UNIVERSIDADE MARCIAL

Faz capa no Sol desta semana.
A “segurança” das instalações da Universidade Independente (UI) foi confiada a skinheads da claque do Sporting, na sequência da peixeirada que se instalou naquele estabelecimento de ensino.
Soa estranho chamar estabelecimento de ensino a um local onde o respectivo reitor opta por medidas como esta para barrar o caminho aos seus oponentes numa questão qualquer que me ultrapassa ou, no mínimo, afigura-se irrelevante quando um responsável do ensino privado dito superior decide fazer regressar a moda dos gorilas que fez escola nas faculdades antes da Revolução.

De acordo com a notícia do Sol, entre os ditos “seguranças” leoninos encontram-se (quem diria?) elementos da extrema direita. Isto, claro, apesar do desmentido oficial por parte de um dos “guedelhudos” em questão, o que se apressou a esclarecer a jornalista (Ana Cristina Câmara) acerca do facto de no seu pequeno exército se integrarem indivíduos de raça africana (uma nova raça, talvez um nadinha mais branca e pura do que a raça negra a que o fulano pretendia referir-se) e até (pasme-se!) um adepto do Benfica. E isto garante, como é óbvio, o pluralismo democrático desta reedição dos bons velhos tempos da academia.

Para os pais e alunos que desembolsam à grande para custearem um curso naquela instituição deve ser confrangedor assistir a este deplorável espectáculo. Os futuros licenciados da UI poderão, no entanto, invocar a sua formação teórica recém adquirida quando enviarem currículos para a Securitas ou similar e assim garantirem os postos de trabalho a que uma universidade com tal reputação dá acesso.

Porém, para quem está de fora de tudo isto o que fica na retina é o exemplo dado pelo reitor Arouca aos futuros doutores da sua Universidade Indecente onde seria excelente ideia a implementação de uma nova licenciatura (para aproveitar o impacto mediático).

Assim de repente ocorrem-me o guarda Abel e o líder da claque dos super dragões (alegadamente com mestrado num trabalho de campo em Línguas Mortas na Vereação Nortenha) para integrarem o corpo docente e garantirem a “independência clubística” a par com o tal adepto benfiquista e o resto do grupo já em plena actividade de investigação na biblioteca da UI.

E já imagino em cada sala dessa nova área de ensino uma foto a preto e branco do insigne professor doutor Tarzan Taborda.
publicado por shark às 17:58 | linque da posta | sou todo ouvidos