A POSTA NO ARGUMENTO DOS FETOS

E pronto. Em Oliveira de Azeméis foi distribuído o primeiro folheto verdadeiramente sincero dos defensores do não.
Um padre (who else?) concebeu mais um daqueles aglomerados de fotos chocantes para convencer a sua paróquia a votar de acordo com os princípios que a sua igreja (sim, com minúscula) defende nesta matéria.

Fetos desmembrados e tal. O costume. E os defensores do sim, esses sanguinários assassinos de pré-criancinhas, revelam-se incapazes de contra-atacar com umas fotos à maneira de adolescentes ensanguentadas vítimas de uma hemorragia às mãos de uma parteira obscura qualquer. Mortas, de preferência, para enfatizar a cena e ombrear com as tradicionais iniciativas do catolicismo fundamentalista.

O argumento dos fetos, particularmente querido para o sector radical (e mais sincero) da seita clerical que impulsiona os esforços dos defensores do não, é apenas uma face mais pictórica das frases de choque que adornam tantos placares nas ruas do país.
Sem o poder de outros tempos, em que bastava o cura dar um pum para todos os fiéis erguerem o nariz em profunda reverência, os padrecos de treta (frontais) apelam aos serviços das tipografias para converterem os papalvos mais impressionáveis e, em simultâneo, darem início ao circo costumeiro que desmobiliza quem quer discutir o assunto com a seriedade que os desarma.

Ainda mal começou, a palhaçada. Os médicos também já entraram na dança, incapazes de aguardarem pelo resultado do referendo para adoptarem os critérios que a sua consciência ditar. Querem interferir no processo, também eles cientes do poder que detêm sobre uma camada menos esclarecida da população.
Os mais abastados, regra geral muuuiiiito crentes, já deram sinal por via da recusa antecipada de alguns dos principais hospitais e clínicas privadas do país em darem sequência a uma lei que resulte de uma derrota das suas “cores”.

Pouco mudou desde o último referendo na atitude dos que pretendem que tudo fique na mesma.

Resta saber se ao argumento dos fetos as pessoas de bem correspondem com o argumento dos votos e provam a este tipo de gentinha que a Democracia lhes acabou com a vitória fácil do obscurantismo e do medo dos papões.

Resta saber quantos se dignam levantar o rabinho do sofá e exprimirem nas urnas aquilo que padre nenhum conseguirá desmentir. A maioria da população não papa grupos e a argumentação medieval só prevalece nos bastidores beatos do seu cada vez mais reduzido séquito de seguidores.
publicado por shark às 15:50 | linque da posta | sou todo ouvidos