A POSTA NOS SITES DE ACTUALIZAÇÃO RÁPIDA

Blogues sem actualização ao longo de dias a fio, por vezes semanas. Desabafos constantes contra a falta de pachorra para os espaços dos outros, no ar a queixa de que já não prendem a atenção, andam murchos…
E não faltam nos recantos da blogosfera menos dinâmica os prenúncios do fim. Uma sangria que se denuncia na partilha de tempo com o Second Life, as redes em embrião, a Internet em revolução interior e a blogosfera a preparar a pancada.

Domínios próprios, o passo a seguir, RSS e outras siglas de formas novas de estar nesta cena. Cada vez menos espaço para os blogues tradicionais, cada mais parecidos no visual e na filosofia com sites de actualização rápida.
E cada vez menos interacção. Nas caixas de comentários como na ausência óbvia de motivação para os encontros blogueiros que tanto aconteciam.

Está a acontecer um processo de mudança que até podemos chamar de maturação, nesta nossa comunidade virtual. É fácil perceber as alterações, curiosamente mais vincadas nos blogues veteranos do que nos da nova fornada. Até na atitude, dando a ideia de que são os mais rodados nisto quem está a fazer acontecer algo que se veja. Os mais recentes, como os mais preguiçosos, arrastam-se pelo éter em queixumes de dores várias que são afinal a falta de pedalada para manter o ritmo “ideal”.

Isto não é tão fácil quanto isso quando queremos provar todos os dias que vale a pena clicarem no nosso linque. “Todos os dias” é a primeira expressão que intimida a maioria e poucos aceitam tal imposição. Mas os factos comprovam que nenhum blogue de publicação irregular consegue manter um número razoável de visitas. “Provar” é o outro lado do desafio, ainda mais exigente pelo escrutínio imediato aos olhos de quem vê com olhos de ver como de quem apenas filtra os pontos fracos para os utilizar como arma de arremesso a quem, bem ou mal, arrisca tal exposição.
E “clicarem no nosso linque” é afinal o objectivo derradeiro, pois os que “escrevem para si próprios”, insisto, não precisam de um blogue e não vejo porque não se limitam a conservar esse produto para consumo próprio no domínio das folhas de Word arquivadas nos seus computadores.

Talvez a blogosfera esteja mesmo a estratificar-se, a segmentar os “mercados” em função dos objectivos de quem bloga e do grau de exigência de quem nos quer visitar.
E embora isso seja o que gostamos de chamar progresso, uma onda na qual surfamos ou mais vale enfiarmos a tola debaixo de água num mergulho que nos poupe à chapada, ainda estou a tentar perceber se encaixo nos novos moldes que vejo desenharem-se para esta actividade que, confesso, ainda me cativa.
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publicado por shark às 11:27 | linque da posta | sou todo ouvidos