CONDOMÍNIO FECHADO, ou As Relações de Vizinhança em Sentido Lato

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Com tanta gente a afirmar ter visto ovnis, mais uns irredutíveis que tudo fazem para que acreditemos terem sido raptados por seres alienígenas, somando-lhe a improbabilidade estatística de sermos o único planeta habitado do Universo e as teorias da conspiração como a de Roswell que são tantas e tão rebuscadas que conseguiam alimentar mais umas dez temporadas de “Ficheiros Secretos”, é quase impossível ignorar a hipótese de os extraterrestres existirem de facto.

E notem que me escudo na prudência de um “é quase impossível”, não assumindo qualquer posição definida acerca do assunto. Mas eu tenho uma.
Relativamente à probabilidade de sermos visitados/contactados por uns marcianos quaisquer eu sou dos que esperam. Dos que esperam sentados (e aqui já fica definida a tal posição por mim assumida).

Agora explico-vos o porquê deste cepticismo primário por definição e secundário sob qualquer das vossas perspectivas.
Alguém acredita que criaturas mais evoluídas desenvolveriam tendências belicosas? Melhor dizendo, acham que os americanos (o mais próximo de marcianos que conseguimos encontrar nas redondezas) servem de exemplo para a Humanidade no seu todo em termos evolutivos?
O que seria razoável para uma nação (ou um planeta, no caso concreto) escolher sendo rica, inteligente e poderosa senão investir em paraísos tropicais e instrumentos vários de prazer para a malta poder estar toda numa boa?

Ora aí está: uma civilização evoluída, nada do que encontremos nesta esfera azul, quer tudo menos escaramuças. E se falarmos de uma raça alienígena capaz de enviar naves espaciais do cu de judas (que pode ser o quarto orifício da testa de um venusiano) até este fim do mundo (ou da galáxia, para ser mais rigoroso), temos que partir do princípio de que se nós, primatas de carbono, conseguimos inventar o periscópio e o buraco de fechadura é legítimo pressupor que os vizinhos verdes com antenas as conseguem sintonizar por forma a observar com atenção as inúmeras evidências da barbárie que nos neandertaliza.

Mas alguém me quer convencer que uma criatura de uma raça evoluída, inevitavelmente pacífica, nem paranóica nem desconfiada e que consiga observar-nos a prudente distância não conseguiria adivinhar-se nas calmas aterrada num ermo qualquer com um arsenal apontado ao capacete enquanto repetia patética o clássico “vimos em paz”?

São mesmo uns tóininhos, para acreditarem nessas cenas…
publicado por shark às 11:09 | linque da posta