RACIOCINIOS DESNECESSARIOS 2

Escrever o amor de uma forma “universal” é quase um santo Graal para quem investe na emoção e inclui as palavras nessa definição do que de mais profundo conseguimos sentir.
E isso aplica-se tanto ao amor sereno que adormece nos braços de alguém depois de um momento irrepetível como ao amor explosivo, arrebatado, que se contorce de ira às mãos do ciúme ou conduz um amante às raias da loucura.

Por muito que esse arquétipo ornamente alguns devaneios literários e fantasias de casal, nem o próprio amor possui uma alma gémea. Não existem dois amores iguais, duas formas semelhantes de sentir e de exprimir uma paixão e as suas grandezas e misérias.
Cada pessoa valoriza o amor numa escala que é a sua e opta por um caminho para o usufruir que jogue certo com a sua sensibilidade e o seu grau de carência. Por isso chamam egoísta ao amor, por prevalecer sempre a “nossa” percepção. A que muitas vezes nos tolda à diferença que caracteriza os/as destinatários/as desse ar sem o qual ninguém respira em condições.

O amor é fundamental, nem que baseado apenas numa reciprocidade ilusória ou mesmo num erro grosseiro de interpretação da nossa inteligência emocional.
Escrevemo-lo, os que conseguem, sempre de acordo com a intensidade que nos absorve enquanto o pensamos para o traduzir em palavras. Por vezes, tantas vezes, bem melhor do que o conseguimos por outra forma. Numa conversa telefónica. Na cama, até.
E sempre de uma forma subjectiva, seja no modo como descrevemos o nosso sentir ou como interpretamos o das outras pessoas.

Por isso vão sempre existir tentativas frustradas de “globalizar” em palavras o que nunca poderá definir-se de uma maneira que encaixe em todas as noções possíveis de entre as variáveis sem fim que cada ser humano em cada conjuntura produz.

A prová-lo, basta repararmos nos exemplos de sintonia perfeita nesse domínio entre uma multidão de dois.

É por isso que me senti tentado a repetir agora a última frase da posta anterior.
publicado por shark às 15:39 | linque da posta | sou todo ouvidos