BUSINESS AS USUAL

Um gajo nisto dos negócios não se pode dar ao luxo de ser sentimental, dizia-me o rapaz à guiza de consolo por me ter dado com os pés nuns quantos contratos por meia dúzia de euros de diferença relativamente à proposta de um concorrente.
Eu nem tenho veia de mercenário, pois nunca ambicionei fazer fortuna a trabalhar (uma ilusão). Por isso mesmo, confesso que pouco me afecta a perda dos trocos em causa. Porém, são estas ocasiões que me deixam renitente quanto à minha faceta de mercador. E porquê?

Precisamente porque dou-me ao luxo de ser sentimental em tudo o que faço, mesmo que isso acarrete algumas perdas e acima de tudo desgostos como o que este sujeito a quem nunca neguei qualquer favor, mesmo fora do âmbito das minhas funções, me deu, a par com o chá que usou para se desculpabilizar por uma decisão acertada do ponto de vista financeiro mas sem dúvida mesquinha pelo valor irrisório em causa.
E pela suposta relação de amizade que nos unia ao fim de diversos anos de ligação comercial próxima e imaculada.

É viver e aprender, pois a vida é mestre na arte de nos ilustrar a verdade dos factos sempre que nos deixamos embalar por romantismos que já não se usam.

E talvez se aproxime a passos largos a hora ideal para eu mudar a minha.
publicado por shark às 18:30 | linque da posta | sou todo ouvidos