PREFERIA-OS FELIZES

É visível o desconforto que grassa entre boa parte dos agentes da PSP e adivinham-se as tensões acumuladas no seio de um grupo cuja responsabilidade é imensa e desproporcional às compensações que o Estado lhe confere.
Os polícias são pessoas com uma missão ingrata a cumprir e lidam com o pior que a nossa sociedade produz. São a única barreira entre os criminosos, os marginais, e as pessoas decentes e arriscam o seu bem mais precioso para cumprirem essa função.
Não existe, em meu entender, qualquer justificação, qualquer argumento para explicar porque lhes é imposta uma desconsideração (aberração) tão evidente como, por exemplo, obrigar os agentes da autoridade a custearem a própria farda.

Por princípio, a remuneração de um polícia deveria ser elevada. Não apenas para compensar as mulheres e os homens que se prestam a uma tarefa tão exigente como também para reduzir ao mínimo a tentação que os possa corromper.
Mas não é.
Os polícias portugueses auferem vencimentos absurdos em função do que valem e do que se vêem forçados a suportar. E isso constitui um óbice para que muita gente de bem considere a hipótese de ponderar uma carreira policial, o que lesa sobremaneira a sociedade no seu todo.

O dinheiro é um símbolo de estatuto social, de prestígio de cada função. E isso não muda pela farda que se usa, pelo que a um vencimento paupérrimo corresponde, aos olhos da maioria das pessoas, um estatuto inferior.
É injusto que um polícia possa sentir-se nessa pele, tal como um bombeiro, um enfermeiro ou qualquer pessoa cujo ofício implique abnegação e altruismo (ou mesmo risco da própria vida) em prol de cidadãos que não conhecem de lado algum.

E que não primam pela gratidão se permitem que situações destas se eternizem como se o problema fosse de outros quando afinal é um problema de cada um de nós.
publicado por shark às 09:58 | linque da posta | sou todo ouvidos