A POSTA MAÇADORA

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Embora seja evidente que (quase) toda a gente prefere virar a cara para outro lado, é impossível fazer de conta que não se percebe na Imprensa a preocupação justificada com as consequências da degradação do planeta em que vivemos.
As catástrofes naturais, cada vez menos naturais porque artificialmente provocadas, somam-se nos noticiários a um ritmo cada vez maior e com uma intensidade crescente. A natureza parece empenhada em quebrar recordes num Guiness medonho que já poucos se esforçam por contestar, ainda que aliciados pelas corporações a quem não interessa o alarme que soa contra as suas negligências e as responsabilidades que renegam mas não conseguem sacudir.

É patético, o empenho de alguns em disfarçar numa estatística imbecil aquilo que só nega quem finge não ver. Tempestades tropicais que se multiplicam, cada vez mais devastadoras. Secas prolongadas, associadas a aumentos de temperatura impensáveis. Nuvens de poluição visíveis a olho nu, em cada núcleo urbano sobrelotado.
Sinais evidentes, constantes, de uma reacção alérgica da natureza às criaturas que insistem na sua destruição.

Espécies em extinção, condenadas pela acção directa do Homem ou apenas pelo impacto por tabela das alterações no seu habitat.
Subida visível do nível do mar, com marcas visíveis em quase todas as linhas costeiras.
Proliferação das doenças pulmonares, epidemias com vírus cada vez mais sofisticados e letais.

A lista de ameaças latentes e de evidências flagrantes continua a crescer e pouco de concreto se faz para inverter uma situação que a Ciência confirma por todas as vias ao seu alcance. E cada um de nós tem que cumprir o seu papel e levar a sério as recomendações que visam pelo menos diminuir a progressão desta espiral de loucura colectiva que está a envenenar-nos cada vez mais.

É desagradável de enfrentar, este assunto.
Mas se continuarmos alegremente com a cabeça enfiada na areia, estaremos cada vez mais perto do dia em que a factura nos será apresentada.

E nesse dia será tarde demais para não nos deitarmos nesta cama que fazemos com todo o requinte de um leito final.
publicado por shark às 11:45 | linque da posta | sou todo ouvidos