ESPAÇO NENHUM

ilha deserta.jpg


Curto o espaço que sobra. A margem de manobra para curtir, escassa mas apreciada.
O tiro de partida para uma nova corrida rumo à chegada no melhor lugar.
Saber saborear a vida em goles pequenos, sorvidos num beijo que se converte de repente num chupão.
O poder de uma mão à solta como cavalo selvagem pelos montes e vales de que se faz o relevo de um corpo. Afirmação de um desejo na sedução sem pressa, num momento que nunca se esqueça e antecipe o melhor que virá depois.

Comprido o tempo, cumprido o intento de o alongar em requintes de prazer. Elástico, interminável nessa porção de vida moldável em função da vontade de cada um. O poder de uma mão à solta sobre o barro cru desse pedaço nu de uma vida demasiado vestida com uniformes sociais. O prolongamento da partida empatada, a vitória conquistada com o suor dos rostos que se roçam junto aos ouvidos para lhes gemer o amor que se sente nessas alturas.
O calor acumulado pelo amor libertado que se grita por fim.

Imenso, esse apelo intenso para lambuzar emoção nessa doce sensação da partilha. Primeiro as senhoras, claro, pois o dever de um cavalheiro é render o peixe antes que a vida nos deixe e isso pode acontecer amanhã ou depois.
Sempre o último a abandonar o navio, náufragos os dois numa ilha deserta temporária e a morte tão certa como a vida imaginária que tanto sonhamos mas nunca gozamos, estupidamente adiada para um dia qualquer.
O poder de uma mão que agarra pelos cabelos a felicidade instantânea personificada no alvo da atracção. Palavras sem nexo na ânsia do sexo, a pele esfregada como uma lâmpada mágica, libertados os génios e concretizados os desejos em orgasmos simultâneos.
O vislumbre da perfeição ao som da tua voz.

Curto o espaço quando não sobra entre nós.
publicado por shark às 00:28 | linque da posta | sou todo ouvidos