A POSTA NAS COISAS PEQUENAS

O respeito e a consideração costumam andar de mãos dadas no seu passeio pelas nossas interacções. O facto de respeitarmos alguém acarreta sempre alguma consideração por essa pessoa. E não é possível alegar consideração alguma quando o respeito está ausente deste binómio.

Quando involuntariamente magoamos ou insultamos alguém com as nossas intervenções, o respeito e a consideração recomendam-nos ambos um pedido de desculpa sincero e sem “contudos” (empurrando uma qualquer carga pejorativa para cima da pessoa em causa, para atenuar a nossa culpa “partilhando-a”).
Se a quota-parte do respeito é fácil de identificar, demonstramos que respeitamos pelo não renegar a nossa responsabilidade no sucedido como pela humildade (renegada pelos tais “contudos”) que tal gesto implica, já a consideração é mais difícil de ter em conta quando não existe ou é apenas teórica.
É que o alheamento à sensibilidade de alguém, devidamente manifestada ou mesmo apenas por nós interpretada a partir de alguns sinais, demonstra uma de duas coisas: a frieza necessária para ignorar o “problema dos outros”, o “estar-se nas tintas”; ou a futilidade da consideração de treta que se expõe nestas alturas (que vai dar exactamente ao mesmo).

Se a estes aspectos somarmos a arrogância implícita na recusa a darmos o braço a torcer de uma das duas formas possíveis (reconhecendo o erro sem o minimizar e/ou acrescentar à outra parte mais um ónus qualquer ou, em alternativa, “dando-se às boas” para tentar reparar/compensar o mal feito), temos em mãos um problema quando fazemos parte de qualquer um dos ângulos desta embrulhada.

São pequenos nadas, estas coisas que podem passar-nos ao lado sem mossa mas podem igualmente originar uma interminável reacção (de choque) em cadeia que, em última instância, pode destruir qualquer tipo de relação.

Mas são os únicos indicadores fiáveis das realidades que sempre nos sentimos tentados a escamotear.
publicado por shark às 10:56 | linque da posta | sou todo ouvidos