DESCALÇAR A (B)OTA

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Foto: Shark


Quanto mais ouço e leio acerca do novo aeroporto nacional mais me convenço de que se trata de um disparate colossal.
Sou um leigo em todas as disciplinas que podem contribuir com estudos sérios acerca da viabilidade e oportunidade deste projecto. Porém, a localização é um dos aspectos que não requerem um nível de conhecimentos profundo para podermos opinar. E a distância entre a Ota e Lisboa ou qualquer outro centro urbano dotado de infra-estruturas adequadas para dar resposta ao bulício gerado por um aeroporto não deixa margem para ilusões.

Porque devem os leigos, os cidadãos comuns, meter o bedelho nestes assuntos high level? É um bocado como as inefáveis assembleias de condóminos: não temos pachorra para aturar boa parte da vizinhança e suas reclamações estapafúrdias mas quando chega a hora de intervir na obra megalómana que nos vai custar cara e, eventualmente, criar mais problemas do que contribuir para a sua resolução não temos outro remédio senão intervir.

Uma obra destas dimensões desvia fundos astronómicos de outras aplicações emergentes. Hospitais, escolas, centros de investigação, equipamentos sociais de todo o tipo que o país reclama. Por isso mesmo não podemos encarar de forma leviana a questão que, de resto, sabemos poder constituir mais uma mina para um lote de oportunistas habilidosos nos domínios da especulação imobiliária e outros.

Não faltam os peritos que discordam da Ota como opção realista, por mais motivos do que os necessários para obrigar a uma reflexão mais profunda acerca da coisa. E isso legitima a preocupação por parte de cada um de nós, considerando o esforço exigido ao país para a construção do que será o principal aeroporto português.

Agora que surgem a público notícias que dão conta do facto de existirem dúvidas acerca da própria duração da utilidade do aeroporto previsto (fala-se em catorze anos!), o assunto transforma-se num berbicacho a que não podemos voltar as costas.
Com o país a atrasar-se irremediavelmente em relação a toda a Europa nossa parceira, o investimento mal direccionado será um gigantesco tiro no pé do qual levaremos anos, talvez décadas a recuperar.

E não é da manutenção do telhado do prédio que estamos a falar…
publicado por shark às 13:33 | linque da posta | sou todo ouvidos