AS RÉDEAS NA MINHA MÃO

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De há uns tempos a esta parte tenho sido confrontado com as diferentes armas de arremesso que a vida utiliza para me condicionar. Compromissos que assumi à luz de determinados valores e de factores que influenciam decisões, transformados de quando em vez em instrumentos de inibição das minhas escolhas.
É a velha questão dos preços a pagar. Um passo em falso e lá estamos nós a receber a factura. Vive-se com isso sem problemas enquanto não se atinge um ponto de saturação.
E quando este surge no horizonte, devemos preparar-nos para uma revolução nas nossas vidas.

Eu vou dar início à minha. Começo por onde posso, por onde tenho meios e força para pegar. Por onde o risco corrido é dos maiores o que menos me preocupa. É um processo que já enfrentei, mais do que uma vez, e envolve ganhos e perdas semelhantes aos que já conheci. É a revolta que recuso deixar morrer porque sempre me ajudou a reagir nos momentos mais complicados do caminho. E não se trata de uma revolta no sentido pejorativo da palavra, não é de sentimentos negativos que vos estou a falar. Estou a falar daquela chama que deve apoderar-se de nós quando a mudança deixa de ser necessária para se assumir imperiosa. Falo da vontade e da determinação para darmos a volta ao texto quando os sinais se acumulam nesse sentido. Antes que morra a força da revolta no nosso interior, isolada entre o conformismo, a apatia e a ameaça de futura mas inevitável capitulação.

Eu gosto dos meus dias com prazer. A fazer o que gosto, a gostar de fazer o que preciso, a precisar de me sentir feliz e realizado e a estender essa boa onda a outras pessoas. Nada de novo, afinal. Então, o dilema nem se coloca e preciso apenas de proceder aos ajustamentos necessários para que tudo se encaminhe mais no sentido da filosofia de vida que reconheço como certa. À minha custa, e nunca de terceiros, como sempre fiz questão de acautelar.
Claro que isso implica riscos a correr, decisões difíceis a tomar, novos desafios a assumir e requer coragem e bom senso. Sem fugas mas com transições. Deveras estimulante para um homem como eu me aprecio.

E também é clara a distância que me separa dos objectivos que agora tracei e o cuidado que terei de manter para agitar as águas apenas o bastante para as filtrar do entulho, para contrariar a corrente e a ondulação que me afastam da costa, para longe do que quero ser. Já não posso influenciar a maré, pelos condicionalismos a que fiz menção e outros, mas posso remar contra ela recorrendo à mente e ao coração. Duas forças poderosas, combinadas. Alimentadas pela revolta simpática a que fiz alusão, a mesma que tento incutir nas pessoas que se cruzam no meu caminho e não escondem a sua força interior, quantas vezes abafada a custo, como uma frágil rolha de cortiça no cone de um vulcão mal adormecido. Ao fim de demasiado tempo, e o tempo não deixa de correr enquanto nos acomodamos, a rolha calcifica e o vulcão adormece de vez.

Recuso envelhecer dessa forma e partilho com as pessoas que me interessam esse “bichinho” da revolução que, cedo ou tarde, todos temos que efectuar para colocarmos de novo a nossa vida nos melhores carris. E às vezes é tão simples quanto limar algumas arestas, tirar da frente dos olhos os obstáculos a uma visão cristalina do que nos sonhámos e do que estamos a ser afinal. Outras vezes não. Mas vale sempre a pena, pela pica que nos dá sentir nas mãos as rédeas de parte do nosso destino e podermos embicar a galope pelos trilhos que a razão não bloqueia, a emoção muito anseia e a intuição sempre aconselhou.
publicado por shark às 19:17 | linque da posta | sou todo ouvidos