VISÃO DESFOCADA

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Vês a sombra negra no horizonte, como o chefe índio impotente perante a superioridade de um adversário que nem os deuses conseguiam deter. E preparas-te para combater a adversidade que vier, com a tenacidade dos fortes e a força desesperada que te dá a loucura que se apodera de ti.
Também vês a enorme extensão de céu azul, como o monge no alto da montanha escuta o voo da mariposa e aproveita para se conhecer. Por dentro o inimigo maior, insuspeito na sua camuflagem traiçoeira que nos soa familiar. E preparas-te para batalhar com a confiança dos vencedores e a força multiplicada de uma certeza adquirida pelas emoções como pela razão.
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Vês a água que escorre pela rocha enquanto seguras firme a tocha que revela os segredos guardados pelos antepassados, a herança genética pintada nas paredes da gruta, a transmissão do saber acerca da luta enfrentada por todas as gerações. O tempo marcado em estalactites de sangue derramado em nome de mentiras e decepções.
Também vês a vida que brota do mais recôndito lugar do planeta, teimosa, resistente, alimentada pelos instintos de sobrevivência e de conservação.
A natureza que é a tua na singeleza da terra que fornece a explicação, tão clara que logo dispara em ti a vontade indómita de prevalecer.

Vês o futuro na tua mágica bola de cristal. Vês a constante mutação, a permanente renovação na tua mente de conhecimentos que te tornam mais capaz. Evidente aos teus olhos o fio condutor. A linguagem do amor corrompida pelas suas aberrações, equívocos ou demonstrações práticas de que a paciência implica a tolerância ao imperfeito ou mesmo a sua aceitação. Como um termo de comparação para aprenderes a saborear o que de bom a vida te dá.
A felicidade genuína, despida de condicionalismos ou falsas questões. O teu direito, afinal, o princípio fundamental de qualquer existência e muito acima de credos ou de nações. O teu dever de ser feliz.

Vês aquilo que te diz o Ancião imaginário, conselheiro voluntário com as histórias que aprendeu para contar, sabedoria. Vês agora aquilo que o passado dizia a quem estupidamente o ignorou. O futuro transparente na tela clarividente da tua imaginação. E surge a ambição motriz das realizações extraordinárias, imprevistos não agendados nas rubricas várias que requerem a tua atenção.
Vês tudo o que querias mais aquilo que preferirias nem saber. Vês a vida a doer, lado escuro da paleta com que pintas igualmente a cor da satisfação.

Vês mais do que uma razão para justificar um empenho redobrado no objectivo traçado por quem ou o quê possa ter produzido a Criação.

Fincas o pé no que cultivas como uma fé, exiges liberdade para exprimires a vontade de viveres numa utopia onde a sinceridade é regra fundamental. Isso mais a consciência global da felicidade repartida, a paridade requerida para sedimentar qualquer forma de paz.
O mundo ideal nessa bola de cristal reflectida pelo teu olhar.

O presente perfeito de um aperto no peito que anuncia uma paixão.
Porque está escrito no coração de cada um o nosso dever de amar.

A vida e quem contigo a partilhar, em ritmo diário, com os medos postos a nu.
Mas isso, companheiro visionário, não consegues ver tu…
publicado por shark às 18:48 | linque da posta | sou todo ouvidos