O TAMANHO DA TESTA

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Conforme prometido, vou abordar um dos temas mais melindrosos para qualquer macho da espécie que tenha ouvido falar do John Holmes (1). Sim, o tamanho conta. Pelo menos conta nas preocupações de muitos dos meus companheiros de classe. E nas da outra classe também (embora sob diferente perspectiva).
Eu já me assumi mediano e tenho por isso uma posição confortável na matéria. De resto, aprendi cedo que os centímetros de pila a mais ou a menos podem constituir uma questão secundária quando compensados na dimensão da testa. No interior da nossa tola, na forma como encaramos a nossa vida sexual, residem os argumentos prioritários.
Mas isto é um gajo a falar e admito que esta minha interpretação possa ser demasiado subjectiva.

A questão do tamanho, para além de ser um viveiro de excelentes anedotas, é um foco permanente de tensão mal disfarçada. Para qualquer homem traído, o embaraço de concluir que a "sua" companheira o preteriu por causa do mastro do rival é um mal menor perante a mínima suspeita acerca do seu desempenho na cama. É que as pilas sairem grandes ou pequenas constitui um capricho aleatório da mãe natureza e quanto a isso, nada a fazer (2). Mas a falta de entusiasmo para satisfazer a parceira já não se pode descartar com a mesma paz de espírito. Por isso mesmo, tendo a concluir que uma explicação em centímetros é preferível a uma alternativa em minutos...
O nervoso miudinho assoma a mente de qualquer um de nós quando, no urinol, ficamos com a impressão de que o bacano do lado nos controla o penduricalho pela surra. Quero acreditar que essa preocupação está relacionada com o pavor aos olhares gay (embora me custe a crer que um homossexual arrisque ou considere sequer tal hipótese). Porém, existe a remota possibilidade de estar em causa o facto de assim, a fazermos chichi, desarmados da nossa desmesurada erecção, soarmos minúsculos com aquela coisa flácida entre mãos. São questões que me ultrapassam.

Aliás, cada um reage à sua maneira quando o tema aflora o seu pensamento ou (raramente) as conversas em que participa. Quando se trata de um grupo estritamente masculino, só através do humor o assunto pode vir à baila (nunca um homem coloca a outros essa dúvida existencial tabu). Em grupos mistos acaba por dar na galhofa (a única saída airosa para o desconforto que se instala nos presentes com estatuto de filho varão). Nos grupos delas não faço ideia de como e se a conversa se desenrola. Intuo que prefiro nem saber.

Naturalmente, compete às mulheres (cuja posição me tem soado algo ambígua nas conversas que mantive a propósito) definir a relevância da fita métrica nas suas opções ou preferências. Mas julgo que nós homens deveríamos confrontar-nos com os nossos medos nessa questão, expurgar receios infundados que estão na origem de tantas rugas de expressão.
Pela parte que me toca, nunca ocorreria justificar um resultado pouco satisfatório com base em tal argumento. Seria uma desculpa de mau pagador. E custa-me a acreditar, excepto nos casos dos meus colegas a quem o destino se exibiu parco em demasia, que a verdade dos factos passe por aí. Isto não implica, claro, que não seja tão normal existirem mulheres adeptas de pilas de palmo e meio como homens desvairados por mamas versão Dolly Parton ou Fáfá de Belém.

Outra verdade insofismável é de que mais vale um pequenino mas trabalhador do que um adamastor molengão. Esta é pelo menos a teoria que mais nos conforta, quando descobrimos algures na vida, com enorme desgosto, que entre a nossa e a de uns quantos há uma confrangedora diferença. Quando somos muito jovens, essa ameaça paira-nos sobre a crista como um imenso papão (3). Pode até inibir-nos, se sabemos que fulana já esteve com um indivíduo mais velho ou com o tipo de quem se diz ser parente daquele deputado castiço que fez escola. "E se ela acha o meu coiso minorca e desata-se a rir em plena função"? É assustador, naquela fase decisiva de afirmação pessoal. Depois a gente cresce e os fantasmas desaparecem.
Não é?

(1) Actor de filmes pornográficos, trata-se de um homem que se notabilizou no género sem encontrar rival à altura. Em comprimento, para ser mais exacto...

(2) Isto se não acreditarmos nas inúmeras e diversificadas propostas que o spam nos faculta. Ou numas máquinas de sucção(?) que alegadamente vão esticando o dito cujo se nos aplicarmos com dedicação. Enlarge your penis e afins.

(3) Vinte centímetros ou mais.
publicado por shark às 10:28 | linque da posta | sou todo ouvidos