A POSTA NAS MANTAS

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A ideia nasceu na caixa de comentários. Alguém mandou a sugestão para o ar, como quem não quer a coisa. E a malta agarrou-a, com um entusiasmo adolescente. A ideia, tal como a interpretei, era recriar a magia do diálogo virtual que se desenvolveu em torno da Posta Romântica (arquivo de Janeiro) na sua componente analógica. Uma espécie de tira-teimas à empatia que se gerou e não dava sinais de se esbater.

Num cenário fantástico, o Monte das Diabrórias, em pleno Alentejo (a terra santa), a Mar e eu vestimos a grata pele dos anfitriões de um acontecimento que me acompanhará na memória até ao derradeiro dos meus dias.
Nessa pele, recebemos amigas e amigos cujos olhares abafavam a natural expectativa e os medos que a todos nos submetemos nestas circunstâncias. Mas não escondiam a essência das pessoas de bem que tivemos o privilégio de ali reunir, tão empenhadas como a nossa dupla hortícola (alfacinha alentejana) em abraçar a oportunidade de viver um momento especial. E foi.

Especial na absoluta ausência de desilusões. Especial na fartura de surpresas agradáveis. Especial também na profusão de sorrisos e de gargalhadas, de diálogo permanente entre quem há meses conversa mas não deixou de ter algo de novo para dizer. Como só os amigos conseguem.

São coisas difíceis de transmitir a quem não presenciou (e muito citámos e lamentámos as vossas ausências, ò rapaziada “vocês sabem de quem estou a falar”). Sem nada a ver com o ambiente que conheci em ocasiões similares no pretexto. Vi a alegria, vi a amizade, vi a verdade e a beleza em cada um de vós, ò rapaziada “vocês têm mesmo que saber de quem eu estou a falar e se não sabem, vem mais abaixo a listagem”.
Senti emoções com as quais não contava. Disputei um duelo (e na minha perspectiva ganhei, ò chavalo), dedicaram-me uma canção (Animals, dos Pink Floyd – uma das minhas eleitas), partilharam comigo alguns segredos, com a confiança que só a expressão de um rosto ou a entoação de uma voz podem afiançar. E mais, muito mais, coisas que não cabem nesta posta-lençol.

São imensas as referências que recolhi deste encontro das mantas que abriu a caixa de pandora da nossa vontade de estarmos juntos com quem nos faz sentir tão bem. São intensas as imagens que me embalam o dia da ressaca, o dia em que os excessos me obrigam a lembrar os quarenta aí à porta, não no entusiasmo e na inocência dos afectos que experimentei mas apenas nas mazelas de um corpo menos resistente às mudanças de ritmo e de temperatura. Senti-me um puto do liceu no nosso encontro das mantas. E ainda o sinto assim, quando (a toda a hora) recordo alguns episódios mais marcantes desta experiência feliz que vivi.

Nunca conseguiria aqui exprimir o quanto mais vos estimo agora, o quanto me sinto agradecido pela entrega, pela boa disposição, pelo amor que só as amizades mais sérias sabem reflectir nas palavras e nos gestos com que me brindaram.
E pela vontade irreprimível de voltar a estar convosco em breve (agora namelixem, ò distintos sucessores), gente boa a quem de bom grado dedicaria uma bela canção se soubesse como a meter no blogue sem dar cabo desta traquitana:

Mar – Espelho Mágico

Azul – Um Pouco Mais de Azul

Vague – La Maree Haute

Hipatia – Voz em Fuga

Mi – O Ilegal

Descompensado – O Ilegal

Pedra – Pedra a Pedra

DerFred – Charquinho

PN – Fumos

JotaQuê? – Casa de Alterne

João Pedro da Costa – As Ruínas Circulares

M. (a Mar pôs assim) – Desertinha para blogar (para quando a primeira posta?)

(e apesar de mais fugaz, a vossa presença foi uma agradável surpresa, Maria Branco e Pedro)

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publicado por shark às 23:45 | linque da posta | sou todo ouvidos