CLOROFILA

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Os seus olhos reflectiam esperança no brilho e na cor. Falavam de amor, quando verdes se perdiam nos seus reflexos as folhas das árvores naquela tarde de mudança de estação.
Um bosque plantado no coração enamorado de quem se perdia no mato por dentro daquele olhar.

Os seus olhos falavam de desejo também, quando quase os fechava e ainda assim brilhava uma centelha de fogo ateado, em tom esverdeado, que contrariava a laranja do sol que se deitava no horizonte como ela já cuidara de fazer.
Uma noite anunciada no final daquela estrada aberta no peito de quem se perdia no mato por dentro daquele olhar.

Sem aceitar qualquer saída.
Daquela floresta despida que o arrastava para o chão.
Daquela promessa cumprida que lhe beijava o coração.
Com os olhos.

O doce e o picante, o discurso inteligente, a sua boca sensual como isco no anzol. O apelo irresistível de um olhar tão temível como uma arma sem gatilho, uma bomba sem rastilho e em todo o corpo um detonador.

O prisioneiro do amor, num cativeiro voluntário, hipnotizado pelo imaginário despertado no meio de um sonho que partilharam até brilharem as estrelas no fundo verde daquela paixão.

À procura de uma entrada.
Naquela floresta encantada que o abraçava pelo chão.
Naquela promessa jurada que espalhava emoção.
Dos olhos ardentes, as lágrimas incandescentes de felicidade total.

Como sementes de fogo verde em campo lavrado pelos raios do sol.
publicado por shark às 18:35 | linque da posta | sou todo ouvidos