PROSCRITO POR ESCRITO

Diz-me de uma vez por todas se aquilo que vês quando me julgas é a imagem de um homem inocente ou a de um carrasco executor.
Define na tua percepção um juízo de valor que te guie os passos perdidos até ao aperto dos meus braços estendidos, o medo ou a confiança, a proximidade ou a distância, uma sentença definitiva que me liberte do banco dos réus e me conduza ao reino dos céus ou em alternativa me condene com a pena capital.

Represento o bem ou o mal nessa avaliação ajuizada da minha alma interrogada pelo teu olhar perscrutador? Culpado ou inocente nesse libelo pendente que simboliza a tua dúvida e castiga a minha estúpida maneira de enfrentar o júri que me quer condenar pelo simples facto de não saber a resposta às minhas perguntas?
Dos crimes que cometi, a punição que já sofri deveria bastar para agora iluminar a tua consciência e garantir a inocência que prometi no momento em que exibi o arrependimento pelo passado expurgado e te juro no futuro não deixar repetir.

Na tua hesitação perdi a absolvição que ambicionava, a questão que se colocava não integra qualquer código penal. A causa era afinal a nossa, a tua escolha que a destroça pela ausência de uma decisão peremptória.

E assim acaba esta história, com o veredicto por conhecer. Aquilo que julgava merecer não passava de uma euforia, quando em segredo te dizia que a justiça seria feita. Mas o júri aproveita a condenação de bandeja oferecida pela tua indecisão.

A ausência de uma intervenção abonatória a sentenciar na minha memória a farsa do alegado perdão.

Ofereço os punhos às algemas e digo-te nada temas, pois não tentarei fugir da consciência penitenciária que me flagela voluntária e te preserva de me castigares também.

Por inerência, em cada segundo de ausência.
A tua pena de prisão perpétua neste amor de que me assumo refém.
publicado por shark às 11:01 | linque da posta | sou todo ouvidos