CAVALOS DE CORRIDA

Na zona onde trabalho os acidentes de viação acontecem com uma frequência anormal. E muitas vezes implicam a morte de pessoas.
Nos Olivais, a meio caminho entre o meu escritório e o local onde actualmente resido, um casal descarregava o porta-bagagens quando um (abstenho-me de escrever o que penso, para não radicalizar ainda mais a minha posição) condutor apressado os esmagou à vista das três filhas que os aguardavam no interior da viatura.

Isto aconteceu numa artéria secundária da capital, uma rua como qualquer outra onde tantas famílias descarregam os seus pertences sem temerem um fim abrupto como o que refiro acima. O condutor, cuja carta de condução acabará por lhe ser devolvida e poucas ou nenhumas consequências sofrerá na sequência da tragédia que a sua irresponsabilidade provocou, tentou fugir do local do crime à vista de agentes da PSP.
Ou seja, revelou uma baixeza de carácter e uma falta de capacidade para assumir os seus erros que deveriam bastar para nunca mais voltar a conduzir legalmente uma viatura. E caso fosse apanhado ao volante sem um título válido de condução deveria passar numa penitenciária o tempo necessário para aprender a lição. E o código da estrada que desrespeitou.

A zona oriental de Lisboa, próxima do autódromo Vasco da Gama, é um viveiro de street racers e os acidentes não acontecem por coincidência ou pelo mau estado das estradas. Acontecem pelo excesso de velocidade e pelo defeito de responsabilidade dos asnos que circulam num bairro habitacional como numa pista, inconscientes, tresloucados, assassinos potenciais.
Não existem paninhos quentes aplicáveis perante as circunstâncias em que o condutor (modera-te, Shark) acima literalmente desfez uma família.
Nem atenuantes para a ausência ou a passividade das autoridades que sabem, que ouvem o rugir dos motores e pouco ou nada fazem para acautelar a segurança das pessoas.

Este pesadelo não acaba porque não queremos. Damos carta branca por inerência, pois não protestamos, desculpabilizamos os bêbedos ao volante se forem nossos amigos ou familiares, aceitamos de forma passiva o medo que as estradas nos provocam e preferimos enfiar a cabeça na areia enquanto aguardamos a nossa vez ou a de alguém que amemos.

Fico fora de mim quando tomo conhecimento destas tragédias alarves, escusadas, absurdas.
E por isso aplaudo de pé a conjugação de esforços hoje anunciada entre estas duas organizações para combaterem uma parte do problema.
publicado por shark às 20:58 | linque da posta | sou todo ouvidos