A POSTA NA SENHORA SEM PUNHOS

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O sexo falado é algo desconfortável para a maioria das pessoas (e o praticado também). A gente põe-se a falar do tema e cedo ou tarde espalha-se ao comprido na exposição de uma intimidade qualquer. Aquilo a que chamamos “coisas nossas”, para justificar o embaraço que o assunto provoca. A malta tem vergonha de revelar aquilo que sente como um segredo pessoal e intransmissível. Assim reprimimos o impulso natural para partilharmos informação e adquirirmos conhecimento por essa via.

Se calhar existem aspectos específicos que devem ficar confinados aos jardins secretos que nos alimentam as fantasias (e algumas ilusões também). Memórias que sentimos sagradas, ideias que tememos ousadas, sonhos que não queremos desfeitos pela análise fria que fazem os de fora acerca dos nossos anseios e convicções.
Respeito quem sente as coisas dessa forma e reservo para mim (e para quem comigo os partilha) alguns momentos e emoções especiais.

Contudo, isso não contraria a minha tendência para abordar os assuntos mais delicados. Ainda que isso implique expor-me de alguma forma para vos compensar as reacções mais espontâneas ao que me esforço por impregnar com a malícia de uma provocação. Ou com o estímulo de um desafio.
É essa a minha perspectiva das coisas e tenho a sorte de encontrar na blogosfera um núcleo diversificado de excelentes interlocutores(as), seja qual for o tema que vos proponha.

Hoje ocorreu-me falar da masturbação. É aquela cena que poucos homens admitem ter feito e de que quase nenhuma mulher ouviu falar...
Falar da masturbação tem a vantagem de ser possível fazê-lo sem sair do discurso na primeira pessoa. Eu já me masturbei em mais do que uma ocasião e só me envergonhei de o fazer enquanto as paranóias e os tabus dos meus progenitores conseguiram influenciar a minha percepção do sexo a um, essa coisa suja e pecaminosa que conduzia à tuberculose e manchava as cuecas e/ou os lençóis.

Hoje sinto-me no direito de não aceitar vergonhas na minha relação com o corpo (o meu ou o das outras pessoas). E admito até que não desdenho estimular uma parceira dessa forma, no âmbito dos preliminares de que nunca dispenso. Para criar um clima de desejo, de disponibilidade, de entrega, irreprimível e necessariamente compensador.
A masturbação é um momento de liberdade no reino das nossas fantasias. Os monarcas somos nós e os príncipes e/ou princesas que as protagonizam ao longo de uma vida passada a desejar alguém. E o desejo é fundamental, o nosso e o de quem necessitamos sentir no mesmo plano de vontade e de satisfação.

O desejo não é pecado e cada orgasmo é uma benção que Deus ou a natureza ofereceram aos nossos corpos para saborearmos com enlevo e gratidão. De resto, também nos ofereceram as dores de dentes e outras maleitas piores para sabermos dar às coisas agradáveis o seu devido valor...

Por tudo isto não me incomoda assumir a masturbação como um dos instrumentos ao dispor de cada um de nós para buscar o prazer que um corpo nos dá. Ou o prazer de o ver estampado na expressão de uma parceira (ou parceiro, consoante as preferências de cada pessoa).
Pecado é conspurcar nas ideias o que na prática nos limpa a alma das inseguranças e das frustrações.
publicado por shark às 10:57 | linque da posta | sou todo ouvidos