DEJÁ VU

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O torniquete, cada vez mais ávido da dor alheia, aprendeu a dosear o aperto de uma forma que prolongava a agonia e dessa forma lhe rendia mais e mais daquele prazer cruel.
Ganhou vida própria, independente do algoz que acreditava comandar a pressão exercida. A tortura devida sob a falsa batuta de quem a aplicava nos corpos e nas almas que quantas vezes lhes fugiam por entre a brisa de um suspiro final.

Nunca iria a tribunal, inimputável, quando a revolução aconteceu e o depositaram num museu onde o rosto de outros culpados não se perpetuaria, desbotando a imagem cada vez mais difusa pelo tempo que tudo perdoaria.

E o objecto facínora, tão quieto numa prateleira esquecida, completamente só, ruminava a lembrança coberto pelo pó e alimentava a esperança de rever o que viu.

A fé justificada pela memória curta de uma História filha da puta que tantas vezes se repetiu.
publicado por shark às 20:43 | linque da posta | sou todo ouvidos