QUANDO FOR GRANDE QUERO SER BLOGUEIRO

E cá estou outra vez arrastado para uma cadeia, desta vez por alguém que só me faz "offers I can't refuse"...
A ideia é um gajo dizer o que quer ser quando for grande, o que é um desafio giro para um chavalo como eu em constante mutação prática nessa matéria.

Podia aproveitar para fazer a autobiografia (ou, neste caso, o curriculum vitae), mas vou poupar-vos à cena resumindo a coisa à sua mais simples expressão.
Até porque os meus anseios neste domínio giram (quase) sempre em torno do mesmo: a escrita e o pilim.

Por isso mesmo, e logo que me passou a infantilidade de querer ser piloto-aviador (por alturas do antigo ciclo preparatório), passei a querer ser Jornalista e publiquei o meu primeiro periódico com a bonita idade de dez anos.
O pasquim, destinado a custear-me as longas sessões de matraquilhos no salão de jogos da avenida do Uruguai (em Benfica, claro), era feito à mão com recurso a papel químico que permitia obter as cópias necessárias para impingir a professoras, auxiliares e colegas mais "abastados".
E cobria as despesas da jogatana, revelando já nessa altura as duas coisas que mais me atraíam: escrever e ganhar papel em quantidade suficiente para garantir a independência financeira.

A coisa não variou muito ao longo do percurso até à idade adulta onde abracei o ofício que pretendia e que exerci durante o tempo necessário para perceber que não tinha estômago para aguentar em simultâneo o desencanto, que o Jornalismo não é tão "puro" como o sonhava, e o rendimento paupérrimo que ele me garantia (mesmo quando trabalhava em simultâneo para duas revistas, dois jornais regionais e uma rádio local).

Foi assim que desemboquei nas actividades menos líricas e mais lucrativas, aproveitando a lábia e a palheta para me converter no mercador relativamente bem sucedido que ainda hoje sou.

Contudo, e estes sonhos de puto acompanham-nos ao longo da vida, se me perguntarem nestes dias o que quero ser quando for grande não hesito em responder: escritor e blogueiro. Fantasias, claro, pois só os sobredotados e as figuras mediáticas conseguem sobreviver condignamente na actividade literária e quanto à blogosfera, enfim...

E pronto, já me safei desta. Não costumo passar o testemunho, pois não sou adepto de cadeias e abdiquei da minha veia de presidiário mal consegui escapulir-me das diversas gaiolas que a vida me impôs. Porém, não posso perder o ensejo para "entalar" o Kaffa (toma lá qué práprenderes!) e dar-lhe um bom pretexto para mais um post, a Éleene (outra miúda nova como eu e cheia de hesitações quanto ao futuro...) e, last but not least, a Bastet (que tenho curiosidade em saber como se safa desta).

Tinha que tocar a alguém. Divirtam-se... :-)
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publicado por shark às 09:33 | linque da posta | sou todo ouvidos