HORIZONTE

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O frio cortante de um olhar congelante quando o caldo entorna por detrás dos faróis azuis. A emoção escondida numa reacção contida que é apanágio das nórdicas, ramificações históricas infiltradas nos povos do sul, ou a imprevista erupção no azul (influência latina), da mulher que desatina mas sabe pintar o olhar com a cor do mais doce mel.

O sabor a fel que se dissipa quando a alma se agita soprada pela brisa da paixão. Incremento da ondulação observada naquela visão descongelada, a lava que se esconde no mesmo mundo onde se (ap)rende a guarda que barra o caminho às desilusões.
Sentimentos nos alçapões controlados pelos fios manipulados à distância com o poder cinético que o olhar denuncia.

A cor parece fria, um detalhe estético, como a do mar que replica ao sabor dos ditames do céu. Quase transparente, é no entanto a mais prudente no que respeita a revelações.
Mas existem as excepções, apaixonadas, as guaritas abandonadas ao assalto de uma tentação. No olhar a invasão em directo, ainda que seja discreto sob a disciplina militar que, enquanto desaba o falso glaciar, distante, reprime o excesso emergente nos entusiasmos juvenis.

Reacções pueris, desfasadas nas ocasiões emocionadas à vista de um olhar azul. O tempo necessário para mil perguntas em silêncio, o tempo de um processo que filtra os efeitos indesejados mais os defeitos encontrados na calma com que sondam a aparente perfeição.
O poder da atracção subsequente à súbita passagem de indiferente a fogosa, a contemplação embevecida ou a observação atrevida do seu esmiuçado troféu.

As cores reunidas do céu e do mar, sob as pálpebras proibidas de ocultarem aos olhos restantes os flashes brilhantes de um reflexo tão forte que nos pode cegar.
publicado por shark às 00:44 | linque da posta | sou todo ouvidos