A POSTA NA POLIAMORIA

truth.jpg


Sem portátil, acabo por gastar um pouco mais do meu tempo a ver televisão. E calhou apanhar no Odisseia um documentário acerca de um tema que me fascina e que, naquela óptica, tomei conhecimento pela primeira vez.
O tema dá pelo nome de poliamoria. E se este nome diz quase tudo, a coisa dá pano para imensas mangas.

De acordo com as originais famílias que dão a cara no dito programa, a poliamoria consiste num arranjo entre várias pessoas no sentido de construirem agregados com base na relação amorosa entre si. Melhor dizendo, é algo de muito parecido com a poligamia mas sem vínculos contratuais. Melhor ainda, e para apanharem mesmo a ideia, passo a resumir os dois exemplos mais em foco no documentário:

Família 1: Uma ela e dois eles. Ela é casada com um e acordaram em acolher um outro. Vivem os três e qualquer um deles é livre de recrutar mais gente para o grupo ou de, no mínimo, dar umas baldas para ocupar o tempo livre. Isto, claro, numa linguagem que visa poupar o embaraço aos mais susceptíveis que lerem esta posta. O assunto é sério e trata-se da felicidade de pessoas que só a conseguem experimentar fora dos moldes convencionais, algo a que sou particularmente sensível.
Neste núcleo familiar, pois é mesmo disso que se trata, não existe um vínculo sólido entre os dois homens do grupo mas ela faz o elo de ligação necessário para que tudo funcione sem atritos nem assomo de ciúme que, claro está, seria a morte dos artistas.

Família 2: Um ele e três elas (mais duas filhas de uma delas, a mulher legítima, com ele). Esta deixou-me estupefacto. O homem até tem que manter uma agenda para organizar a cena. Dominador, exige fidelidade a cada uma das suas três mulheres. Em troca afirma não lhes faltar com nada. Aliás, foi esse de resto o argumento delas para aturarem a situação: apesar de o filme ser "de outro mundo", ele era o melhor parceiro que haviam conhecido e trata-as com o carinho e a atenção que outros não lograram.
Numa casa pequena, os quatro partilham a cama(!) e a única regra é as duas "suplementares" levantarem-se cedo para se distribuirem pelos sofás da sala e assim pouparem as miúdas a darem com o insólito cenário no leito dos pais...

Bom, confesso que aquilo me deixou perplexo. Sobretudo por aparentemente funcionar tudo na perfeição, em ambos os casos mais uns quantos que foram abordados de forma mais passageira neste programa deveras interessante. Mas na verdade aquilo que salta à vista é a forma como todas aquelas pessoas decidiram mandar as convenções às urtigas em prol de relações sem mentira ou hipocrisia e que, para os casos concretos, resolviam as respectivas carências no plano físico e/ou emocional.

O conceito já está a ser aplicado por milhares de pessoas um pouco por todo o mundo, existindo até uma convenção anual que reúne parte desta comunidade sui generis onde pelo menos parte do problema com que se confrontam a maioria dos matrimónios não existe de certeza...
publicado por shark às 18:07 | linque da posta | sou todo ouvidos