COGUMELO MÁGICO

Um empreendedor com visão e com coragem decidiu abrir uma loja fora de comum num centro comercial de Aveiro. O Carlos, depois de estudar o assunto nos seus aspectos jurídicos para evitar colidir com a absurda legislação portuguesa, entendeu por bem comercializar drogas leves (e utensílios ligados ao respectivo consumo) no seu estabelecimento comercial.
Nem duas horas depois, e apesar de estar autorizado pela edilidade local e de ter vencido a renitência dos restantes lojistas, recebeu uma visita de inspectores da Polícia Judiciária que lhe apreenderam parte da mercadoria para poderem analisá-la e, certamente, tentarem desesperadamente encontrar um argumento para lhe fecharem a porta.

Amanhã vai estar a referendo uma questão fundamental. Porém, um aspecto acessório da decisão a tomar amanhã (e que não constitui para mim questão de somenos importância) é o da liberdade de opção.
E é precisamente essa liberdade de opção que incomoda os que deixam vender drogas duras por todo o lado (o Casal Ventoso durou anos como entreposto dessas substâncias) mas apressam-se a incomodar um homem pelo seu arrojo, pelo que sentem como um desafio à sua autoridade mesquinha (falo dos que pressionam os agentes da autoridade e não dos próprios).

A Smart Shop, nome da loja em causa, não possui algum mecanismo de aliciamento nem tem angariadores do tipo time-sharing para arrastar os cidadãos indefesos para o seu malévolo interior. Na Holanda, país que tem muito para nos ensinar em matéria de cidadania responsável, existem diversas do género e nenhuma foi até hoje acusada de algum tipo de malefício.
O que está em causa, mais uma vez, é a imposição pela força de uma legislação arcaica e proibicionista. O resto são hipocrisias das que fundamentam os nãos de que este país tanto gosta a tudo quanto foge da “normalidade” institucional.

O que está em causa é a reacção bacoca do costume, proibindo e censurando tudo o que parece mal ou possui um cunho libertário.
Por isso adivinho a pressão que o Carlos irá sentir na sequência das rusgas policiais e da projecção mediática que os noticiários lhe atribuíram.

Por isso temo que os merdosos voltem a vencer uma das suas batalhas nojentas pelo primado do faz de conta.
publicado por shark às 18:30 | linque da posta | sou todo ouvidos