa em sentido oposto. E seria, se eu alinhasse pela bitola de quem escreveu e de quem entendeu publicar a peça de primeira página do “i” relativa a um autor anónimo do Jumento, uma tentação limpar a face divulgando as mensagens privadas que pudessem provar-me certo nas minhas razões.
Seria errado e não há volta a dar. Quaisquer que fossem os meus objectivos ou razões, nada justificaria tal comportamento. Por constituir uma violação flagrante de princípios dos quais não estou disposto a abdicar.
E não se presuma alguma espécie de superioridade moral intrínseca da minha parte no parágrafo acima, pois isso seria retirar a questão do seu cerne: o senso comum e uma educação (e um carácter) elementar bastam para dissuadir os mais arrojados na novel arte da mediocratização global.

 

Na verdade, existem pressupostos sem os quais acabará por tornar-se impossível a troca de diálogo entre as pessoas. Um deles é o da confiança que nos merecem os interlocutores.
Claro sempre existiram os bufos, os chibos, os queixinhas e os cuscos capazes de meterem a boca no trombone e levarem a cabo inconfidências. Sempre existiram. Mas não passam a ser politicamente correctos só porque entretanto se multiplicaram ao ponto de quase fazerem parecer corajoso um acto que tresanda a cobardia, para além de constituir um rude golpe no tal pressuposto sem o qual um blogue colectivo, por exemplo, se torna inviável ou apenas intragável pela ausência de ligação entre os colaboradores desse trabalho.

 

aberrações estatísticas e analogia no mundo animal


Emails, apesar da sua plataforma electrónica, são como cartas envelopadas. Exactamente como os blogues são jornais de parede em formato html. Na essência, na utilidade e, lá está, no pressuposto da confiança que nos permite presumir a confidencialidade. A do anonimato também.

Seria ingrato se afirmasse que possuo razões de queixa nessa matéria, sendo até surpreendido pelo respeito aos tais princípios que todos conhecemos de ginjeira (mesmo aqueles que os violam) por parte de quem com ou sem razão me hostilizou no passado blogueiro e pessoal de que nem sempre me orgulho.


Ou seja, os Carlos Santos da blogosfera ainda constituem, acredito, uma minoria. E os pêpêémes ainda são mais óbvios na condição de meras aberrações estatísticas expressas à direita da vírgula apenas por uma questão de rigor matemático.
O problema é que basta um cãozito mais colérico ladrar com insistência no meio do silêncio do lugar e é como se ladrassem todos os canídeos das redondezas (está bem, ladram sempre mais uns quantos) e às tantas qualquer cão passa a ser visto como parte do problema sonoro da vizinhança.
E não me sirvo dos cães (de que tanto gosto) como exemplo para os conotar de alguma forma com as duas pessoas atrás referidas, mas apenas para frisar que um mau exemplo (ou dois) não basta para generalizar comportamentos ao ponto de os tornar recomendáveis. Essa democracia não funciona.

 

Tudo isto para manifestar a minha estupefacção pelo desplante com que de repente alguém passou a achar correcto, recomendável ou apenas inteligente e oportuno fazer uma manchete como a do “i” à boleia de uma corrente de ar fétido que agita o lodaçal dos que já perceberam que não chegam lá pelas vias ao dispor (eleições, essa eterna maçada...) e deixam o desespero de causa tomar conta da sua.

 

E essa está à vista. Nos fins como nos meios.

 

(Nota: se quiserem ficar mais a par dos acontecimentos recomendo-vos ESTE ponto de partida.)

publicado por shark às 00:12 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 20.02.10

A POSTA NOS CARAPAUS A GALOPE

Entrei na blogosfera numa altura em que os blogues importantes já existiam.
Eram importantes porque não eram escritos por anónimos na condição e no estatuto mas apenas no primeiro destes aspectos e sempre de uma forma relativa porque a malta da blogosfera acabava por saber de quem se tratava e de imediato lincavam os blogues em causa e instalavam armas e bagagens nas respectivas caixas de comentários (quando ainda não era chique não abrir as caixas).

 

Nesses dias agitados dos encontros de bloggers a torto e a direito, da descoberta do fenómeno por parte daqueles que como eu viam a cena como um viveiro de gente interessante que podíamos filtrar com base no que publicavam, as celebridades do mundo analógico ainda olhavam para a coisa com alguma renitência (talvez por a saberem entulhada de ilustres desconhecidos que eram capazes de tiradas geniais que as suas mentes brilhantes seriam incapazes de produzir).
Mas lá foram aderindo, às escondidas, até ao ponto em que a blogosfera adquiriu tamanha importância que começaram a dar a cara e o nome à sua presença, salvo algumas excepções que entenderam não dar os flancos a quem julga pelo que se é e não pelo que se diz ou faz.
E num instante a blogosfera passou a ficar atolada em blogues e blogueiros importantes e às tantas já não havia tanta margem de progressão neste admirável mundo novo virtual para as figurinhas com ambição a figurões.

 

Foi então que as figurinhas perceberam que o grande público blogueiro, para além de representar um cagagésimo da população, não lhes conferia tanta projecção quanto isso e que a proliferação de linques para os seus espaços constituía não um sinal inequívoco de qualidade do seu trabalho mas apenas um passaporte ilusório na carola da arraia miúda, uma colagem a uma forma de estar e de ser que tanto adoravam mas o sitemeter desmentia nas ilusões de popularidade.
E então começaram a olhar com mais atenção para a blogosfera dos comuns e descobriram o potencial imenso da picardia, da calúnia, do insulto e das postas ambíguas acerca de outras figurinhas ou de temas da moda em matéria de animação da notoriedade e dos contadores.

 

Claro que eu podia, e se calhar devia, citar os nomes ou os nicks de a quem me refiro nesta ocasião, a quem defino dessa forma, mas não só isso é absolutamente irrelevante para o que estou a dizer como não quero que colegas que me sabem hostil à sua pala tenham que descer à blogosfera dos comuns para defenderem o seu bom nick sabendo que isso nem lhes traz votos (que na blogosfera se chamam visitas).
Sim, a blogosfera importante é a blogosfera que fala não de sexo, não de futebol, mas sim aquela onde os intelectuais falam de política.
E são esses, sobretudo os que não possuem - e os factos comprovam – méritos que os catapultem para mais altos voos ou até já voam mas baixinho, que alimentam as trocas de piropos entre blogueiros que acabam por funcionar como um excelente veículo de promoção recíproca por parte de toda uma classe alegadamente superior desta comunidade que fazemos e que integra alguns pára-quedistas (militares, profissionais, e civis, amadores) descaradamente em busca de reconhecimento do seu brilhantismo na sombra.

 

Entediam-me, esses palermas oportunistas que ainda por cima arrastam os verdadeiramente bons e capazes para estes tornados de circunstância em que se assanham todos em torno de um sururu qualquer e aproveitam para ajustar contas antigas com o lavar de roupa suja e a repescagem de postas de arquivo que traziam atravessadas nas gargantas virtuais.
E esse tédio não deriva, de todo, da forma (reconheço que brinquei imenso a isso) mas do conteúdo. É rebuscado, é pequenino, é cada vez mais baixo no teor.
Isso desmente a inteligência alegadamente superior dos que não entendem que uma vez iniciado o pingue-pongue das atoardas a coisa só pode descambar no subsolo da peixeirada sem qualquer serventia seja para quem for.

 

E é disso que trata esta posta, de carapaus que se julgam cavalos mas afinal mostram que só sabem disputar corridas em ambientes muito mais... profundos.

publicado por shark às 21:32 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (12)
Segunda-feira, 15.02.10

A VIDA QUE NINGUÉM DEVERIA PODER APAGAR

 

A recente desactivação de mais um daqueles sistemas da moda tempos atrás, o Haloscan - se a memória não me falha, recupera uma questão blogueira que já abordei tempos atrás e continua pertinente nesta ocasião.

Um blogue é, para mim, um registo de vidas. E esse registo até passa mais pelas caixas de comentários do que pelos posts que lhes servem de pretexto, pelo que o desaparecimento do seu conteúdo constitui uma perda irreparável de emoções, de ideias, de tiradas brilhantes de pessoas que no instante em que comentaram estiveram, de facto, ali.

 

Assim sendo, é fácil de adivinhar o meu desconforto pela frieza com que se permite a obliteração definitiva (e por vezes voluntária por parte de gente que bloga mas não entende o alcance da coisa) de conteúdos que em muitos casos são bem mais valiosos do que os expressos em forma de post.

Considero uma afronta ao próprio espírito da coisa, o cariz volátil dos registos de existência que um blogue consegue acumular. Esses registos incluem momentos importantes da vida de muitas pessoas, amores ali descobertos, amizades por ali iniciadas, rancores de circunstância que desmascaram a natureza de muita gente que se pinta demais. Coisas que fazem parte da comunidade que somos, daquilo que fazemos aqui por opção quando podíamos fazer outra coisa qualquer noutro lugar ou plataforma de comunicação.

 

É incrível para mim o desplante com que se pode apagar dessa forma tanta informação, tanta memória deste suporte que só uma democracia a sério consegue tolerar na sua forma pura, livre de cortes ou de sanções por razões ideológicas.

É ainda mais inacreditável quando os próprios "donos" dos blogues apagam por iniciativa própria as palavras, boas ou más, que testemunharam a sua presença e deram conta da sua existência virtual.

Apagar as caixas de comentários é como passar uma esponja sobre tudo, sobre todo o tempo investido por quem as preencheu com qualquer tipo de emoção ou de intenção.

É como trair a essência deste risco que corremos sempre que optamos por publicar com portas abertas à intervenção de estranhos, de anónimos. Ou de gente amiga e bem identificada que não vejo como não se sentir defraudada quando vê desaparecerem assim os traços da sua participação directa na construção de um trabalho desta natureza.

 

E isso aborrece-me, pelo valor que atribuo a tudo quanto os meus blogues acolhem de humano, as reacções, os afectos, as embirrações e todas as marcas da passagem de alguém por estes espaços que só fazem sentido se os respeitarmos na sua forma original.

 

Se não querem guardar os comentários no futuro, para que abrem sequer as caixas?

publicado por shark às 21:24 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (14)
Segunda-feira, 08.02.10

COMO ELES, SOMOS LIVRES, SOMOS LIVRES DE BLOGAR

Uma pequena facção da blogaria portuga decidiu publicar um manifesto em abono da liberdade de expressão. E mais, decidiram mesmo ir mais além do que o protesto virtual (que ninguém proibiu ou censurou, até ver) e promovem uma manif à maneira diante do Parlamento à hora de almoço de um dia de semana para a malta assar uns chouriços e lutar pela causa.

A causa está aqui toda explicadinha e só falta saber o que tem a ver com a blogosfera (que eu saiba, nenhum dos signatários foi alvo de alguma limitação na sua verborreia) para que a iniciativa seja anunciada como de bloggers e não de simples cidadãos.

 

Eu até sofro da urticária a tudo quanto cheire a limitação desse direito essencial e se algum dia qualquer poder tentar meter o bedelho nesta via serei dos primeiros a reagir à bruta. Contudo, não consigo entender a motivação (as más línguas poderão sugerir a boleia mediática que a TVI, por exemplo, não deixará de conceder) como não consigo enquadrar a cena enquanto fenómeno blogueiro.

Sim, é verdade que da lista de subscritores da coisa constam muitos nomes de pessoas que blogam mas não estou a ver bem a associação de ideias ao seu estatuto de membros desta comunidade a que pertenço.

São, em resumo, cidadãos livres de refilar que vão exercer o seu direito de exprimir a vontade de serem livres de o fazer mesmo quando nenhum desses cidadãos refere algum caso concreto de que tenha conhecimento para lá do que vamos lendo nos jornais e ninguém conseguiu até agora comprovar.

 

Sou apologista da união de forças por parte de quem bloga, embora considere que no caso em apreço não exista forma de justificar este leviano invocar da condição. Ou seja, trata-se de uma iniciativa mobilizadora de um grupo de pessoas que por acaso blogam e entenderam recorrer a esse meio de divulgação para anunciarem a sua intenção de protestar contra algo que não sentiram na pele ou então acompanham uma Comunicação Social diferente da minha.

 

Estou céptico quanto ao sucesso do evento enquanto agregador de qualquer grupo específico de cidadãos, mas claro que não posso ignorar o facto de, por exemplo, o blogue do Centro Paroquial de Gondar apoiar a coisa.

 

Às tantas estamos perante o embrião de algum poderoso levantamento popular.

Mas eu não alinharei na defesa dessas barricadas. ..

publicado por shark às 20:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Domingo, 22.11.09

GOSTOS NÃO SE DISCUTEM

Mas dá que pensar, ter este site prestes a fechar por falta de visitas quando este blogue (por exemplo) está no top ten nacional...

 

(Obrigado, Susete, pela dica)

publicado por shark às 14:31 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 05.11.09

HISTÓRIA DE ENCANTAR

É fácil perceber que os políticos, de todo o Mundo, fazem tudo ao seu alcance para deixarem vincado o seu lugar na História. Acredito até que muitos acontecimentos terão tido na sua origem esse apelo irresistível de associarem os seus nomes aos grandes capítulos que ambicionam protagonizar, alguns tão desastrosos e com efeitos bumerangue tão notórios que nem precisamos esperar pelo futuro para lhes adivinharmos o cariz de tiros no próprio pé.

Assim de repente ocorre-me George Bush, mas não faltam candidatos a essa galeria.

 

Uma das lições que os líderes políticos há muito aprenderam é a do poder da propaganda. E se a democracia obriga a algum pudor nesse particular, evitando o descaramento simplório, a tecnologia (nomeadamente o impacto dos media e da internet na opinião pública) transformou-se num recurso magnífico para as pretensões de quem pretende moldar a sua imagem no presente à medida da que se pretende registada para o futuro.

É demasiado óbvia, essa tendência que se manifesta por exemplo no recurso a agências de comunicação e de imagem a quem os líderes deste tempo recorrem para influenciarem a propagação do seu ícone pelo imaginário colectivo, sabendo-se que a coisa até acaba por pegar entre uma multidão imensa de alimárias que, no interesse da maioria dos políticos, seríamos (ou viremos a ser, por este caminho) todos nós.

 

A blogosfera é criticada por alguns precisamente por possuir esse fascínio de constituir uma ferramenta de marketing de imagem dos pequeninos, sendo fácil pintar um retrato porreiro por detrás da camuflagem do anonimato para impressionar as visitas e assim se vestir uma outra pele.

Claro que o anonimato só serve aos que se contentam em viver a imagem forjada num plano estritamente virtual. Para os que, mesmo sendo pouco mais do que anónimos cidadãos, ilustres desconhecidos, a ambição desmedida por uma projecção em condições cega o discurso e a lucidez, dar a cara é fundamental e aí já entramos no mesmo tipo de apelo com que abri esta posta.

 

Sim, um lugar na História também pode ser reclamado por quem bloga. Não na História de um país, privilégio de políticos e de outros falsos heróis modernos, mas na da blogosfera herself. Ou seja, empoleirados em meia dúzia de realizações pessoais (e muitas vezes meritórias) ou na antiguidade que é um posto começam a surgir os self made men (e women...) cujos méritos surgem escarrapachados por si próprios com o único intuito de se colarem aos rostos dos que os possuem devidamente creditados mas num patamar superior (a tal escala nacional que um blogueiro em Portugal só pode almejar quando já é figura pública de antemão...).

 

Pode soar patético, este esforço resultante de um apelo quase infantil. Mas pegando de novo no exemplo dos líderes de nações, pelos vistos o mesmo deslumbramento com a força crescente da Informação nos contornos da opinião pública já começa a fazer-se sentir na arraia miúda que pulula nesta nossa comunidade umbilical.

 

E por isso, só por isso, um gajo até desculpa com instinto paternalista a figurinha de alguns colegas quando se equilibram de forma precária nas pontinhas dos seus pés. 

 

 

publicado por shark às 10:59 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Terça-feira, 03.11.09

CRIAR NOVO POST

É o que diz no cimo deste espaço em branco onde debito umas larachas.

Para quê?

Essa é uma pergunta que dificilmente não ocorrerá algures a toda a gente que bloga, sobretudo quando essa actividade já dura há uns anos.

 

Nem sempre as respostas entusiasmam. Para quê? Para oferecer de borla aquilo que outros, por vezes farsolas, fazem como modo de vida (entreter pessoas). Para provar que somos capazes de o fazer (posts em condições, ainda que apenas na nossa perspectiva subjectiva). Para comunicarmos (ainda que as caixas sejam muitas vezes um desconsolo). Para aprender algo de novo a partir do retorno obtido (faço minhas as minhas palavras do aparte anterior). Para impressionar alguém que se ama (isto quando esse alguém até pode ou quer gastar aqui o seu tempo). Para manter a mente ocupada com um esforço intelectual decente (acompanhar telejornais ou a tv de um modo geral parece estupidificar uma pessoa). Para haver um pretexto para praticar a escrita e/ou outras manifestações de criatividade (sempre sob os condicionalismos próprios deste tipo de plataforma).

E por aí fora.

 

Certo é que no meu caso concreto já lá vão mais de cinco anos e milhares de postas e de comentários. Muito tempo e muita carola, investidos aqui quando podiam ser aplicados de forma provavelmente mais compensadora noutro lado qualquer.

E não dou mostras de vacilar. Neste e noutros espaços, continuo a sentir que vale a pena, que isto faz sentido ou pelo menos me faz bem insistir.

Por outro lado, quem acompanha estas coisas acaba por dar conta do seu agrado ou, pelo contrário, da sua saudável discordância e essa ligação que aqui se estabelece acaba por ser uma mais-valia que às tantas deixamos de dispensar.

 

Por isso, e apesar de nem sempre as respostas às perguntas incómodas serem as mais estimulantes, eu acabo sempre por responder, instintivamente, porque sim

publicado por shark às 10:41 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (7)
Terça-feira, 27.10.09

O JORNAL DAS LETRAS VIRTUAL

A blogosfera, pelo menos o sector intelectual, está cada vez mais parecida com uma secção virtual do JL.

Pior ainda, com as editoras a prestarem o serviço de caca que já toda a gente percebeu (lembram-se da brincadeira com o livro de Vergílio Ferreira que nenhuma editora se prestou a publicar?), os blogues da malta da pesada insistem em encher páginas (posts) com referências aos lançamentos literários sem qualquer tipo de contributo dos respectivos autores (os dos blogues) para a renovação do ar bafiento que transforma a cultura em geral e a literatura em particular num papão para afastar de forma radical e definitiva os utilizadores da PlayStation, servindo assim de meros alimentadores da máquina financeira das editoras.

 

E sinceramente não sei se é por aí, rapaziada sedenta de publicação literária (esta foi profunda...), que a coisa passa...

publicado por shark às 14:45 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (8)
Segunda-feira, 26.10.09

A GUERRA DOS SEXOS

Ele há critérios para tudo. E qualquer critério pode ter uma explicação, mesmo que esta seja apenas a vontade de um dono daquilo a que o critério se aplica.

O Blogómetro possui um critério. Tem uma lista global  em que qualquer blogue pode entrar e uma lista editada onde só entram os que passam pelo crivo do tal critério.

Cagativo, pensará a maioria da malta que até nem liga aos contadores (claro, claro...), não registou o blogue na cena ou está-se mesmo nas tintas para isso das tabelas de popularidade da blogosfera.

Eu não estou. E por isso gosto de entender os tais critérios.

 

Comparei as duas listas que linco acima e percebo facilmente que o critério é só um: blogues com sexo mais explícito do que o dono é capaz de tolerar saem da editada, a todo-poderosa. Presumo que a intenção é ter uma tabela séria e uma outra badalhoca, para que os não sei quantos porcas e outros blogues demasiado visitados para o gosto criterioso não abafem a concorrência.

Até aí tudo bem. É uma questão de critério. Podiam implicar com os blogues de wrestling, ou com os ligados a clubes de futebol, mas não, são os de sexo que ficam de fora da lista politicamente correcta. Quem tem o poder usa-o.

 

Eu respeito critérios. Mesmo os dos outros. Mesmo os que entendo imbecis.

Mas gosto de entendê-los.

 

E não há maneira de o dono do Blogómetro me explicar um critério que edita ESTE blogue e assim o exclui da lista purificada mas deixa ficar ESTOUTRO.

 

Alguém consegue dar-me uma mãozinha como se eu fosse muito louro? 

 

publicado por shark às 21:52 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (10)
Domingo, 25.10.09

SOU UM PESSIMISTA?

A blogosfera está cada vez mais parecida com a realidade analógica. 

publicado por shark às 16:33 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Segunda-feira, 19.10.09

DOS MÉRITOS DISCUTÍVEIS

A situação do menino do balão, que por umas horas fez dos americanos palermas, reflecte como nenhuma (tirando talvez a do brasileiro que encomendava assassinatos para os cobrir em primeira mão) o quanto o poder da televisão está a ensandecer aos poucos uma parte da população mundial, retirando-lhe a capacidade de distinguir o certo do errado em prol da projecção mediática do pequeno ecrã.

 

Os exemplos multiplicam-se e só citei, de entre os mais recentes, os mais estapafúrdios. Existe, de facto, uma ânsia imensa e generalizada de aparecer na televisão e se alguns, como o célebre emplastro, possuem a atenuante do distúrbio mental outros, cidadãos sem problemas ou deficiências aparentes, começam a dar sinais de uma preocupante necessidade de encontrar um qualquer meio de obter aquilo que parecem sentir como uma honra.

Basta recordar os enxovalhos a que as pessoas estão dispostas a submeter-se em reality shows ou concursos televisivos (o Ídolos é, nesse aspecto, elucidativo de forma confrangedora) ou a forma como os castings assumem foros de acontecimento de primeiro plano em diversas localidades. E já devem ter reparado que centrei a acção em Portugal.

 

O nosso país começa a trilhar o mesmo caminho dos que vão produzindo episódios como os que citei no parágrafo de abertura. E a coisa não atinge apenas os cidadãos anónimos em busca dos seus quinze minutos de fama. É nítido o esforço por parte de algumas figuras públicas para conseguirem desdobrar-se em tempos de antena pessoais e é fácil até perceber que as cunhas, as amizades, funcionam como sustentáculo para algumas carreiras no mundo do espectáculo e outros.

Só não percebe quem não quer que são sempre os mesmos, ou quase, os protagonistas de programas vocacionados para a divulgação dos "populares do liceu" e em muitos casos as respectivas projecções mediáticas funcionam como trampolins para um sucesso que, sem a mesma, dificilmente poderia acontecer.

 

Não cito nomes, pois arriscaria certamente algumas injustiças já que não frequento o meio. Contudo, basta um pouco de atenção para perceber esses cada vez menos discretos "empurrões" que carreiras dormentes ou mesmo adormecidas recebem de repente com a inestimável colaboração de quem decide em matéria televisiva.

E o reverso da medalha é o eclipse por parte dos que caem em desgraça. E esta consiste apenas na saída desse círculo de amigos que se promovem entre si a um nível quase enjoativo e a qualquer pretexto.

Não estranhem. A blogosfera, à sua escala "provinciana", também funciona assim. Ou julgam que alguém retira o linque de outro blogue apenas por considerar que o respectivo conteúdo passou a ser indigno de tal referência?

De todo, o linque é apenas um instrumento de poder que usam sem hesitar os que entre nós possuem a visibilidade necessária para a partilhar ou retirar aos outros em função de critérios que passam, quase exclusivamente, pelo tipo de ligação pessoal ou pelas "modas" ou pelo reconhecimento dos seus "iguais".

Vejam a coisa nessa perspectiva e depois desmintam-me, se puderem...

 

Em ambos os casos, televisão e blogosfera, o fenómeno é perturbador pois acaba por reproduzir aquilo que já todos percebemos acontece na política partidária, com os medíocres a reboque dos diversos poderes para se empoleirarem num qualquer poleiro à sua escala.

 

E depois de aprenderem como se faz, tal como nos meios que citei, preocupam-se acima de tudo com a planificação de formas chicas-espertas de perpetuarem tal sistema.

publicado por shark às 21:39 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (2)
Quinta-feira, 08.10.09

A POSTA NUMA BLOGOSFERA DE OUTRO CAMPEONATO

A propósito de um desabafo que encontrei no Bitaites, relativamente à atitude das empresas em Portugal quanto à blogosfera enquanto meio publicitário, veio-me à ideia uma notícia que li algures e que dava conta de que no Reino Unido a internet já ultrapassou a televisão em matéria de investimento publicitário.

É embaraçosa a diferença, é incompreensível o abismo entre as duas realidades em causa e se, no caso concreto da blogosfera, parte da explicação se encontra na proliferação de blogues da treta que fecham e (re)abrem, sem critério algum, sem brio por parte de quem os mantém, a talhada de leão cabe à falta de visão dos empresários portugueses e à sua incapacidade para perceberem os fenómenos que de alguma forma os ultrapassam por não terem a papinha feita ou uma receita comprovadamente ganhadora onde possam encostar-se.

 

Existem blogues e blogueiros cuja qualidade e empenho justificaria uma aposta séria por parte de quem nas empresas toma decisões de investimento publicitário. E citei o Marco precisamente porque o considero um exemplo nessa matéria, muitos degraus acima de mim mesmo em termos do que pode ilustrar uma opção cabal do blogueiro (que deveria ser) profissional.

Essa profissionalização passa, inevitavelmente, pela publicidade que um blogue possa atrair e considerando os meios ao alcance para controlar o retorno do investimento não vejo o que possa dissuadir essa aposta que não a mentalidade tacanha ou a preguiça mental.

Claro que nem todos os blogues constituem uma realidade fiável, tanto ao nível da qualidade dos conteúdos como da regularidade de publicação.

Mas espaços com vários anos de existência e mantidos a bom nível por quem dá a cara pelo seu trabalho conferem as mesmas garantias de qualquer outro meio. Talvez até maiores, se tivermos em conta a falta de fiabilidade de alguns estudos de mercado relativamente a meios alternativos.

 

Seja como for, não é difícil de distinguir um blogue a sério de uma paródia para adornar umbigos e já decorreu tempo suficiente para que essa análise possa ser reveladora e conclusiva. Por tudo isto lamento imenso que tanto talento e vontade sejam desperdiçados, na desistência mais ou menos inevitável de quem (levando isto a sério) rouba tempo ao trabalho, ou sono e/ou à família para se revelar capaz de fornecer conteúdos que prendam a atenção das pessoas.

Atenção essa que é, necessariamente, desviada dos meios tradicionais que cada vez mais não interessam à maioria e por isso reagem com a política do “se não podes vencê-los junta-te a eles” ou, pelo contrário, com o desdém típico dos intimidados.

publicado por shark às 14:13 | linque da posta | sou todo ouvidos
Quarta-feira, 16.09.09

A POSTA NA CAUSA PERDIDA DA ALIANÇA ANTI-BLOGUES

No início era o desdém da Imprensa, a ausência de linques ou mesmo de citação dos blogues como fonte de informação para os jornalistas fracotes e sem ideias próprias para atacarem uma peça.

Depois a Imprensa percebeu que não podia esconder por mais tempo a blogosfera no armário e começou uma espécie de namoro que o Público Online consubstanciou com a sua fórmula assente no Twingle, com o Sol a abrir a sua própria plataforma. Publicações como o Destak abriram os seus blogues para poderem entrar na onda e pareciam estar a criar-se as condições para uma coexistência pacífica entre os meios de comunicação, nomeadamente por via de uma clara definição de algumas regras elementares que o senso comum define sem custo.

 

Mas isso não impediu o surgimento das vozes discordantes e mesmo insultuosas quanto a tudo o que aconteça numa base virtual. Palermas como Miguel Sousa Tavares e Moita Flores fizeram até questão de esboçarem os seus estereótipos acerca de quem faz acontecer a realidade da blogosfera e constituíram-se opositores declarados dessa forma de comunicar entre as pessoas. E agora entrou em cena o grande democrata e defensor da liberdade de expressão, um prémio Nobel , escritor e comunista, José Saramago (ele próprio blogueiro) afirmando que se escreve mal nos blogues (imitando Pacheco Pereira, o tal da percentagem de lixo).

Ou seja, multiplicam-se as vozes de figurões que não conseguem reprimir as suas aversões a algo que ninguém percebe muito bem porque os incomoda.

 

Na blogosfera publicamos o que entendemos, quando queremos e sem outras restrições que não a que o bom senso nos deve impor. E fazêmo-lo de forma gratuita, acessível a quem disponha de acesso à internet. E nestas duas frases consigo encontrar motivos claros para justificar a aversão dos figurões, podendo esta justificar-se pelo incómodo da livre expressão de opiniões contrárias (e por vezes mais bem sustentadas) às vedetas que citei e a outras ou, em alternativa, podemos estar perante um fenómeno claro de rejeição da concorrência.

É que existem de facto pessoas com muito talento a publicarem de borla aquilo que os figurões só fazem a pagantes noutras plataformas, a blogosfera é responsável pela perda de audiência, de mercado, para quem ganha a vida com base na sua carola e na expressão do que ela é capaz.

 

Pode soar mal intencionada, esta minha interpretação. Mas se tivermos em conta a leviandade e a relativa agressividade dos figurões que citei é difícil encontrar outros pretextos para os levar a direccionar os seus desconfortos para com aquilo que, para todos os efeitos, não passa de uma forma livre de expressão (não condicionada pelos vários poderes que atormentam quem vive da sua escrita, por exemplo).

Custa-me a acreditar que estas posições manifestadas por quem tem um mundo para pensar e resolve embicar para o virtual (o Twitter e o Facebook também mereceram mimos do MST) para as suas embirrações tenham por detrás apenas reacções a episódios como o do boato de plágio no Equador do MST que nasceu na blogosfera.

 

E essa minha convicção fundamenta-se no facto de alguns destes oponentes não se cingirem aos males que as suas mentes brilhantes conseguem identificar na blogosfera e estenderem-se ao perfil de quem a produz, num ataque pessoal generalizado que nada tem a ver com outra realidade que não a de uma mentalidade tacanha.

 

Ou com a reacção espontânea de qualquer velho do restelo ao papão da mudança.

publicado por shark às 12:35 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (6)
Quarta-feira, 19.08.09

CEM MIL

É um número redondo.

Foi hoje, com uma grande ajuda desta malta cinco estrelas, e tenho a sorte de saber quem foi essa visita 100.000 e de saber que se trata de gente da casa que gosta de mim e do que faço aqui.

E sou muito vaidoso com estas pintelhices estatísticas dos blogues e por isso achei-me (e ao blogue) importantes o bastante para comemorar com uma posta a entrada nos seis dígitos que me confirma que não tenho andado aqui a bulir propriamente pró boneco.

 

Por outro lado, num quotidiano marcado por chatices e por aflições, um gajo tende a sobrevalorizar estas alegrias piquenas.

 

O meu blogue sou eu. Estamos muito contentinhos os dois.

publicado por shark às 14:14 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (4)
Sábado, 15.08.09

BLOGARICES DE FIM-DE-SEMANA

Ouço e leio com frequência, mesmo da parte de quem bloga, uma frase que de tão repetida já merece o estatuto de cliché: nos blogues as pessoas transmitem de si a imagem que quiserem e essa nunca corresponde à real.

Deu-me para matutar, um exercício perigoso para mentes fracas e por isso raro em mim, acerca da verdade contida nessas palavras que rotulam a nossa maneira de estar neste ambiente virtual. Até porque me faz alguma confusão a ideia de poder encaixar-me nessa definição tão pouco simpática do que fazemos e mesmo do que somos quando fala o nick em vez da pessoa, logo eu que me pinto tão sincero e frontal.

 

Bom, eu acho que ninguém terá o arrojo de se afirmar absolutamente sincero, seja a respeito de si próprio seja relativamente aos outros. Se assim fosse seria o caos, pelo menos até a malta se habituar a levar nas trombas com algumas verdades duras que todos acabamos por justificar.

Ou seja, sempre que alguém alegadamente se desnuda por completo acaba por deixar ficar as cuecas vestidas. Seja pelo pudor, pelo receio das repercussões, pelo afecto a quem possa ser afectado/a pelo que se diz, seja pela cobardia de nos assumirmos tal e qual (os outros podem transformar-se em hienas quando nos conhecem as debilidades dos calcanhares), seja pela simples vontade de vestirmos uma pele mais confortável do que aquela que trajamos às claras.

A sinceridade total é uma utopia e pode sair cara a quem a arrisque. Cair do pedestal é inevitável e hostilizar os mais próximos com menor poder de encaixe é garantido.

 

Por isso até acredito que prolifera muita tanga pela blogosfera e tenho mesmo alguns exemplos concretos de como por detrás das falinhas mansas pode estar um enorme coirão, ou como muita farronca por escrito apenas oculta a falta de substrato real.

Ainda assim, soa-me injusta a falsa noção de que tudo isto é fado e andamos sistematicamente a contar histórias sem fundo de verdade. Não é bem assim e qualquer pessoa que acompanhe o blogue de alguém que conheça de perto acaba por encontrar muito do que define esse/a autor/a nas entrelinhas do que posta.

É o caso do vosso amigo tubarão, que necessariamente reprime algumas verdades e algumas realidades incómodas para si e para os outros mas de vez em quando até baixa um nadinha dos boxers e mostra o cu ou ainda mais.

Sim, também é um facto que dizemos neste meio muita coisa que não diríamos cara a cara por qualquer das razões que aponto mais acima.

 

Isto leva-me a concluir que se existe um fundo de verdade no tal rótulo de tretas, não pode ser descartado o facto de um blogue dizer muito de quem o constrói.

E só não vê isso quem, mesmo blogando, se refugia invariavelmente na mentira e na omissão e não se permite acreditar que existe quem não seja assim.

Ou quem está fora e não arrisca a hipótese de os outros de vez em quando também terem lenha sua para rachar.

publicado por shark às 22:13 | linque da posta | sou todo ouvidos | cuscar sem medos (11)

Sim, sou eu...

Mas alguém usa isto?

 

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