RAÍZES

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A terra espelhada naqueles dois pedaços da sua essência bravia, fixados em olhares desafiados no rosto do amante que nela adivinhava um corpo de intervenção.
O assalto ao bastião do amor, a sedução como um louvor à magia instalada naquela cama por fazer.

Os olhos castanhos de uma mulher, amêndoas, a gana de o ter como seu, fêmea acelerada com a alma moldada pela força das gentes de terras distantes ali semeadas pelo vento da migração. Os genes do calor, a fervura no interior de uma mistura que se lê naquele olhar.

O ginete à flor de uma pele morena, castanha, a fúria tamanha que explode na zanga e implode no ponto alto da tesão. O poder da deflagração concentrado num grito abafado para não sobressaltar a vizinhança, a emoção que nos olhos dança um ritmo latino, uma herança tropical. Sempre algo de especial, uma espécie de mistério, naquele olhar muito sério que denuncia a costela mourisca.
A coragem de quem sempre arrisca para lutar por um grande amor.

Os olhos que espelham a dor de uma forma tão clara e parece que dispara uma arma no seu interior. Quando se irritam e as pupilas se agitam num batuque emocional, uma experiência fenomenal na pele (segura) de simples testemunha.

Castanha a terra que os pinta da cor que muito encanta quando o amor se finca na retina morena que o traduz.
publicado por shark às 21:51 | linque da posta | sou todo ouvidos