A POSTA NO DESPERTAR DA FÉ

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Deixou-se transportar, a alma, nos braços quentes de uma entidade superior (talvez o Amor) enquanto sentia como um corpo a magia e o conforto de um momento de paz absoluta.
Respirava fundo emoções, impoluta, que ar não existia, a alma que sentia como um corpo as sensações proporcionadas pela viagem em classe primeira. O doce percurso pelo halo de luz, a imagem difundida pelo imaginário colectivo da última corrida pelo mundo a que chamamos real.

E a alma vagueava com a calma que lhe dava aquela ilusão de felicidade imaterial. A serenidade total, uma surpresa. O fim de toda a tristeza e a eternidade confirmada.
Não era uma alma penada como temia quando ainda vivia no corpo pecador, quando vinha do interior da casca perecível o apelo irresistível para embarcar na aventura da tentação. Parecida, a sensação. No céu em cada minuto passado a contrariar o estipulado no catálogo das proibições.

E esta ideia despoletou-lhe recordações, sonhos húmidos até de quando caminhava pelo seu pé ao encontro dos anjos que a existirem só podiam ser aquelas criações divinas, as manifestações femininas do sexo que afinal possuem. As asas, mitologia, são apenas simbologia do sexo que os anjos fazem, cada mulher uma viagem na realidade ao regaço de Deus. Uma Deusa nua, na verdade, que a alma viajante já vislumbrava adiante, atordoada pela heresia da repentina erecção que do nada brotou.

E foi por essa incongruência que o agnóstico acordou.
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publicado por shark às 10:53 | linque da posta | sou todo ouvidos