PLAY THE BLUES

the blues.JPG
Foto: Shark

Uma nota, um apontamento, o som de um instrumento. Alguém nota naquele momento a angústia de um lamento numa nota que um homem toca, a sua boca que beija que sopra ao longe um saxofone.

Um banco onde se senta uma vida que se sustenta com as notas que não são esmolas pelas notas que sopram belas da alma do tocador. E ele chora um amor que perdeu, as notas que tombam no chapéu em troca da emoção tocada, o troco de uma vida esbanjada a perder, no banco depositadas numa conta dessa mulher.

Um jogo demasiado, as notas sobre a mesa e um copo esvaziado pela boca que agora sopra a vida louca que perdia numa sala fumarenta o tempo de amar. Em notas a chorar, a angústia de um lamento no som de um instrumento a ecoar no meio da rua, enquanto lembra a mulher nua que adormecia à sua espera e o rejeitava por chegar sempre tarde demais.

Um filho ou talvez mais, de outros homens que a tiveram quando a ele substituíram na tarefa de a consolar enquanto a vida a jogar se perdia e o vício desfazia o futuro de um grande amor. E as notas no chapéu em troca da emoção tocada, a família sustentada e o céu em volta a escurecer.

A noite a cair como uma cortina no palco improvisado pelo homem entristecido que recorda um amor perdido que esconde num apontamento, num canto do verso discreto de uma nota como a que toca que beija quando sopra o som daquele nome.

Ao longe, num saxofone.
Tags:
publicado por shark às 00:11 | linque da posta | sou todo ouvidos