ASSIM NÃO PINTO!

Gostava de ver no episódio apenas o lado “tia” da coisa e relegar o assunto para o domínio do humor, “ah, porque nos tempos do PREC a malta do PC e do MRPP fartava-se de andar à porrada e ninguém morria nem desistia da militância” (o que, à época, era quase a mesma coisa).

Gostava, até porque aconteceu no seio de um partido que não aprecio de todo. Mas não posso.

Não posso, porque o abandono da militância e também do mandato de Vereadora na Câmara de Lisboa indicia uma reacção de absoluta descrença por parte de alguém que se deparou na política com algo que é mais vulgar acontecer no futebol.
Maria José Nogueira Pinto é uma das poucas mulheres que logram chegar a lugares cimeiros na hierarquia partidária. É uma das poucas pessoas capazes, à direita como à esquerda, de virar as costas a uma vida pacata (que a sua condição financeira e prestígio acumulado certamente permitiriam) e enveredar pela (agora literalmente) luta corpo a corpo com a tradicional falange masculina sempre tão hermética na sua composição, para participar de forma activa no processo democrático.

E agora fartou-se, como se fartariam outras/os no seu lugar perante os tristes factos que são do domínio público. E deixa um péssimo rasto em matéria de motivação para que outras pessoas capazes se queiram meter na mixórdia.

E deixa-me a estranha sensação de desconforto por de alguma forma temer que deste tipo de situações a Democracia saia sempre a perder.

Em mais do que um aspecto.
publicado por shark às 21:10 | linque da posta | sou todo ouvidos