CONVERSA DE HOMENS

Cada um sabe de si e passam-me ao lado os estilos e abordagens do resto do maralhal. Porém, e apesar de decifrar nesses detalhes a verdadeira essência dos burgessos que por vezes me tocam na rifa blogueira, fico sempre um nadinha com vontade de disparar umas tiradas em vernáculo Charquinho quando me deparo com os viris que tentam ridicularizar a minha forma de entender, de apreciar e de escrever o melhor que o mundo tem.

Se eu fosse uma embarcação em apuros, cada mulher interessante seria por mim interpretada como um farol salvador. Ou seja, há gajos que gostam de bola, outros de carros e outros de seja o que for. Eu gosto acima de tudo de mulheres, em tudo o que de bom representam. E se me estou nas tintas para quem prefira a pose machona de um "comia-te toda" ou a frontalidade brutal e descritiva de um "enfiei-me naquela gruta húmida até já só poder encavar mais se usasse uma calçadeira", essa não é de todo a minha forma de exprimir a mesma realidade.
Quero com isto dizer que entendo perfeitamente a cena do comer e tal, mas sou daqueles que gostam da fruta por descascar e até apreciam esse ritual e nem se ensaiam nada de ficarem especados por alguns instantes a contemplar a forma como a luz incide nesta laranja ou naquela maçã. E sinto-me mais à vontade quando empresto às palavras que descrevem os momentos mais atesoados a beleza que não consigo dispensar.

Mais concretamente, o facto de uns preferirem relatar a "refeição" tal como a degustam não implica que alguém passe fome na mesa em apreço. E há quem prefira descrever um banal cozido à portuguesa como um prato divinal da mais haute cuisine, transmitindo assim a emoção que a gastronomia também pode abarcar, enquanto a outros(as) servem melhor os urros à boca cheia.
Quero com isto dizer que a virilidade (o apetite, se preferirem) não se mede em vocábulos, da mesma forma que lá por um gajo se perder em exaltações verbais isso não implica que na hora da verdade seja só trinta e um de boca.

É claro que não preciso provar nada a ninguém, muito menos aos farsolas que acrescentam centímetros virtuais às suas pilas por comparação com o discurso dos outros, excepto a quem isso possa de facto interessar.
Todavia, não é fácil encontrar tema para postas diárias e o sexo constitui sempre uma reserva estratégica a que recorro sem hesitações. Na escrita também.
Porque eu, apesar da linguagem "maricas", gosto de falar o sexo tanto quanto gosto de o praticar. E por isso o falo com o mesmo tom com que o pratico, arrebatado mas gentil. Dá-me mais gozo chamar a uma amante deusa do que puta, embora não me transtorne fazer com que a divina desça à terra por instantes ou a meretriz ganhe asas e se empoleire no pedestal onde eu a coloque. Cada pessoa e cada situação são únicas e vividas de uma forma diferente. Mas sempre especial.

E é o reconhecimento da importância de quem se/nos partilha que justifica uma linguagem mais elaborada e consentânea com o efeito que se produz. A mim encanta. A outros seja o que for, não tenho nada a ver e abstenho-me de etiquetar ou de adivinhar "quantas dão" e se é à bruta ou devagarinho.
Até hoje gostei de viver a minha sexualidade da forma que mais se adequa ao meu sentir e em equipa que ganha nunca mexo.

Gostava que os gozões deste género no qual não sou filho único pudessem ver as coisas nessa perspectiva, só lhes ficava bem.
Até porque um gajo não é parvo e há muitas formas de topar quem só fala azedo ou trocista porque na verdade anda, pardon my french, muito mal fodido...
publicado por shark às 20:45 | linque da posta | sou todo ouvidos