A POSTA NO ENGATE RELÂMPAGO

Pela leitura de um post do meu colega de blogue Carlos Vilaza voltei a tomar contacto com mais uma moda esquisita em matéria de relações entre a malta solteira/descomprometida.
E arrisco a expressão “esquisita”, conotando-me com uma espécie de velho do Restelo, porque não consigo entender esta necessidade de esquemas marados para as pessoas promoverem o contacto umas com as outras.

O Speed Dating, cuja essência podem avaliar no post do Carlos (que não promove a cena, note-se, apenas a descreve), é um pretexto para as pessoas se encontrarem com possíveis parceiros, subordinando esse contacto a regras rígidas e, a meu ver, absurdas. E esta última definição concretizo-a com base na peculiaridade de o encontro inicial ter uma duração fixa (4 minutos), o que a assemelha a uma modalidade específica de uma partida de xadrez.

Só pode ser disso que se trata, de um jogo. Quatro minutos dão para quê? Para vermos se do outro lado da mesa está uma gaja gira ou um gajo charmoso? E depois, fazemos o quê? Mandamos um email a elogiar a cor dos olhos, o tom de voz ou outra treta qualquer, já que não vejo que outra base podemos utilizar para promover um novo contacto…

Na minha óptica retrógrada, estes esquemas artificiais só denunciam uma coisa: tá tudo doido. Ou apenas profundamente infeliz e amarrado a uma forma moderna de solidão.

Cronometrar um primeiro encontro com um/a completo/a desconhecido/a, só para “apalpar terreno” e ficar a saber o mesmo reduz a coisa aos critérios estéticos e pouco mais. Ou seja, na prática é um esquema para as pessoas bonitas filtrarem outras pessoas bonitas para pouparem trabalho no engate.

Desminta-me quem for capaz.
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publicado por shark às 11:38 | linque da posta | sou todo ouvidos