SAUDADES DE FALAR DAQUILO

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Claro que me apetece falar de sexo. Aliás, desde que tomei contacto com o conceito fiquei um incondicional da coisa. Embora não me reconheça tão destravado como algumas das minhas atoardas possam fazer-vos, por vezes, presumir.
Até porque li umas merdas, vi uns filmes e pratico há mais de duas décadas essa sublime arte indissociável do amor quando falamos da sua máxima expressão. Além de ser um tema que gosto de abordar com outras pessoas. Aprende-se muito dessa forma também.

Mas não me interpretem mal, quando afirmo que o (melhor) sexo pratica-se por e com amor. Pode existir uma relação de amor onde o sexo não vale grande coisa como pode existir um acto sexual gratificante e bem vivido, inesquecível até, sem que o amor esteja presente na equação. Pelo menos com a intensidade a que me reporto quando o incluo nas contas de pensar.
Porém, conheço os dois lados da questão e falo por mim apenas. Quando se conjugam um amor intenso e apaixonado com um desejo irreprimível, sem merdas de medos ou vergonhas, sem constrangimentos artificiais, aí temos reunidas as condições para atingirmos o nirvana. Não é fácil de explicar, mas quem experimentou as duas variantes sabe muito bem a que me refiro.

A minha concepção do sexo exige a entrega total. Os limites são os traçados pelo que conhecemos do(a) nosso(a) parceiro(a) – uma vantagem competitiva em matéria de intimidade relativamente às relações de ocasião – e os que se definem na altura, numa boa, muitas vezes sem palavras. A entrega total implica a inexistência de reservas em relação às outras pessoas. E falo de reservas morais, psicológicas, físicas ou quaisquer outras. Falo de proximidade e de confiança, difíceis de obter em meia dúzia de horas de contacto, ainda que aberto e sem tretas.
A confiança é vital para uma relação bem sucedida, no sexo como no amor.

Por outro lado, existe a complicada questão do depois. Instala-se sempre uma sensação de vazio quando enfrentamos a impossibilidade de prolongar a relação com alguém, depois de partilharmos o maior grau de intimidade física que nos é dado conhecer. Só a paixão pode garantir-nos uma sequência ao passo que nos uniu de forma tão intensa.

Isto parece uma inflexão no meu discurso habitual, um tudo nada mais romântica ou conservadora. Mas não é. Adoro o sexo como nunca e ninguém poderá um dia apontar-me como puritano ou moralista nessa matéria. Apenas o vivo à medida do meu corpo e da minha cabeça e dos corpos e das cabeças das pessoas com quem me disponho e se dispõem comigo a amar. Sexo é amor e o amor intensifica-o onde ele mais acontece, nas nossas mentes mais ou menos depravadas, mais ou menos fantasiosas, mais ou menos românticas. Tudo multiplicado, inclusive as sensações. Falo por mim e o meu falo também.

Em nada me perturba a forma como cada pessoa vive a sua experiência nesse domínio, excepção feitas às aberrações de nojo universal e não preciso de citá-las. E nestas, fique bem claro, não incluo contactos mutuamente consentidos entre qualquer raça, género ou tipo de pessoas. O importante é o prazer e a realização pessoal que daí deriva, a felicidade que o sexo nos dá. E são muito mais agradáveis as pessoas realizadas nesse plano das suas existências, muito mais seguras de si.

Claro que me apetece falar de sexo. Quase tanto como me apetece fazê-lo. E por isso retomo a linha habitual deste blogue, (re)começando pelas questões genéricas para depois entrarmos nos detalhes.
Até porque a pressão dos motores de busca (a expressão “blog de sexo” assume cada vez maior preponderância) obriga-me (entre aspas) a corresponder ao apelo da sociedade civil que bloga.
Mas também me apetece falar do amor.
publicado por shark às 15:51 | linque da posta | sou todo ouvidos