A POSTA NO ÚLTIMO A RIR

Uma das coisas que mais pica parece dar a isto da blogosfera é a facilidade com que a malta pode falar mal dos outros sem arriscar, devidamente recatada a identidade por detrás de um nick qualquer, nenhuma consequência que não a de um troco à altura por parte de algum/a visado/a que se pique com a cena.
É um pequeno preço a pagar se tivermos em conta o natural instinto para a maledicência (sobretudo a vertente cobarde, pelas costas ou com mascarilha), para a cusquice sem vergonhas (nisto tanto alinha o comentador como o blogueiro anónimo) e para o despeito mal contido (as gajas é que têm a fama, mas a rapaziada desde que começou a depilar perdeu um bocado o sentido de orientação dos cromossomas) que grassa na vida analógica também.
 
Daí, é incontornável depararmo-nos nas caixas de quase todos os blogues, ou mesmo no teor dos seus posts, com manifestações destes apelos interiores que a blogosfera parece talhada para libertar.
Há dois anitos atrás isto fazia-me uma confusão do caraças, virava-me do avesso e conduzia-me a disputas acesas e a intervenções apagadas (algumas ainda bem…).
Hoje, contudo, reconheço sinais da minha veterania nestas andanças no facto de reconhecer o papel fundamental da blogosfera como um espaço de liberdade (também) para asneirar.
 
O segredo está no sentido de humor. É mesmo a única opção, devidamente contidos os excessos de zelo dos que se esticam no meio da euforia libertária/libertina para não permitir que na caixa de comentários se passe do divã da psicanálise ao balcão da tasca.
O resto é show business e o que interessa é a malta dar por bem gasto o tempo que aqui partilhamos, bastando que mesmo os trolls puxem pelos brios na sua ingrata missão de tirar os outros do sério e levarem-nos à peixeirada virtual que só serve para espantar quem passa de raspão pelos espaços desta comunidade maluca.
 
Vista assim, a coisa até se faz na boa e bate aos pontos a seca da televisão e outras com que levamos sem a facilidade que aqui temos           de za(r)par quando o “programa” não presta…
 
E nesse aspecto o comando também é meu.
publicado por shark às 16:35 | linque da posta | sou todo ouvidos