LÍNGUAS AFIADAS

Esta é mais para despegar o meu amigo do crucifixo onde o pendurei. Até porque confesso que nem ontem ao serão (quando escrevo a maioria das minhas postas) nem hoje ao longo do dia encontrei uns minutos para escrever a posta costumeira.
Porém, a mais recente “bronca” da blogosfera mais próxima (que teve início numa posta do Barnabé, espalhou-se ao 100nada, incendiou o Afixe, alcançou o Renas e ainda faz correr tinta virtual numa data de espaços colegas), essa reacção em cadeia incentivou-me a falar um pouco acerca do assunto, aproveitando uma pausa estratégica.

Até porque eu próprio já dei início a reacções do mesmo género, em menor escala (felizmente), e percebi nessa altura que isto da blogosfera já atingiu um ponto (em expansão e em expressão) que nos obriga a levar muito a sério aquilo que postamos. E isto aplica-se a qualquer blogue, pois as broncas tanto podem ter início numa posta política como num momento menos conseguido de humor. Ou até num comentário palerma (como é mais minha tradição). Nem nos comentários podemos dar-nos ao luxo de abardinar. As pessoas lêem, as pessoas reagem e ninguém consegue ficar indiferente ao clima que se instala. E se estala...

No meu Afixe, as águas agitaram-se a tal ponto que até pareciam ter partido dali as ondas de choque que tantas palavras produziram. Mas não. É o tal efeito bola de neve que as nossas intervenções mais polémicas podem iniciar e que acabam por confirmar, pela sua intensidade e pela dimensão que atingem, o interesse que as pessoas têm por este fenómeno, a importância que lhe atribuem e o respeito que isso nos exige quando lhes damos algo a ler. É essa a principal conclusão que extraio de mais um momento de azedume blogueiro.
A sensibilidade dos outros não pode ser descartada do que afirmamos. Não pode e não deve. A inteligência também não. Os outros, que sou eu e que são vocês, porque gastamos parte do nosso tempo a dar atenção ao que a blogosfera produz, merecem toda a consideração. No meu entender, é esse o ponto de partida para tudo o mais. E justifica até que nos reprimamos de vez em quando, que nos tentemos impor alternativas menos agrestes para exprimirmos as nossas posições. Não é diferente do que tentamos fazer numa mesa de café. Não pode ser diferente. Sob pena de qualquer dia nos fartarmos de más ondas e irmos surfar para outras paróquias.

Eu adoro isto. E postas bem esgalhadas como a que hoje nos ofereceu o Oldman abrem-me os olhos, todos os dias e em muitos blogues, para a falta que esta maravilha me fará se um dia definhar por causa da falta de contenção verbal generalizada. Até me passava...
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publicado por shark às 16:28 | linque da posta | sou todo ouvidos